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March 29, 2006

Smithólicos anónimos

[Arquivado em: Corneta]

Pode-se ouvir o novo álbum de Morrisey Ringleader of the Tormentors ( título que me evoca as cartas do Magic) , à venda a partir da segunda feira, aqui e aqui . Ambos os casos obrigam ao registo no site.

O exercício do poderzinho

[Arquivado em: Sociedade]

“Estão a filmar o quê? Ah, é o Discovery Channel, vieram filmar os animais. Ali à frente é a cidade dos animais. Eles não são como nós, nós somos seres humanos.”

Isto, vi eu ontem num documentário que consistia na compilação de imagens feitas por um cameraman, nos postos de controlo israelitas, colocados nas entradas de todas as cidades palestinianas da Faixa de Gaza e Zona Ocidental. Não há voz off, não há entrevistas, não há banda sonora. São apenas imagens com som real.

O enquadramento, não podemos esquecê-lo, é o do êxodo normal de cidade em cidade e a única coisa que as pessoas estão obrigadas a fazer, é mostrar o B.I que tem que estar em ordem. O enquadramento é este, a realidade, é bem diferente.

Sempre que um soldado israelita estiver aborrecido e apetecer distrair-se, tem muitas pessoas com quem brincar. Basta não as deixar entrar ou, melhor ainda, não as deixar sair. Sejam mulheres, crianças, velhos ou doentes, sejam pessoas que estão cansadas do dia de trabalho e anseiam por chegar a casa, sejam pessoas a quem foi garantido que, ao entrar, podiam sair uma hora depois e afinal já não podem (porque simplesmente não podem); seja fazer esperar horas, entendam-se mais de dez, por uma resposta de sim ou não, simplesmente por fazer esperar; seja deixar passar a mãe e obrigar as crianças a voltar sozinhas para trás; seja deixar as pessoas à chuva e ao frio, à espera, simplesmente à espera. Seja fazer as pessoas dormir na rua ou alinhá-los às dezenas voltados para uma parede, autêntica cena de prisioneiros. Vale tudo.

Isto, são histórias daquele país (aquele que começa por Is e acaba em rael) que é apoiado por aquele outro país, a maior potência mundial (sim, aquele que começa por E. e termina em U.A.), que está sempre a encher a boca com aqueles conceitos maravilhosos, a Liberdade, a Democracia, os Direitos Humanos.

E o resto do mundo, passa os serões a ver os Circos das Celebridades.

March 25, 2006

tollat te, qui te non novit

[Arquivado em: Geral]

António Borges é o António Vitorino do PSD. Ou então é ao contrário. Já não sei muito bem. Mas um e outro têm o outro como o seu reflexo no universo paralelo dentro do grande partido do centrão a que ambos pertencem, como diferentes faces de duas moedas iguais.

Para além dos currículos pomposos de cada um, da passagem pelo grupo Bilderberg e de outras despersonalizadas insignificâncias, é a pose que os trai. Quer o Dupond do PS com "D", quer o Dupont do PS sem "D", gostam muito de fazer reparar aos outros a sua extraordinária competência, importância e genialidade.

O sr. António B., o mais alto (vamos distingui-los assim), gosta de aparecer fora do círculo do partido em que se inscreveu recentemente a mandar bitaites lá para dentro, deixando gastar as mãos de quem lá trabalha, assumindo um ar distante, de quem sabe e se preocupa, mas que, por razõe$ que não vêm ao caso, tem um total desprendimento pelo poder (político).

Por seu lado, o sr. António V., o menos alto e mais risonho, gosta de aparecer fora do círculo do partido em que milita a mandar bitaites lá para dentro, deixando gastar as mãos de quem lá trabalha, assumindo um ar distante, de quem sabe e se preocupa, mas que, também por razõe$ que não vêm ao caso, tem um total desprendimento pelo poder (político). Como o seu partido (onde ele não se quer rebaixar a assumir funções mal pagas) está no Governo, o seu chefe arranjou-lhe outra avença, onde ele pode dizer o que lhe mandam dizer (e que, de qualquer modo, coincide com o que ele diria) e todos os portugueses o poder ver e ouvir.

