Porque na muita sabedoria há muito enfado; e o que aumenta o conhecimento aumenta a tristeza. –Eclesiastes 1:18
E a dificuldade de levar uma vida sábia?
Quando se é crente, está tudo facilitado. Há uma cartilha do comportamento correcto. Se tudo o mais falhar, há o prémio de consolação: umas asas, uma harpa, uma nuvem privativa e é o céu. A angústia cura-se com uma avé-maria, uma grande angústia com um rosário.
Na falta da religião há a filosofia. Mas os filósofos contradizem-se, não há uma resposta única. A liberdade de pensar é um inconveniente. A dúvida permanente é uma maçada. Volumes e volumes que levantam um maior número de problemas do que resolvem. E ninguém lhes liga nenhuma. "Conhece-te a ti próprio". Mais depressa mandamos um homem à Lua do que descobrimos onde nasce o rio Nilo.
E aqueles livros americanos de auto-ajuda? Uns senhores muito bronzeados nas capas com uns sorrisos pepsodent, de camisa branca com as mangas arregaçadas, prontos a lançarem-nos como projécteis no encalço do sucesso. Depois há soluções de compromisso. O Alain de Botton escreve uns livros de auto-ajuda mascarados de livros de filosofia. Nietzsche e Schopenhauer têm a solução para as dificuldades, o Séneca consola as frustrações e o Montaigne faz-nos sentir menos desenquadrados.
E as soluções radicais. O Rothko achava que quem contemplasse os seus quadros, atingia um grau de extâse religioso induzido pela experiência cromática. A arte como chave da compreensão da vida.
Se a vida é um acumular de experiências, e à falta de um chip à la Matrix, a literatura poderia acelerar o processo (Ler, Ler, viver a vida que outros sonharam como dizia o Unamuno). Uma pequena batota contra o tempo. Mas até que ponto a Ana Karenina tem algo para os ensinar? Não me vinha nada a calhar morrer debaixo de um comboio.
   
Imagina se tivesses lido o Lolita, ou Ricardo III, ou mesmo o Mein kampf …
Comment by Sofia Barbosa — April 4, 2006 @ 10:30 am
Gosto desta passagem da Biblia, não sei se tem alguma coisa a ver com o artigo:
John 3:16
“The Lord is my shepherd, I shall not want; he makes me lie down in green pastures. He leads me beside still waters, he restores my soul. He leads me in paths of righteousness for his name’s sake. Even though I walk through the valley of the shadow of death, I fear no evil; for thou art with me; thy rod and thy staff, they comfort me. Thou preparest a table before me in the presence of my enemies; thou anointest my head with oil, my cup overflows. Surely goodness and mercy shall follow me all the days of my life; and I shall dwell in the house of the Lord for ever.”
Comment by Torpedo — April 4, 2006 @ 3:46 pm
Gostei! Citando Platão acrescentaria que ‘’A coisa mais indispensável a um homem é reconhecer o uso que deve fazer do seu próprio conhecimento ‘’.
Comment by Errante — April 4, 2006 @ 8:01 pm