Ligações      Arquivos      Contactos

August 31, 2006

Por acaso, até nem quis.

[Arquivado em: Geral]


 

August 28, 2006

Filosofia segundo Pepe Carvalho

[Arquivado em: Filosofia, Livros]

«-Porqué quemas [los libros]?

- No he nacido para crítico literario. Digamos que los quemo porque me gustó en su tiempo y porque a medida que me hago viejo me da medo sentir algún día la tentación de volver a leerlo.

Fuster selecciona un parráfaro de La Ultima Cinta [Becket] y lee con grandiloquencia cómica:

- Quizá mis mejores años han pasado. Cuando tenía alguma probabilidad de ser feliz. Pero ya no deseo más probabilidades. Y menos ahora que tengo ese fuego en mí. No, no deseo más probabilidades

 Los pájaros de Bangkok, Manuel Vásquez Moltabán

A Filosofia do Pepe Carvalho passa por citar clássicos mas queimar livros porque se quer desprender deles, percorrer as ruas de Barcelona, principalmente as Ramblas, lembrar-se de bons restaurantes à medida que as percorre, alongar-se em descrições do que será uma boa ensaimada ou qualquer outro tipo de enchido e ter páginas e páginas a descrever receitas dos petiscos que faz enquanto resolve casos exóticos ( com uma dose saudável de  mulheres fatais que inevitavelmente o acham mono, o mono que não é um macaco ou gordo - e isto apesar de metada da acção ser passada a comer -  que acabam na cama dele). Esse desdém pela cultura também já o atinjo. Todos os Cds minimantente significativos en su tiempo, estão riscados ou nas caixas erradas. Só me falta cozinhar com aprumo de gourmet, arranjar uma Charo ( a prostituta apaixonada) para as horas de solidão,  ser ex-agente da CIA, um sacana que no fundo é tender loving hooligan. Gosto destes policiais do Moltabán. Quando os começo tudo o resto fica para trás, vejo-me a levar o livro para ler na hora do almoço. São tão bons assim.

 

 

Ela há coisas fantásticas II

[Arquivado em: Borlas]

Já não sei pôr o player a funcionar, mas tenho o link com um pequeno extracto da faixa Italy. É só salvar e ouvir.

AKron/Family "Italy"

Ele há coisas fantásticas

[Arquivado em: Corneta]

… e nao estou a falar dos anúncios da Netcabo.

Gosto de ouvir musica. Música no carro, música para trabalhar (vá lá que já se acha politicamente correcto usar o i-pod no trabalho, cria uma certa bolha de isolamento que permite concentrar … e efectivamente trabalhar).

Toda esta actividade frenética de ouvinte requer a sua alimentação. Na deambulação pelos bastardos e filhos bastardos por vezes vou perdendo o entusiasmo para ouvir mais. Mais do mesmo, nem carne nem peixe, grande seca (ou a insuportável faixa da mediania). Mas atenção, porque há, sempre houve, coisas fantásticas que nos passam ao lado e que mais tarde pelos misteriosos caminhos do Senhor vêm ao nosso encontro. Artistas que só vimos a conhecer passado 30 anos da sua morte (como o Nick Drake), o Hard Core dos Pulp (que só ouvi este ano), a discografia completa dos Smiths (e isso será todo um outro post aparte, a minha conversão ao Saint Morrisey. Custou muito, mas foi).

Na secção "Ele há coisas fantásticas"  descobri uma banda nova lançada pelo Michael Gira e a Young God Records: «Akron/Family are four extremely nice, sincere and well-mannered young men from rural America who came to NYC (in 2002) to make music, hoping to find a thread of real magic still winding through this city’s music scene».

Pela prata da casa, neste caso do Devendra Banhart, os Akron/Family foram prontamente catalogados nessa categoria catita a que se chama "freak folk". Vou mais pelo mypspace  da banda - Psychedelic / Bluegrass / Comedy - pricipalmente porque é um lugar onde a a música tradicional americana está bem presente,  quer seja pela sobreposição de vozes, quer pelos instrumentos (guitarras acústicas, violinos, banjos, piano,  o que não os impede de inserir elementos estranhos a este mundo), quer pelos temas sentimentais a roçar gospel ou blues. A grande novidade desta banda é o destaque dado à experimentação (daí o psicadelismo e mesmo a comédia). À semelhança do que se faz nos Arcade Fire,  os elementos da banda são multi instrumentistas e vocalistas, e volta meia lá vem um pequenos caos como sucede em "Part of Corey", "Sorrow Boy", no final do "Running, Returning", "Before and Again" com uns toques electrónicos minimalistas à la Radiohead, bits and pieces que os tornam diferentes. Talvez o ponto de referência mais próximo que encontro são os Animal Collective, mas com linhas melódicas mais simples e bonitas se possível. O que ouvi até agora foi o álbum homónimo da banda (Akron/Family de 2005), que fez despertar essa expressão do Arquimedes, Eureka, ela há coisas fantásticas.

August 25, 2006

ad litteris et verbis

[Arquivado em: Geral, IC 19]

O mail deles:
Assunto: Alteração da Opção de Pagamento de Cartão de Crédito
Exmo(a). Sr(a). PEDRO Fxxxx Pxxxxx Pxxxxx,
Conforme solicitado, informamos que foi efectuada a alteração da percentagem de pagamento do saldo do seu cartão Universo, de 100% para 50%. 
Esta alteração terá efeito a partir do próximo extracto.
Com os melhores cumprimentos,
BPI.
www.bancobpi.pt
Os e-mails enviados pelo BPI têm sempre um carácter informativo, pelo que em nenhuma situação será solicitado qualquer acesso ao Serviço BPI Net, validação de Chaves de Acesso Nome de Acesso e Código Secreto ou Dados Pessoais.
_________________________________________________   
A minha resposta:
Exmo. Senhor BPI
É pela terceira ou quarta vez que me envia um mail dirigido a um senhor(a) chamado(a) PEDRO Fxxxx Pxxxxx Pxxxxx: ou para anunciar produtos vossos ou para lhe desejar um bom aniversário.
Uma vez que eu não conheço o sujeito em questão - mas, a julgar pelo nome, suspeito que seja um homem, pelo que considero a vossa hesitação em relação ao género do vosso cliente um pouco ofensiva -, não posso, com muita pena minha, reencaminhar-lhe o mail. 
Sugiro, então, que, de uma vez por todas, actualizem os dados desse vosso cliente, corrigindo o seu endereço electrónico. É que, como já vos comuniquei por três vezes, este (cc@sapo.pt) é meu e eu não tenho interesse algum em ter informações (porventura sujeitas ao sigilo bancário de que tanto gostam) sobre terceiros.
Cumprimentos e um bom proveito dos vossos lucros obscenos.
Carlos Cunha

August 23, 2006

conscientia fraudis

[Arquivado em: Geral, IC 19, Sociedade]

Era uma vez um humilde génio que queria ter acesso à Internet em sua casa. Depois de comprar uma casa tão modesta e bela quanto ele, e após  o calvário das pequenas obras no interior da casa (e dele próprio, mas para o caso não interessa), chegou à graça de uma habitação condigna, sem com isso ofender ninguém. Em duas das duas divisões previu a imprescindível ligação para as tomadas de telefone.
Para efeitos de activação do Serviço Clix ADSL, que oscila entre a “oferta” de 16 ou 20 megas, consoante a  publicidade seja mais ou menos séria, eu o génio belo e humilde recebeu em 8 de Junho de 2006 um e-mail da Clix, informando-meo que «no dia 2006/07/04 de manhã será efectuada a instalação da sua linha telefónica», pelo que solicitavam o acesso à sua residência, «assegurando a sua presença». Já no dia anterior (no dia 7 de Junho), este filho de Deus havia recebido um telefonema, uma carta e um sms a dizer o mesmo, todos remetidos pela Clix.
Foi o que fez, então. Tirou à Nação meio dia de férias e esteve em casa toda a manhã. Em vão, contudo. Não só ninguém apareceu, como ninguém (da PT ou da Clix) se dignou informá-lo que a tripla comunicação anterior tinha o mesmo efeito de uma promessa eleitoral do Engº Sócrates. Ou seja, afinal não era bem assim.
Reclamou para o número de apoio ao cliente (808102030), onde lhe disseram que talvez a instalação tivesse sido feita sem necessidade de ele se encontrar em casa – ao contrário do que lhe tinham dito por carta, sms e por e-mail. Que esperasse 5 dias úteis por um contacto dos "colaboradores" da Clix (nos nosso tempo, da Novilíngua, já ninguém é trabalhador, somos todos colaboradores; também ninguém é despedido – há é recursos dispensados; e o povo, perdão, a sociedade civil, pouco conta), para terminar a intervenção. Foi o que fez, então. Em vão, contudo. