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April 27, 2006

Livro Amarelo

[Arquivado em: Geral, Sociedade]

Aqui "poderá registar as suas reclamações e pesquisar as reclamações registadas por outros. Este site é construído a partir da informação que cada consumidor aqui registar e que é disponibilizada na íntegra e de imediato. Para a sua defesa e segurança enquanto consumidor, antes de comprar um produto/artigo ou serviço, consulte primeiro o Livro Amarelo na Net para  verificar se existe algum histórico de reclamações sobre produto, artigo ou serviço que pretende."
Vá lá portugueses, não se acanhem, deixem os bons costumes de lado e partilhem as vossas reclamações. Só se pede civismo para que possa ter plena utilidade. 

 

April 22, 2006

“E, se teu olho te fizer tropeçar, arranca-o, e lança-o de ti; melhor te é entrar na vida com um só olho, do que tendo dois olhos, ser lançado no inferno de fogo” Mateus 18:9

[Arquivado em: Geral]

Inferno no MNAA

Sofro intermitentemente de ataques de culpa por a política e economia nacionais e internacionais me aborrecerem de morte. Nessas alturas prometo a mim mesma actualizar-me. Desato a ler jornais e a subscrever revistas. Passado um mês ou dois começo a voltar ao meu estado normal. Sobretudo quando me chegam a casa pérolas destas. É o tipo de ironia  nós-somos-os-maiores-do-mundo-e-os-governos-europeus-sao-uns-fracos que me faz perder a paciência.

Mas estava a Economist em plena queda livre para o caixote do lixo quando foi milagrosamente salva pela visão do Diabo. Não é qualquer Diabo. É o que está no Museu Nacional de Arte Antiga em Lisboa - reconheci-o porque ia lá de propósito quando era miúda para ficar ali parada de boca aberta,  extasiada; o Inferno era fascinante. O quadro era quase pornográfico.

Será que a Economist pagou direitos de autor ou será que a imagem é do domínio público? E se não for, a publicação de uma fotografia da revista onde, por sua vez, está publicado o quadro mete a Baixa Autoridade em despesas?

(o quadro original e os seus detalhes pode ser visto nas colecções dos Museus prenchendo "Inferno" no campo título ou directamente aqui)

 

April 21, 2006

Mais um que não vou

[Arquivado em: Corneta]

Por acaso estava a ouvir Bang, Bang, Rock & Roll dos Art Brut enquanto lia no Y do Público que iam tocar esta noite a Leira. Não gosto nada quando me avisam destas coisas em cima da hora.

Bang Bang está cheio de declarações entusiásticas e juvenis ("got myself a brand new girlfriend …and I’ve seen her naked… twice!" ; "we formed a band …who writes the song that makes Israel and Palestine get along"), pouco mais que guitarra/bateria a abrir e de uma voz gritada mais que cantada. Mas têm piada, são divertidos, são até eternecedores como em "Emily Kane".

Bang bang faz-me lembrar outro nome, o muito soado na rádio "Bang, Bang you’re dead" dos Dirty Pretty Things, grupo supostamente do ex-guitarrista dos The Libertines (grupo a que tenho voltado muito, agora que a falta de orçamento me impede de seguir o culto da novidade. Mas também, sejamos francos, não há nada de muito bom a ser editado). E embora este bang bang até entre bem, não sei, parece-me bastante pateta para uma música que se quer promocionar. É que há pouco mais na letra que bang bang you’re dead.

Bang para avisos em cima da hora.

O Estado e a Nação

[Arquivado em: Geral]

