Ligações      Arquivos      Contactos

May 13, 2008

Luz

[Arquivado em: Geral, Baixa visual]

[BS]

Luz

[Arquivado em: Geral, Baixa visual]

[BS]

Luz

[Arquivado em: Geral, Baixa visual]

[BS]

Enquanto o outro fala

[Arquivado em: Geral]

1. Todos os seres que usam o "moleskine" são estéreis por definição. O caderno suscita a ilusão, não é a ilusão que suscita o caderno.
2. Plano 1 que se aproxima de uma forma equivalente de reiterar a mesma cosmovisão (sanctum).
3. Merge visible.
4. Forçar o animal.
5. Esperar sem pragmatismo.
6. Merge visible.
7. Em brasileiro: Assim se vê a força de você.
8. Full composite.
9. Building histograms. Plano 5.

[BS]

Estatística II

[Arquivado em: Filosofia]

O problema maior da Estatística é o seu ângulo cego. Ela ignora o princípio essencial do Universo: a mutação.

[BS]

May 12, 2008

Estatística

[Arquivado em: Geral, Sociedade]

Diz-se por aí que o homem que, recorrendo a uma simples fotocopiadora, assegurou não só a sua sobrevivência política, como um poderoso instrumento de chantagem sobre todo o bloco central de interesses, veio queixar-se em público que os inspectores da ASAE trabalham por objectivos. A descrição desses objectivos é um exercício enjoativo, pois ela mostra até que ponto  foi afinado o instinto predador do Estado e de que modo qualquer cidadão é hoje uma presa fácil de uma máquina desenhada para submeter e aniquilar.
Acontece que esta metodologia predatória não é um exclusivo, longe disso, dos polícias da ASAE. Ela foi implementada em todos os serviços do Estado que possuem canais directos de relacionamento com o cidadão e é hoje uma super estrutura de controlo e exercício da violência sobre toda a sociedade. Todos os principais sectores de actividade do Estado desde a Educação, Saúde ou Justiça, até às Finanças ou Segurança Social, são geridos com base numa esotérica pseudo-ciência cujos cábulas chafurdam em verdadeiros chiqueiros do internacional-fascismo. Essa excrescência cognitiva chama-se Estatística. Na falta de ideias, de valores ou da mais ténue capacidade de pensar a política como motor da solidariedade entre os seres e não de predação entre as bestas, a Estatística é usada como lei sagrada e aplicada com furiosa cegueira como método de avaliação e intervenção sobre a realidade. Mais espantoso é que tal acontece num país conhecido por saber quase tanto de matemática como o cidadão comum de lagares de azeite.
Esta narcodependência da Estatística não é mais do que a prova acabada da falência do ser vivo perante a máquina, tal como a turba internacional-fascista em cujas mãos está o poder pretendia. É um retrocesso civilizacional grotesco que nos coloca em patamares pré arcaicos de desenvolvimento: máquinas prisioneiras de outras máquinas.

[BS]

May 9, 2008

dia da Europa

[Arquivado em: Geral, Sociedade]

Apelo aos irlandeses: vótáil NÍL do gach cara dúinn muid.

[CC]

May 8, 2008

O olhar do Outro

[Arquivado em: Geral, Sociedade, Ah, o Oriente...]

Texto Publicado no Jornal Hoje Macau em 02-05-2008.

José Carlos Matias

"As recentes manifestações de chineses, dentro da República Popular da China (RPC) e no exterior, por onde passou a tocha olímpica, trouxeram à tona de novo a questão do sentimento nacionalista do país que vai acolher em Agosto a maior festa do desporto mundial. Num olhar imediato e superficial somos tentados a concluir que as manifestações são fruto da forma como os media na RPC filtram a informação que tem chegado ao país dos protestos contra a passagem da chama em várias cidades, na maioria com manifestantes a defenderem a causa do governo tibetano no exílio. Contudo essa observação em si – não sendo incorrecta - deixa muito por explicar. Vale a pena começar por olhar para os protestos contra a França e em defesa do boicote da cadeia de supermercados Carrefour no contexto de uma série de erupções nacionalistas que sucederam ao longo dos últimos dez anos.

