ex facto oritur jus
Não há mal que não acabe e, assim, com um alívio profundo, acabou o torneio de futebol que transformou o país num carnaval histérico. Toda a gente ficou feliz com o regresso dos heróis portugueses e com a sua partida para férias, de onde partirão novamente para os lugares civilizados onde jogam à bola.
Agora (quase) toda a gente continua feliz, mas por uma triste e invejosa razão: a França não ganhou a Taça. Isto porque a França teve o desplante de, jogando a passo, ser superior aos nossos “heróis” e ganhar à selecção de todos vós sempre na maior das calmas - coisa que a Itália não fez, mas apenas por falta de oportunidade. E ganhar aos nossos heróis não é coisa que se admita. Como é possível não reconhecer a humilde excelência da selecção portuguesa e… vencer-lhe um jogo?
Como se sabe, a histeria é uma neurose complexa, caracterizada pela instabilidade emocional (conversão, dissociação), com repercussões físicas (somáticas) nos seus portadores, que se manifestam em sintomas vários, como a cegueira, a surdez, a paralisia, etc. É possível, assim, perante os mesmos factos, não ver o que lá está e ser-se dominado pela romântica subjectividade emocional que tolhe o entendimento. O histérico, por ser muito sugestionável, idealiza sintomas de acordo com aquilo que representa de verdadeiro. Significa isto que a doença é simultaneamente involuntária e intencional.
Dos factos, conclui-se que a maravilhosa selecção nacional cumpriu os serviços mínimos na fase de grupos: ganhou às emergentes potências do futebol mundial (Angola e Irão) e a um colosso da América Latina (o México). Seguiu em frente, nos caminhos da glória anunciada.
E mesmo se nenhum facto é tão puro que seja definitivo, como escreve Gonçalo M. Tavares, parece haver alguns dados mais ou menos objectivos, que um não-histérico pode comprovar. E, dos quatro jogos que “Portugal” fez depois da fase de grupos, apenas ganhou um, pela diferença mínima (à Holanda), empatou outro (Inglaterra) e perdeu os últimos dois (França e Alemanha).
Uma vitória, um empate e duas derrotas. Somos ou não somos campeões?
   
Não batam mais no povinho. Não há mais nada que os distraia… Deixem lá a malta ir ao Jamor ver o gaijos, pá! Deixem lá as putas das bandeirinhas nas janelas e nos carros, as camisolas aldrabadas com a esfera armilar e as perucas tricolores.
É um fenómeno tranversal na Europa… todos os eliminados acham que mereciam a final…
Agora o que eu não admito é o Hino cantado pelo Roberto Leal!
Comment by pedro a. — July 10, 2006 @ 11:27 am