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June 30, 2006

Se há pessoa que é o presidente da junta, sou eu!

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O povo elege livremente um homem, que depois de empoleirado no poder, pode fazer exactamente aquilo que lhe apetecer, inclusive e legalmente, proibir outrem de se expressar publicamente.
O empoleirado ameaça o perigoso outrem, de não lhe pagar os subsídios previstos, caso este ouse criticá-lo publicamente.
E, se for preciso, da próxima, o povo empoleira-o novamente e vai festejar alegremente para a Avenida dos Aliados, ou quem sabe, em frente à Casa Branca.
É esta maravilhosa simbiose tão presente na Democracia, que me comove quase até às lágrimas.

Se há pessoa que

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Ontem, na Casa Fernando Pessoa, Eduardo Prado Coelho, Vasco Santos (editor da Fenda), Maria Antónia Oliveira (biógrafa de Alexandre O’Neill) Fernanda Câncio e Pedro Mexia falaram sobre blogues e livros, cúmplices ou rivais tentaram descortinar.

Por um lado, os blogueiros de serviço argumentaram que não há substituição de blogues por livros, quanto muito algum contágio cultural (pela minha parte já li alguns livros que blogues que gostava mencionaram). Concordo também que os blogues são espaços de identificação geracional, com a habitual troca de galhardetes e insultos , onde alguém se faz mais interessante do que na realidade é (ninguém escreve que passou uma noite a papar alguma das  novelas da TVI … ). 

Pelo outro lado, e posso mesmo falar de outra geração, EPC e um senhor da audiência cujo nome me escapa contrapunham com o imediatismo da escrita no blogue: rápida, à flor do acontecimento (até refém do acontecimento), pouco profunda, sem pensar além de toda uma questão de gestão dos silêncios e de não-comunicação que ficou por concretizar (que não há nos blogues afirmou categoricamente EPC, mas na escrita das suas crónicas sim?). A escrita dos blogues, menor subentendia-se, tirava espaço à escrita mais nobre e de alguma forma obscura era acontecimento paralelo (senão causa efeito) de fenómenos como miúdos da licenciatura de português copiarem trabalhos de artigos encontrados no google, logo de serem preguiçosos, não pensarem, imediatos. Como os blogues, estão a ver esse grande Satã?

Se as características da Internet são exactamente imediatização da informação, personalização, efeito rede, quantificação do meio, engraçado que essas mesmas características acabem por se reflectir no tipo de escrita que encontramos nos blogues. Tem a ver com o meio. No entanto, mesmo tendo em conta isto (o que não impede que alguns blogues escapem ao determinismo do seu meio) não se pode falar de canibalização (jornais ou livros para blogues). Não deixei de ler livros, até li outros por sugestão como já referi, nem muitos desses miúdos dos exemplos do português da nossa desgraça lêem blogues ou são impulsionados para o copianço. Porque mais uma vez é uma questão geracional. Eu já estou perto dos 30, tenho licenciatura a caminho do mestrado, não sou do meio literário mas já li alguma coisa, identifico-me com grupos de música, situações, opiniões que encontro em grande parte da blogosfera, que pertence à minha geração. E mesmo na minha geração nem todos lêem blogues, logo há que acrescer que isto é para uma pequena (mas interessante!) minoria. 

Tão forte é a questão geracional que o blogue mais mencionado pela facção "não apocalíptica mas preocupada" era o do Pacheco Pereira (curiosamente o blogue favorito do meu pai), que não apresentava alguns dos pecadilhos mencionados. Até era bem sacado. Era pensado!

O debate acabou com uma expressão linda por parte de EPC: "Se há pessoa que...". Se há pessoa que lê sempre sobre os últimos gadgets nos jornais sou eu, ou qualquer coisa do género, como se o facto de saber o que é um i-pod atribui certificado de compreensão de fenómenos on-line.

June 28, 2006

acto causa mortis

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O novo referendo sobre a despenalização do aborto deverá realizar-se em Janeiro de 2007, noticia esta quarta-feira o jornal Público, assinalando que o PS mantém a intenção de reabrir o processo comprometendo-se a apresentar em Setembro a resolução para convocar a consulta popular. (Não sei se isto tem a ver com a escassez de maternidades no país).

Em todo o caso, acho que é tarde demais. Dever-se-ia fazer novo referendo ainda este ano, no último feriado de Dezembro.

June 22, 2006

Fußall macht frei

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Berlim, no início do Mundial, estava assim.

June 21, 2006

Custou mas já passou

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Agarrei-me ao sofá, serrei os dentes e assisti a uma boa parte da conversa “O Estado da Arte” com o Paulo Portas, transmitida pela SIC. Resisti aos arrepios, náuseas e constrangimento que o personagem sempre me impõe, e deixei-me levar pela aventura.
Quando Paulo, no meio dos seus tantos “oiça!” e revirares de olhos, nos dá conta que decorre em Lisboa o Festival Village, garanto-vos, foi um belo momento televisivo. Conclui-se que as novas tecnologias como o cinema digital têm uma vantagem: são mais baratas. Assim, gasta-se menos dinheiro em película e sobra mais dinheiro para pagar aos actores, aos argumentistas, aos realizadores. Custos, custos, custos. Isto sim, é uma boa análise a um evento cultural.
Depois, quando chegou o momento de debitar (e não mais que debitar) nomes, filmes, realizadores, era vê-lo às aranhas, pelo canto do olho a consultar os apontamentos, a atrapalhação foi visível, o engasganço indisfarçável.
Adorei a experiência, mas uma vez chega. Terças-feiras de quinze em quinze dias, às 22:00h, o melhor é continuar a ignorar que existe um canal chamado SIC.