Belgrado, o avião-espião e os manuais japoneses

Em 1999, na operação militar na Sérvia e no Kosovo, a NATO bombardeou, aparentemente por engano, a embaixada chinesa em Belgrado, provocando a morte a três cidadãos chineses. A aliança atlântica pediu desculpas explicando que estava a utilizar um mapa desactualizado quando foi efectuado o ataque, mas muitos chineses não aceitaram esta justificação. Ao longo de vários dias milhares de chineses protestaram de forma agressiva junto à Embaixada dos Estados Unidos em Pequim e em frente de edifícios consulares norte-americanos em várias cidades na China, como forma de expressar a ira face a um acto que consideravam deliberado. As autoridades chinesas toleraram esta onda anti-americana, num gesto que foi visto por alguns analistas como a prova de que o Partido Comunista Chinês (PCC) estava a estimular o sentimento nacionalista entre a população, especialmente os jovens. Muitos manifestantes pediram ao governo central que tivesse uma atitude mais dura para com Washington.

Dois anos depois, as pulsões anti-EUA subiram de novo de tom, na sequência da colisão entre um avião-espião de reconhecimento dos EUA e um caça que chinês. O aparelho norte-americano não estava em águas territoriais chinesas, mas já estava a sobrevoar a Zona económica exclusiva da RPC, pelo que Pequim reagiu de forma enérgica ao incidente. À margem do debate legal sobre se os EUA tinham o direito de utilizar um avião-espião a 80 milhas da costa chinesa, vários protestos eclodiram de novo com milhares de chineses a insurgirem-se nas ruas contra o “imperialismo americano.

Em 2005, o alvo da onda nacionalista foi o Japão, a propósito dos manuais escolares de História nipónicos em que vários crimes de guerra praticados pelo exército imperial japonês durante a ocupação da China são omitidos. De novo o povo saiu à rua. Ao longo dos últimos anos, especialmente nos protestos anti-Japão de 2005 e anti-França nas últimas semanas, as novas tecnologias – internet e Sms – desempenharam um papel muito importante. Esta situação coloca desde logo em causa se os protestos foram orquestrados pelo PCC ou se nasceram de movimentos espontâneos populares, tendo sido – facto consumado – tolerados pelo partido que, numa lógica ainda leninista, procura controlar os movimentos populares e ser a vanguarda dos movimentos de massas.

Um nacionalismo além-PCC

Peter Gries, académico norte-americano e autor de vários artigos e livros sobre o nacionalismo chinês, argumenta que “o PCC está a perder o controlo sobre o discurso nacionalista”, uma vez que o neo-nacionalismo que brotou nos anos 1990 tem um cariz popular forte que pode em última instância ser utilizado para colocar em causa o monopólio do poder detido pelo PCC. Gries assegura que “com a emergência da internet, telemóveis e mensagens de texto SMS, os nacionalistas populares na China estão paulatinamente a ser capazes de agir independentemente do estado”. Claro que as malhas da censura procuram manter a situação sobre controlo, contudo é difícil ao governo central impedir manifestações de nacionalismo e patriotismo (aiguo zhuyi), uma vez existe na “alma chinesa” uma narrativa latente dos 150 anos de humilhação e de vitimização que funciona como um gatilho para estas manifestações sempre que regressa a percepção de que o mundo - normalmente o Ocidente personificados pelos EUA – quer impedir a re-emergência da China como potência económica, comercial e eventualmente militar. Naturalmente que o PCC utiliza e manipula estes sentimentos populares ao inculcar no sistema educativo um patriotismo exacerbado e ao promover alguns destes protestos através de organizações para-partidárias.

Uma espada de dois gumes

Contudo, o PCC saberá certamente que este é um jogo muito perigoso. Na verdade é uma faca de dois gumes. Por um lado, o nacionalismo é conveniente ao PCC especialmente após o descrédito do comunismo enquanto ideologia e depois dos protestos de Tiananmen em 1989. Quer isto dizer que o nacionalismo serve como factor de legitimação de um Partido único que procura refazer o léxico e a semântica do socialismo com características chinesas. No entanto este nacionalismo nem é provavelmente o principal factor de legitimação nem o nacionalismo chinês é análogo ao que na Europa brotou no século XIX, tendo chegado ao poder na sua forma mais reaccionária no século XX. Ren Bingqiang, professor na Universidade de Pequim, defende que uma diferença essencial entre os nacionalismo chinês e ocidental é que e”o nacionalismo no Ocidente cresceu durante as revoluções liberais, aquando da criação dos estados-nação, ao passo que o nacionalismo chinês emergiu como resposta à invasão estrangeira”. Na verdade, o primeiro movimento de massas nacionalista – no sentido moderno – surgiu na altura da chamada Revolução dos Boxers contra a influência ocidental, no limiar do século XX, quando a China Qing era presa fácil para o imperialismo do Ocidente. O complexo de vitimização está latente também porque é explorado pelo PCC em situações de crise. Em todos os casos referidos aqui de erupções populares de nacionalismo – bombardeamento da embaixada chinesa em Belgrado, incidente com o avião espião dos EUA, manuais escolares japoneses e protestos anti-França por causa das posições de Sarkozy de apoio à causa tibetana e das acções violentas contra a chama olímpica em Paris – as manifestações nacionalistas surgiram como reacção a uma percepção de humilhação por parte de países ocidentais ou aliados do Ocidente (como é o caso do Japão).

