Neste caso, o que está de fora não é o mesmo que o que está de dentro.
Depois de assistir às resposta-contra-resposta entre a Carla Bomba Inteligente e o HMBF Insónia sobre a resposta-contra-resposta entre Líbano e Israel, não resisto a pegar numa pontinha, e lançar um novo tema.
Diz a Carla que “Tenho de repensar esta história da defesa da liberdade de expressão…” a propósito de uns comentários anti-semitas que soaram num qualquer programa televisivo.
A Carla, não é a única que sente reservas relativamente à liberdade de expressão quando, note-se bem, esta a atinge. É que isto da liberdade de expressão tem muito que se lhe diga: obedece a regras que ninguém sabe muito bem quais são, uma vez que elas variam consoante aquele que exerce a liberdade de expressão e aquele que se sente ofendido. E, aquele que um dia condena o excesso de liberdade no que toca à expressão, pode ser o mesmo que no dia seguinte a defende cegamente caso o tema o não afecte ou com ele esteja de acordo. Todos somos absolutamente a favor da liberdade de expressão desde que as pessoas que se expressam pensem como nós, ou pelo menos não se excedam, dentro de determinados padrões de excesso: os nossos.
Sob este ponto de vista, e usando da minha própria liberdade de expressão (ainda por cima concordo em absoluto com o que vou dizer a seguir), gostaria apenas de refutar uma outra afirmação da Carla, desta feita sobre a guerra. Diz ela, no mesmo post que “A actos de guerra responde-se com actos de guerra. Por isso o conceito de desproporcionalidade é mera poeira hipócrita que anda por aí a circular.(…) A guerra é uma coisa horrível, em si desproporcionada, em que morrem civis.”
Certamente, a Carla fica horrorizada porque nos atentados terrosistas morrem civis. Eu também. E acrescento que, a mim, me horroriza da mesmíssima forma a morte de todos os civis vítimas de qualquer conflito. É uma questão de princípio.
É que a única diferença entre uma guerra oficial e uma guerra oficiosa, é a de que cada um luta com as armas que tem… porque civis, são sempre civis e não há mortes civis mais justificáveis que outras.
Opiniões.
E assim, as guerras e os sofrimentos vão acontecendo, lá bem longe, e todos nós, bem de longe, expressamos opiniões. Mas não passam disso mesmo, porque somente quando os que estão de fora souberem colocar-se no lugar dos que estão de dentro, deixarão de haver hesitações quanto ao uso da Liberdade de Expressão.
   


