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May 24, 2006

A Democaracia é maravilhosa

[Arquivado em: Geral, Sociedade]

Cada vez gosto mais dela. Porque é o único regime político em que todos temos os mesmos direitos, as mesmas oportunidades, as mesmas regalias, e os mesmos deveres. É o único regime político em que todos somos livres e respeitamos a liberdade dos outros. Por isso, somos livres de comemorar o aniversário das Forças Armadas com pompa e circunstância a um dia de semana às 9:00 da manhã, fechar uma avenida, interromper o trânsito e o percurso dos transportes públicos, com arrogância, sem avisar e sem arranjar alternativa. Somos livres de surpreender o motorista do autocarro e de o deixar à toa, e de fazer esperar os ocupantes por tempo indeterminado e sem dar uma razão. Também somos livres de esperar indefinidamente dentro do autocarro, ou de caminhar alguns kilómetros até ao transporte mais próximo, chegar atrasados ao emprego e assim contribuir para as estatísticas que dizem termos baixa produtividade.
Somos livres de fazer exactamente aquilo que nos apetecer o que, imagino, deve ser muito bom.

May 23, 2006

Sopranos

[Arquivado em: Geral]

Ontem assisti (com algum divertimento) ao debate do Prós & Contras na RTP1 sobre o novo livro do Prof. Manuel Maria Carrilho (que passou por 7 concursos públicos fiquei a saber durante o debate, não se vá pensar que é um curriculum de somenos).

Para além da plateia infesta de jornalistas, surpreendeu-me o nível de argumentação resvalar para o pessoal. A tal ponto que um lívido Pacheco Pereira avisou, antes de começar a debater, que tinha o maior apreço intelectual pelo Prof. Carrilho, que não era gladiador, que eram ideias que estavam em discussão e não apreciações pessoais. Acho que deve ter ficado assustado a seguir a um episódio entre Emídio Rangel e Ricardo Costa. Quando Emídio Rangel argumenta que é obrigatório que os responsáveis dos programas de informação  avisem os candidatos que tudo no debate vai ser gravado (ainda à cerca do episódio do não-aperto-de-mão), Ricardo Costa contra ataca com episódios passados do próprio Emídio. Ele era a jornalista que estava responsável pelo reportagem pós debate que era amiga de Emídio e validava a seriedade  da peça (ficamos a saber que tinha ido ao seu casamento), ele era um episódio passado com a candidatura de Sampaio, ele era recordação de antigas conversas na Comporta, ele era testemunhas, ele era registos de telemóvel. Em certos momentos, havia a impressão se atingia uma esfera muito pessoal, preenchida de lugares de férias, casamentos e família. Afinal, era isso também que estava em debate. Se calhar não se pode estar sempre na posição neutral, quando o pessoal é o barómetro da coerência. Pena é que ninguém consegue ser totalmente coerente e se reduzirmos o debate a isso ficamos impossibilitados discutir qualquer Ideia. Um pouco de sangue na arena e fiquei pensar que este debate não diferia muito de mais um episódio dos Sopranos que passava à mesma hora no cabo. Mas acho que este acaba com uns copos no Snob (imaginário do pessoal não jornalista).

May 19, 2006

Cinecartaz

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Filme: Código da Vinci. Seita do mal: Opus Dei. Frase catártica: Jesus Cristo é o teu tetra-tetra-tetra-tetravó.

 

Filme: Guerra das Estrelas - parte III. Seita do mal: Sith mais tarde conhecidos por The dark side of the Force (mais eficaz parece-me). Frase catártica: Luke, sou o teu pai (tecnicamente, uns episódios mais à frente, mas enfim… percebe-se o sentido).

May 11, 2006

Mais informada?

[Arquivado em: Geral]

O DN publica hoje os resultados de um Estudo da Escola Nacional de Saúde Pública que dá um ranking das maternidades em Portugal segundo  um índice de mortalidade no parto (entre outros indicadores) concluindo que as que vão fechar apresentam melhor comportamento (acabando com o argumento do ministro da Saúde).

A piada é que o Público contrapõe que são números absolutos (que por “esquecimento” não vem mencionado no artigo em discussão) por isso, em rigor, não se pode afirmar que qualquer uma destas maternidades tenham mortalidade mais baixa.  Não se pode comparar o número do hospital de S.João do Porto com o da maternidade de Elvas (para dar o exemplo do pior, em termos de mortalidade, com  um outro acima da média). Este tipo argumentação lembra-me o filme do Michael Moore, o Bowling for Columbine, que inicia com cartoon com alguma piada a comparar vítimas de armas de fogo nos EUA com outro países. Nos EUA morriam milhares e na Austrália apenas poucas centenas. Espanto! Talvez porque a população dos EUA é de 230 milhões e da Austrália não ultrapasse os 30. Números absolutos perdem significado quando a ordem de grandeza é muito díspar. Não dizem nada.

O argumento é válido, com alguma certeza  em números relativos o ranking favorecia as maternidades que irão fechar, porque realmente os casos mais graves concentram-se nos grandes hospitais.  No entanto, custa muito ver o número de partos por ano realizados em cada hospital e fazer uma simples divisão?

May 10, 2006

Bosra

[Arquivado em: Geral]


Em Bosra, cidade a sul da Síria, junto da fronteira com a Jordânia, no meio das imponentes ruínas negras de basalto nabateu e romano, um professor e o seu grupo de alunos (crianças iguais às que fomos nos anos 70) acerca-se dos dois turistas homens e pergunta-nos de onde vimos. «De Portugal», respondemos na incerteza daquele habitante do centro cultural da humanidade (reconhecido pela Unesco) saber onde fica este nosso país raquítico.