A proliferação de “China bashers” nos “media” ocidentais, como o ignóbil Jack Cafferty, comentador residente da CNN que chamou de “rufias” aos líderes chineses e classificou de “lixo” os produtos fabricados na China, ajuda ao recrudescimento do nacionalismo chinês mais rasteiro. A tese da “China como ameaça” pode transformar-se numa “self-fulfilling prophecy”. Não se trata de fazer auto-censura face ao que tem que ser dito sobre os atropelos aos direitos humanos na China, seja no Tibete, em Pequim ou Urumqi. Trata-se sim de, ao nível oficial e em declarações públicas, ter uma dose de responsabilidade e de entendimento sobre a história recente da RPC. Na edição de 21 de Abril da revista Newsweek, Fareed Zakaria, num habitual acesso de lucidez, explicou por que é que é importante não alimentar o nacionalismo na China e por que é que a humilhação pública funciona muito pior no regime de Pequim do que a pressão privada (pelos canais diplomáticos apropriados).

Entretanto, vale a pena continuar a acompanhar as pulsões nacionalistas na China, uma vez que tudo indica que seja um movimento com raízes populares, que escapa ao controlo total do PCC e que, por isso, pode transbordar para outras causas que se possam virar contra o governo. Esse é o grande receio em Zhongnanhai (sede do PCC em Pequim). É que as manifestações de fervor patriótico têm sido raros momentos (autorizados pelo regime) de expressão em massa nas ruas de uma sociedade civil provavelmente ansiosa por se fazer ouvir fora dos mecanismos rígidos das estruturas do PCC e do estado."

José Carlos Matias, n’O Sínico

[BS]

Em prego

[Arquivado em: Filosofia, Sociedade]

[BS]

TAO

[Arquivado em: Filosofia]

Somos todos pessoas normais.

[BS]

May 7, 2008

metapredação

[Arquivado em: Geral]

Que grande post do bom Dragão!

[CC]

May 6, 2008

Dá-me um ideal

[Arquivado em: Geral, Mitologia]

A decadência de um clube de futebol como o Boavista, um “histórico” da cidade do Porto, suscita uma certa curiosidade. Para além do saque a que terá sido sujeito por gente acima de qualquer suspeita que o governou nos últimos anos, o declínio dos axadrezados espelha também a falência de um certo Porto. Para além de ser há muitos anos um clube com fortes tradições no jogo do Xadrez, o Boavista era também conhecido no estrangeiro e no mundo profano em geral como “aquele das camisolas esquisitas”, referindo-se essa observação à circunstância bizarra de os jogadores do Boavista jogarem com camisolas aos quadrados pretos e brancos, tal e qual o tabuleiro de 64 quadrados , tantos quantos os hexagramas do I Ching, do jogo de  Xadrez.
Na verdade desconheço quase por completo a história do Boavista. Sei que o seu estádio fica perto de uma escultura que representa um Leão inglês mastigando uma Águia napoleónica e que as suas camisolas, de facto, são esquisitas. Muito esquisitas.

[BS]

Chao ab Ordo

[Arquivado em: Geral, Sociedade]

É notícia do Público a intenção do governo português estabelecer uma nova estratégia para a "promoção da língua e cultura portuguesas". Não especifica a notícia se tal promoção se fará com recurso ao cartão desconto, a um pague três leve dois, ou pague agora e leve depois. É curiosa, no entanto, esta fantasiosa intenção do estratega que destrói, para depois promover, diz ele, a cultura. A cultura?
E está isto assim desde manhã. 