 

June 19, 2006

O tempo em televisão é um continuum perfeito

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Depois de um dia particularmente extenuante em frente ao computador às voltas com um conhecido programa informático de classificação geográfica aterrei no sofá (a aproximação à pista costuma ser deixar-se cair). Liguei a televisão e vi um desses inúmeros episódios do CSI em alguma cidade norte americana. Toda a gente é esperta, rápida e mortal. Manejam provas quando já se sabia que o assassino sempre seria o gajo menos provável. E manuseiam programas de de mapeamento como quem dá um arroto. Leves e seguros. Clica aqui, clica ali e sai  mapinha perfeitinho. A realidade é que este tipo de software é teimoso e que não obedece com essa prontidão. Tinha passado a tarde a obrigar o meu mapa a fazer aquilo que, obviamente, não queria fazer, por mais exaustiva sucessão de tentativa e erro. Num momento particular de desespero peguei no ecrã com as duas mãos, como quem abana a cabeça de um namorado relutante, e gritei-lhe “não me faças isto!”. Ora isto não passa no CSI. Que fraude.

Wellcome to Europe Mr. Bush.

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Europeus consideram EUA como a maior ameaça à paz no mundo. 

 

 

June 14, 2006

Quase todos.

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A Sport TV é Dona dos direitos de transmissão do Mundial e pela primeira vez, os portugueses não podem viver o Mundial.
A passos desenfreados, as sociedades caminham para o quem-pode-pode-e-quem-não-pode-pudesse, e o limite parece ser, na melhor das hipóteses, quando o feitiço se virar contra o feiticeiro.
E, na falta de um representante do povo (afinal vivemos ou não numa democracia?) com poder para dizer “A festa do Mundial é um direito de todos e que ninguém pense que esta palhaçada se vai concretizar”, a lembrança para o futuro do Mundial 2006, será “Estivemos quase todos convocados.“

P. S.: Já agora, alguém me responda: quando Portugal for eliminado, vamos todos poder assistir aos quartos de final e por aí adiante, ou ficamo-nos mesmo por aí?

June 10, 2006

Tentativa de Dj

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Tive oportunidade numa recente festa de uma amiga (obrigado Margarida, a festa estava bonita pá!) de passar música escolhida por mim.

Os preparativos deste importante pedido não foram muito extensos. Limitei-me a acumular músicas que gostava no i-pod que tivessem factor "dançável" alto. Tentei conciliar música recente com hits velhinhos, uma combinação que costuma ter  sucesso, basta lembrar algumas noites no Incógnito.  Ficas contente por reconhecer alguns temas e de ouvido aberto para outros novos. Admito que comecei a ter visões de braços no ar, pessoas a perguntarem "o que é isto?", gritos excitados entre a assistência,enfim…patetices da imaginação. O que acabou por se passar foi que os únicos que dançaram foram as crianças que mal sabiam falar quanto mais identificar o Art Brut, pequenos meneios de cabeça quando se passou Cure e uma má sonorização de imensas faixas, que subiam ou baixavam de intensidade conforme a qualidade de gravação. O que me leva a concluir que a culpa é do i-pod, simpático bicho azul que abafou o sopro da minha genialidade. Acreditem, melhor levar Cds. E talvez não passar Josh Rouse, ter cuidado onde se mete o Sex Pistols, mudar para cima LDC Soundsystem e, simplesmente, continuar a tentar.

 

June 8, 2006

amittere non potest quis, quod suum non fuit

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Começa amanhã o Campeonato Mundial de Futebol. Portugal inteiro está animadíssimo com o evento, na esperança que jogadores como Ricardo, Caneira, Fernando Meira, Nuno Valente, Hugo Viana, Figo ou Boa Morte façam o seu melhor (coitados, o melhor que são capazes, claro). Apesar do inegável empenho patriótico de todos os jogadores (veja-se o caso de Deco, um dos melhores jogadores do mundo, que escolheu representar a selecção portuguesa, quando podia estar na 1ª divisão do futebol mundial), do apoio infantil das donas de casa e da natural alegria das crianças e dos emigrantes, a equipa não se livrou das palavras pedagógicas do nosso irritante primeiro-ministro: «Acredito que podemos ser campeões do Mundo. Vim dar uma palavra de confiança e dizer que [a selecção nacional] tem o apoio e a simpatia de todos os portugueses. O país está muito envolvido e a selecção sabe disso. Desejo-lhes boa sorte porque é a única coisa de que necessitam».

Por mim, não querendo ser do contra (mas sou, há coisas que não consigo evitar), venho votar de vencido: a selecção nacional de futebol não tem o meu apoio e muito menos a minha simpatia. Não consigo simpatizar com o Ricardo (um pateta que se julgou herói por ter defendido um penalti, que "escreveu" a sua biografia aos 25 anos e que continua a não saber sair dos postes nos cruzamentos), o Figo (o pesetero que, no Euro 2000, protestou contra a industrialização do futebol!, e que - sim senhor - foi um bom executante de centros para a área, e que - como homem sem palavra que é - saiu da selecção para voltar logo a seguir), o Cristiano Ronaldo (alguém lhe diga que ele é uma criança e que, futebolisticamente, até o Ricardo Quaresma já é melhor que ele), o Scolari (o arrogante com mais sorte do mundo e que acha que o Bruno Vale é melhor que o Baía e que o melhor defesa-esquerdo português é o Nuno Valente). E o Gilberto Madaíl. E o Sócrates. E o Cavaco. E o unanimismo. E o patriotismo da bandeirola. E a Nossa Senhora do Ticiano ou do Botticelli ou lá de quem é. E do Portugal dos Pequeninos.

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