«Portugal? Benfica ou Porto?», inquire o homem, sábio. Na verdade, só um descendente directo das civilizações sérias sabe destrinçar à primeira o essencial do acessório, a pedra que fica das cinzas que dispersam. «Benfica!», respondemos em uníssono, orgulhosos mas com a humildade que nos confere a moral superior dos benfiquistas.

«Ah! Benfica, Rui Costa!».

«Sim, Rui Costa», alegramo-nos com o grande sírio. Quem, gostando de futebol, não reconhece que o Rui Costa, além de ser o melhor jogador português da sua geração, é do Benfica, não entende nada de História.

May 8, 2006

Ugarit

[Arquivado em: Geral, Filosofia]

Em Ugarit, uma localidade da costa mediterrânica do Médio Oriente, actualmente integrada na Síria (um pouco a norte de Latakia, não sei se estão a ver), foram descobertas em 1948 várias tábuas escritas com o mais antigo alfabeto do mundo. Já não se tratava de hieróglifos, mas sim de letras, cada uma das quais forma um som, à semelhança de qualquer outro alfabeto. As tabuinhas com a escrita mais antiga de sempre (datadas de 1400 a 1300 anos antes de Cristo) não apenas contêm textos religiosos e mitológicos, como também contas comerciais, testamentos, textos de músicas (com ritmos e notas musicais) e pequenas histórias. Foi mesmo encontrada uma tábua com todo o alfabeto de 30 letras, ordenado com vista ao seu ensino.

Não faltam também os aforismos, reflexos da sabedoria ancestral da humanidade - perenes porque fundados na natureza humana. Mais clássico que os clássicos, mais fiéis que as revelações divinas (que são sempre um pouco manhosas, como as alegações dos advogados no final das audiências), as frases mais antigas escritas pela humanidade avisam todos os coevos e descendentes sobre as verdades que só a sageza pode manifestar. Diz um que «uma vida sem luz não merece mais que a morte».

Diz outro, ainda mais trágico: «Não contes à tua mulher onde escondes o teu dinheiro».

May 7, 2006

Notícias sem explicação…

[Arquivado em: Geral]

Acontece-me com frequência ler um artigo inteirinho num jornal e ficar sem resposta para as questões essenciais abordadas no texto. É que há uma mania no jornalismo português de escrever milhares de caracteres sobre um tema sem nunca o chegar a explicar, a dizer objectivamente o que é que está em causa. Isto porque quem escreve (e depois quem edita e quem manda publicar…) parte do princípio de que todos os seus leitores são gente bem informada, que lê o seu jornal todos os dias, que segue as histórias que andam pelas suas páginas há vários dias… E, por isso, poupa logo uma data de linhas em explicações e contextualizações. Obviamente que isto acontece mais nos jornais vulgarmente apelidados de "referência", o que é compreensível, porque são, geralmente, publicações elitistas, feitas por pessoas que se consideram "superiores" de alguma forma à média e que têm a certezinha absoluta de que estão a conversar com outros da mesma estirpe. A média, obviamente, não lê. Ou lê outras coisitas de menor calibre…. Aconteceu-me hoje com o Público: duas páginas dedicadas às manifestações de imigrantes nos Estados Unidos contra um pacote laboral de que discordam por, aparentemente, tornar a vida ainda mais complicada aos ilegais. Sim, aparentemente, porque a jornalista não se deu ao trabalho de explicar que leis eram essas e contra quê exactamente se manifestaram milhões de pessoas. Aliás, é preciso chegar à segunda página de texto para saber que houve manifestações de imigrantes nos Estados Unidos e que é por isso que a primeira página foi ocupada com a história de uma imigrante portuguesa ilegal nos Estados Unidos (que, por sua vez, não era excepcional, servia só para ilustrar o caso de muitos outros, mas isso também não fica claro e por se tratar só disso também não valia a pena gastar uma página inteira com uma história vulgar, mesmo que seja excepcional do ponto de vista humano e pessoal… Ufa!) Mas continuando, porque isto ainda não acabou. A seguir há mais uma história pessoal, de um imigrante da América Latina. E números e explicações, nada! Finalmente, uma entrevista com um estudioso/perito na matéria. O senhor opina sobre as leis em causa, compara-as com outras… E o leitor, coitado, ainda sem conhecer o conteúdo das leis. Pelo menos, sempre é ele que nos diz quanta gente andou na rua, o que é que isso significa no universo de imigrantes nos EUA e quantos entram ou tentam entrar no país anualmente. Tudo coisas que a jornalista devia ter dito, até muito antes. Manias destas pagam-se caro: continuam a escrever para dois ou três iluminados e depois queixam-se… Ou será que aquilo de que as elites neste país gostam mesmo, lá no íntimo, de forma quase inconsciente, é de manter o povo ignorante e perpetuar esse sentimento diferenciador de ser e pertencer a uma elite? É que tudo aquilo de que acabo de me queixar faz parte das regras mais elementares no jornalismo. Não acredito que os jornalistas, editores e directores do Público as desconheçam (embora, por acaso, às vezes tenha as minhas desconfianças…)

P.S. O que acontece com o Público acontece com outros. É, por exemplo, vulgar que se fale em José Sócrates sem nunca explicar no texto que ele é o primeiro-ministro. É mais uma violação das regras básicas do bom jornalismo. Nem toda a gente sabe quem é José Sócrates, principalmente os que muitas vezes procuram nos jornais informação que os ajude a integrar-se no país, como os estrangeiros.

May 3, 2006

Choque Tecnológico

[Arquivado em: Geral, Publicidade]

É sinónimo de TV Cabo e Netcabo.
Não é que seja assim tão tecnológico, mas é definitivamente um grande choque.
E frontal, ainda por cima.