[BS]

May 5, 2008

Sobre a Besta (leia-se das duas maneiras)

[Arquivado em: Sociedade, Mitologia]

Quando a imprevisibilidade morava no Céu, eu prestava culto aos Deuses do Céu, supremos fecundadores de cuja vontade se desprendia o Trovão e a Grande Água, ou o fogo divino do Sol. Assegurava o seu  contento e a minha sobrevivência. Quando a imprevisibilidade morava na Terra, eu prestava culto aos Deuses da Terra, à Grande Deusa, à Árvore da Vida. Amava a vegetação como símbolo cósmico e exemplo divino da regeneração eterna.
Hoje a imprevisibilidade não vive no Céu nem na Terra. Habita estranhas cavernas de cimento onde um anjo caído que usa gravata e cospe mentiras julga ter cativo o fogo dos deuses. Grita sobre ele em trombetas negras nomes incalculáveis: recibos verdes, contrato a termo, trabalho temporário, livre despedimento.
Este anjo, além de usurpador e ladrão, é estúpido. O que ele tem por fogo é uma mera centelha. O que tem pelo Céu e pela Terra é uma firme ilusão das Trevas de que ele próprio é filho. É evidente, sabe-o quem há muitos yugas navega entre mundos, que não é possível aprisionar os Deuses durante muito tempo e fingir que eles não existem, pois quando esses Deuses se soltarem, o anjo caído vai querer que a sua caverna fosse na rocha mais funda.

[BS]

A visita das três irmãs

[Arquivado em: Estórias pequeninas]

O utente dirigia-se na sua viatura com motor de combustão para o local do costume no centro da cidade. Já perto do destino havia uma rara acumulação de viaturas paradas dentro das quais outros utentes faziam uso ora da buzina, ora da sua natural inclinação para pasmar perante obstáculos imprevistos e intransponíveis. A verdade, tão pura quanto a verdade que pode brilhar na mente de um céptico, a verdade é que três ovelhas haviam decidido reunir-se no exacto meio da estrada.
Mais buzinadela, menos assobio, o gado acabou por dispersar e o trânsito de viaturas com motor de combustão também. Mas nesse dia, até ao fim da noite, manteve-se com pertinácia o diálogo interno do primeiro utente, escusado será disfarçar, autor destas linhas: três ovelhas no meio da avenida. Três ovelhas no meio da avenida. Três ovelhas no meio da avenida.
Não pode o utente imaginar se acaso vieram oferecer-se ao sacrifício. Não suspeita sequer se a violenta inocência que expressaram no meio do asfalto, aturdidas e assustadas como crianças, é uma imagem-símbolo de um outro mundo. Literalmente de outro mundo, sim, porque deste, o utente sabe, elas não são.

[BS]

May 4, 2008

Nota solta

[Arquivado em: Filosofia]

Escrever é o início do fim do Verbo. A palavra perdida é a palavra escrita.

[BS]

May 2, 2008

Xadrez absurdo

[Arquivado em: Geral, Sociedade]

A estratégia do PSD é simples mas bem urdida: assegurar, nas próximas eleições, a maioria absoluta a Sócrates. Chama-se "navegar à bolina".

[BS]

April 29, 2008

Free Tibet

[Arquivado em: Geral, Ah, o Oriente...]

 Made in China.

[AC]

April 28, 2008

No umbral

[Arquivado em: Filosofia]

"O construtor sabe que veio do nada e vai para o nada. Provém do magma imemorial das origens e sente que não existe outro futuro para além da poeira cósmica resultante da decrepitude inevitável do planeta. Não lhe basta o instinto vital da procriação. Frui cada corpo como matéria primeva e análoga a si. E luta, incessantemente luta o construtor por uma estética do bem que acolha a beleza e a fealdade imanentes, o sémen e os excrementos que fertilizarão a massa informe resultante da nova agregação do pó. Até à eclosão dum outro universo. Depositário das partículas de nada do construtor."

Ricardo António Alves, Sublime Porta

[BS]

April 17, 2008

como se fosse

[Arquivado em: Geral, Estórias pequeninas]

Manuela Bacelar, escritora e ilustradora, é autora de uma historieta infantil recém publicada pelas Edições Afrontamento, destinada precisamente a um público infantil (biológica e mentalmente falando), intitulada «O Livro do Pedro (Maria dos 7 aos 8)».