Ambas as eminências dizem pouco do que realmente pensam, embora o da propaganda do Governo na RTP fale muito. Estes distraídos salvadores-da-pátria gostam que se pense deles próprios que eles dizem coisas inteligentes e interessantes sobre o seu partido, o país, a economia, a política internacional, a sociedade. Mas, do alto da sua autoridade, os Antónios não reparam que o pouco que dizem e o muito que falam já muitos outros o disseram antes.

Na verdade, se alguma vez almoçarem num vulgar tasco de um bairro sub-urbano ou se beberem um copo num bar juvenil lá para o findar da noite etílica, podem facilmente reparar que muitas das banalidades que proclamam merecem a concordância dos seus diferentes.

March 24, 2006

Hora Autêntica!

[Arquivado em: Geral, Cerveja]

Confesso. Estava um pouco farto do Inverno. Não que ele seja assim tão mau, mas não gosto que se prolongue mais do que os três meses que lhe cabem por direito. Gosto mais da luz, do calor e dos dias grandes.
A Primavera sucedeu-lhe naturalmente, como aliás acontece sempre desde que eu me lembro. Com ela chegavam também as andorinhas e quase logo a seguir viria a apetecida mudança de hora. Pensava eu. Estava errado. Completamente equivocado. Descobri que este ano as coisas não eram assim tão simples.
Desta feita era necessário alocar uma verba, arranjar financiamento, para o que até hoje se deu de bom grado. Sinal dos tempos e da sociedade consumista em que vivemos.
O Governo fez o que sabe fazer melhor e não assumiu a sua responsabilidade e consequente despesa. Mas também, é para isso que lá está.
Podem então imaginar, como fiquei extremamente aliviado quando soube que tinham arranjado um patrocinador para a bendita mudança da hora. A Super Bock, marca de cerveja de sabor autêntico, que se preocupa acima de tudo com o consumidor (excepto no açúcar que usa na sua fórmula para fazer a fermentação) decidiu assumir todas as despesas inerentes a tão complexa mudança e oferecer a todos os portugueses a tão desejada mudança de hora, antes que este assunto se tornasse calamidade nacional. Julgo falar em nome dos 10.000.000 de portugueses quando digo: Obrigado Super Bock!

March 23, 2006

File Corneta for music

[Arquivado em: Corneta]

Sabem que o mundo do rock também vive à custa destas coisas: ah não gosto de ti, afinal gosto, vou cortar-te aos bocadinhos (isso é mais no hip hop), és um maricas, és uma fraude, têm que se provar - o lado  novela/faca alguidar que faz as suas manchetes no NME.

Hoje faço copy paste de uma declaração de Saint Morrissey que não perdeu o jeito para os elogios carinhosos nem a oportunidade de fixar os The Smiths como paradigma.

«I actually quite like the Arctic Monkeys and whatever I said was said with tender, avuncular concern. I hope to God I didn’t upset their grannies," he added.

"In any case, I was wrong about their success being too sudden and without any dues paid, because that’s exactly how it happened for The Smiths. So, I really should shut it.»

Para sempre na cauda da Europa, a tocar o Continente Africano.

[Arquivado em: Sociedade]

Há uns anos atrás, recebemos a notícia, de que íamos passar a ter gás natural. Uau!, que coisa moderna, ecológica, europeia. E assim, foi. Pegaram no gás de cidade e suststituram-no por gás natural.

A última novidade, embora não me tenha chegado através da GDP, é que o gás natural exige canalizações próprias, pois danifica rapidamente (digamos em cinco anos) as canalizações já existentes.

E há a última das últimas: a acompanhar as directrizes da União Europeia para a mudança para o gás natural, chegou um cheque que iria servir para alterar toda, atenção toda, a rede de gás inclusivé a que nos entra pela casa a dentro até ao fogão. Iria. Escusado será dizer que uma parte do cheque serviu para alterar as condutas da rede até à porta do prédio onde vivemos, e daí para dentro, passados que estão os cinco anos, caber-nos-á a nós desembolsar a parte do cheque que se evaporou.

E depois, ao ver as manifestações em França não consigo deixar de pensar: não seremos nós um povo de demasiados bons e brandos costumes? Talvez em vez de cobrirmos os euros que faltam do tal cheque, devêssemos partir esta m#$"%& toda e lutar um bocadinho mais pelo que temos direito. É com alguma vergonha que admito: eu vou pagar o que devo.

March 22, 2006

non nova, sed nove

[Arquivado em: Geral]

Terra da AlegriaA Terra da Alegria de hoje fala de leigos, de servos inúteis, da falácia da ciência (com a ajuda de Dan Brown) e do lobo do homem (com o patrocínio da Opus Dei).

Comentário sobre comentário político

[Arquivado em: Sociedade]

Ontem à noite, deitada confortavelmente no sofá, naquele torpor antes de adormecer, parei o zapping pelo Estado da Arte o novo talk show  (como se chama o formato que promove as opiniões de alguém iluminado durante uma hora?) de Paulo Portas na SIC Notícias.

«Realmente vi essas manifestações [ao comentar, politicamente, os protestos em França desencadeados pelas mudanças no código de trabalho] e deixe-me que lhe diga Clara, que essa gente não tinha um ar nada necessitado

Enquanto se iam debitando ideias sobre baixar a idade criminal para os 7 anos (como na pacata Suiça diz prontamente Clara, pronta para ajudar a acabar as frases) comecei a reparar, entre os close ups da câmara, nos cabelos. Que sedoso cabelos! Já não têm aquelas madeixas loirinhas, que graça tinham. E patilhas, agora usa-se patilhas farfalhudas. A face, magra, tom ligeiramente bronzeado, aspecto mate, poucas rugas (parece-me outro milagre de Fátima após forçada passagem pelo Brasil). E os dentes, bem os dentes estavam muito branquinhos, tão branquinhos que lavavam mais que o omo.

Deixe-me que lhe diga, Clara, este homem não tem nada ar de político; será modelo, será actor?

March 21, 2006

Um logotipo é lá coisa sem a qual se possa viver?

[Arquivado em: Sociedade]

Aconteceu que o gás, esse bem nada essencial ao nosso dia-a-dia, foi cortado no meu prédio. De alto a baixo. Se contarmos os dias, já lá vão oito e parece que passarão mais dezasseis até se poder voltar a tomar um duche e ligar o fogão.

A razão da demora: os empreiteiros têm horário, das 09:00h às 17:00h e de segunda a sexta, nem mais um segundo.

Os empreiteiros não são como os designers. Estes sim, prestam serviços inadiáveis à Sociedade! É inevitável que trabalhem 24 horas sem parar, que tenham fins de semana inteiros sem descanso, e que percam quantas pontes e feriados (tantos…!)… como compensação estão, com certeza incluídos entre os 100.000 indispensáveis em caso de pandemia. 

Tenho que admitir, que achava mais graça ao alguidar para o banhito quando era criança e passava férias na terra da minha avó. Se calhar era por ser de zinco e não de plástico. Graficamente, era um cenário sem dúvida mais bonito.

 

March 20, 2006

sic transit

[Arquivado em: Filosofia, IC 19]

IC 19Continua a não haver sítio mais apropriado para alcançar a plena redenção da liberdade a que fomos condenados do que a 2ª Circular e o IC 19. Além do contacto demasiado humano com os nossos companheiros de cela, da estóica ginástica das virtudes morais da prudência e da fortaleza, das lições práticas de tanatologia e entomologia e da reflexão sobre a pouca relatividade do espaço e do tempo, ganha-se músculo existencialista para a arte de suportar esta noite escura.

Prometo, no entanto, não voltar a este assunto.

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