Ano após ano, Portugal é a vergonha dos países desenvolvidos. Segundo a OCDE, nos próximos anos, ficaremos ainda mais para trás, se é que se consegue conceber tal cenário.
Temos a produtividade mais baixa da Europa, fraca inovação e vitalidade empresariais, educação e formação profissional deficientes e um péssimo uso dos fundos
públicos; a nossa força laboral, é menos apta e educada que a dos restantes países europeus, inclusive dos novos membros; gastamos mais com os ordenados dos funcionários públicos do que a maioria dos países europeus mas sem conseguir melhorar os resultados; somos quem tem mais professores por aluno, e no entanto não conseguimos competir em educação e formação profissional; somos o país com os salários dos administradores de empresas públicas mais altos; somos o país, onde os automóveis de luxo tiveram um acréscimo nas vendas de 36% e no Norte há mais Ferraris que em Itália; a nossa indústria têxtil, que já foi uma das mais avançadas, não se actualizou e por isso estancou, fechou, acabou, morreu; somos o país que permite que um profissional liberal, com duas casas e dois automóveis, declare ganhos mensais de 600 euros ano após ano, e ainda receba um subsídio estatal para ajudar a pagar a escola privada dos filhinhos.(*)
No tempo de Durão Barroso (a Europa o tenha), a desculpa foi a crise. Pensando bem, a desculpa quando se começa a falar muito destas coisas, é sempre uma crise qualquer. A nossa crise no tempo do Dr. Cherne, foi resultado da crise que se fazia sentir na Europa e, já agora, pelo mundo, o que dá uma desculpa muito maior. Nós coitadinhos, não tínhamos culpa nenhuma, só tínhamos que apertar o cinto e estava tudo resolvido. Afinal parece que não. Parece que a crise generalizada está a acabar, parece que os restantes países europeus recomeçaram a sua ascensão, e parece, que nós que apertámos o cinto, vamos continuar a afundar.
É que também somos o país onde em plena crise, os hotéis do Algarve esgotam nas épocas de férias e feriados; as viagens ao Brasil, República Dominicana e Cuba, também; somos o país onde os centros comerciais enchem ao fim de semana e as lojas do Chiado enchem também aos dias de semana; onde as empresas compram carros de 75.000 euros; somos o país, onde os deputados assinam o livro de ponto e se vão embora; somos o país onde uma empresa para ser moderna só tem que pagar o ginásio aos seus colaboradores; somos o país onde o crédito para comprar coisas está à distância de um telefonema ou mesmo dentro de uma cartinha que nos chega sem termos pedido nada; onde os comerciantes patologicamente se queixam de que isto está muito mal; em que se não chove os agricultores se queixam porque não choveu, e se chove se queixam porque choveu; onde a política não tem criatividade, não tem projectos de longo prazo, não cria terrenos férteis; em que a população se resigna e não tem sementes criativas e ambiciosas para plantar; em que cada um tenta sacar o mais possível para si, pagar o pior que puder aos empregados e o menos que puder ao Estado; e o país onde o jogo, o milagre de ficar rico repentinamente, é o espelho do desespero mas também da inércia.
Apesar disto tudo, estou muito curiosa por saber qual vai ser a desculpa oficial desta vez.

 

(*) informação resumida do relatório que se encontra no final deste artigo.

O presidente não existe

[Arquivado em: Geral]

Ouvi uma crónica na TSF sobre a visita de Cavaco Silva às tropas portuguesas que estão na Bósnia (ou seria no Afeganistão?). O trabalho da jornalista foi surrealista: disse que o presidente decidiu fazer esta viagem, "provavelmente porque….", que "eventualmente dirá…", que "talvez", que "é provável". Para alegar a coisa, aproveitou frases que o homem disse no passado e que, mais ou menos, confirmavam as suas especulações. Não consigo entender por que motivo Cavaco Silva não explicou ao País os motivos que o levaram a visitar as tropas, o que pretende com isso, a importância que dá a estas missões. Até posso entender as razões que o levaram a fazer uma campanha silenciosa, mas agora não vejo a necessidade… Será um estilo (vazio)?

Visão

[Arquivado em: Geral]

A Visão desta semana tem, na capa, a notícia da morte de um actor dos Morangos com Açúcar. Esperava ler na reportagem, finalmente, uma análise/explicação do fenómeno que se gerou à volta desta história: como é que uma pessoa tão jovem, com apenas um ano de exposição pública através de uma novela que passa durante a tarde conseguiu arrastar milhares de pessoas para o funeral e levou todas as televisões a abordar o assunto (porque foram bombardeadas com telefonemas de adolescentes e pais)? Infelizmente, a Visão fez como o 24 horas, as revistas cor de rosa e a TVI: traçou um perfil do rapaz (era alegre e tinha muitos amigos, mas nem sequer grande actor), fez uma reportagem sobre o funeral e interessou-se por saber qual o rumo da personagem que ele representava na novela! O pior é que se não foi a Visão a tratar o assunto sem sensacionalismo e a partir de um ponto de vista minimamente sério e interessante, ninguém mais o vai fazer…

Terras do Demo

[Arquivado em: Geral]

Enrodilhada, testo, garruço, malga… Acabo de chegar das férias da Páscoa e tenho a cabeça cheia de palavras que nunca oiço em Lisboa e de imagens de aldeias de granito meio arruinadas onde (quase) só vivem mulheres, viúvas há várias décadas, integralmente vestidas de preto, que se entertem numa rotina de missas e enormes tardes sentadas ao sol, à espera de nada, na maioria das vezes, ou da morte, que desejam sinceramente. Mais do que belas, as paisagens da Beira Interior são duras e rudes, tal como as palavras que só oiço por lá.

April 17, 2006

Novas tradições de Páscoa

[Arquivado em: Geral]

Costumo passar a Páscoa com a minha família em Braga, cidade que ainda marca o compasso desta época. Gostei, como a cada ano que passo vou  tendo mais gosto, de reunir com a família à volta da mesa (cada dia é passado com a preocupação da próxima refeição: bacalhau no sexta, cabrito no sábado, que pode bisar no domingo), de ser a protagonista pela enésima vez das mesmas histórias de sempre de quando éramos pequenos (com pormenores mais empolgantes que os anos tratam enaltecer), de ouvir novas histórias com as crianças que vão nascendo, da confusão que é preparar a mesa, das minhas tias que se levantam pela madrugada para fazer canja,  preparar camarões, cozer ovos  (embora, como notam os mais velhos, cada ano que passa há mais fruta e menos doces). É muito bom.

Na noite do sábado, já se ouviam foguetes pelas povoações dispersas ao longo daqueles montes e vales, o cheiro de pólvora impregnava a cidade. À vinda para o carro diz um familiar meu:

"Hum! Cheira a Verão… a incêndio!"

Há que adorá-los.

April 13, 2006

Esperteza saloia ou irem-nos ao bolso?

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Não é só o faltarem aos magotes. É, aos magotes, assinarem o ponto e bazarem uma hora depois.

Para que não haja dúvidas, estão aqui as contas.

Uma Páscoa feliz. 

April 11, 2006

patere quam ipse fecisti legem

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Tal como os bifidus, o fumo, quando passivo, não faz bem à saúde. Por seu lado, o fumo activo, ao contrário dos bifidus homónimos, também faz mal à saúde, mas nestes casos é só para quem põe o cigarro (ou o leite azedo) à boca. Vai daí o nosso governo trendy, em vez de abdicar de obter proveitos fiscais com a venda de tabaco (o que só lhe fica bem e que deveria ser extensivo a outras ervas, que não o tabaco) e proibi-lo, resolve proibir o fumo (activo) nas situações em que ele pode provocar fumo (passivo).
Dizem uns estudos quaisquer, sem importância alguma, que alguém que passe 8 horas numa discoteca fuma (passivamente) 15 cigarros. 15 cigarros passivos, portanto. Há mesmo um estudo “inédito” que assegura que o fumo passivo é mais prejudicial que o fumo activo, pois é “sem filtro”. Ah! ah! ah! Todos os estudos estabelecem a oposição entre fumos (activo e passivo), numa referência implicitamente (heteros)sexual, como se os fumadores activos não fossem também sujeitos (passivos) do fumo passivo do seu próprio cigarro. Ao que parece o fumo passivo só ataca não fumadores (activos) ou fumadores passivos. Os fumadores activos estão imunes às consequências (passivas) do fumo (passivo) do seu tabaco (activo). Grandes estudos, grande ciência.
Sabe-se que, no seguimento destas medidas fascisto-sanitárias, e devido aos malefícios do fumo passivo proveniente dos tubos de escape dos veículos motorizados, largamente superiores aos provocados pelos maiores charutos do maior fugitivo ao fisco que por aí circule, está em estudo(s) a restrição ao trânsito nas grandes cidades. Supõe-se que um minuto de tubo de escape (activo) seja o equivalente a 24 horas seguidas numa discoteca (embora sem os inconveniente da barulheira), ou seja, a 60 cigarros (passivos).
Pela mesma razão, e no âmbito das medidas-legislativas-baratas-e-fáceis-de-propagandear-embora-sem-efeito-nenhum vão ser proibidos os fogos de verão.

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