Lê-se na sinopse que «O que torna esta história especial é o facto de Maria ter dois pais: O Pedro e o Paulo. Este livro não pretende ser um panfleto. Pretende, ao invés, contribuir para que do imaginário infantil faça parte a diversidade dos modos de amar. E, nesse sentido, este é um livro pioneiro em Portugal. Pela primeira vez, a edição nacional de literatura para a infância contempla a diversidade das formas de parentalidade. E fá-lo sem falsos moralismos». Aparentemente, e apesar das diversas formas de amar (não descritas no texto), o conto também não se preocupa com os "verdadeiros" moralismos. O espírito do tempo, que este livro pretende reflectir, é exactamente a repulsa pela moral, pela ética e pelas responsabilidades sociais e pessoais. Nesse aspecto, cumpre o seu papel. E fá-lo em papel.

A autora explica como surgiu todo o processo criativo na sua mente: «A ideia do livro surgiu-me como as ideias dos outros livros: de situações concretas que vou conhecendo. A história é sobre uma família que tem uma vida normal, perfeitamente inserida e aceite pela sociedade». E acrescenta: «É um livro de afectos. É Natal e não há prendas. Há um grande abraço. São os anos da Maria e não há presentes». A ideia central, portanto, além da absoluta normalidade de uma criança ter dois pais e nenhuma mãe, é que a filha deste amoroso casal nunca recebe nem dá presentes, seja no solstício de Inverno, seja nos aniversários. Em contrapartida, há afectos e abraços (e supõe-se haver outras formas de expressar os afectos entre o pai e o outro pai). Embora os "afectos e abraços" e até os beijinhos não sejam incompatíveis com presentes, tal evidência não ocorreu à escritora.

Apesar de toda esta incontestável normalidade na vida de Maria e dos seus pais Paulo e Pedro, Manuela Bacelar desvelou a ratio agendi do livro numa entrevista a Ana Aranha, no programa «À Volta dos Livros», na Antena 1: «Tratei do tema da homossexualidade como se fosse uma coisa normal». Como se fosse.

[CC]

April 11, 2008

A Barbárie II

[Arquivado em: Sociedade]

De qualquer modo é necessário contextualizar devidamente as palavras e atribuir-lhes o seu justo peso relativo. A barbárie de que se fala no texto anterior, da qual participam políticos que ocupam ou ocuparam lugares importantes na hierarquia do Estado, do sistema partidário, ou de estruturas menos visíveis mas nem por isso menos activas da chamada sociedade civil, não é igual à barbárie congeminada numa trágica cimeira dos Açores, onde o próprio Primeiro Ministro de Portugal foi cúmplice de uma das maiores chacinas dos tempos modernos a troco da cadeira de presidente da comissão europeia.
Mesmo na mais materialista das sociedades, roubar é sempre um pouco diferente de matar. Ou não será?

[BS]

April 8, 2008

Amor de Mãe

[Arquivado em: Filosofia]

- Podes brincar à vontade com a realidade, meu filho. Monta-a, desmonta-a, vira-a de pernas para o ar, pinta o sete, o diabo a quatro, faz o trinta e um que quiseres. Mas no fim não te esqueças de arrumar tudo outra vez no sítio.

[BS]

April 6, 2008

A Barbárie

[Arquivado em: Sociedade]

O efeito que tem sobre o país a conduta de homens como Jorge Coelho ou outros que lhe copiam o exemplo, é verdadeiramente devastador. Não se trata apenas de manter a economia nacional prisioneira do cimento e do alcatrão através de jogos maquiavélicos que alimentam a rede tentacular do tráfico de influências. Trata-se de desmoralizar completamente a nação. De exaurir o seu esteio ético e, por via disso, a sua auto-estima.

De facto, muito embora seja estéril e pernicioso um modelo de desenvolvimento em que empresas construtoras e financeiras detenham em regime de monopólio absoluto o poder político, muito mais sério e determinante no nosso fracasso enquanto nação é o exemplo ético de políticos como estes que aniquilam a esperança dos que ainda tinham esperança. E aniquilam-na por um processo lento de produção do desânimo, uma espécie de tortura moral que vai roendo um ou outro homem limpo que sobre ainda nesta gruta escura no seio da terra. E será essa a grande realização do poder político português e das sociedades elitistas que através dele falam: a putrefacção absoluta, a nigredo, o reino do caos e da desesperança. Numa palavra, a barbárie.

Mas o Kipling bem avisava: quando mais nada em ti houver que seja humano, alegra-te meu filho, então serás um Homem.

[BS]
Anterior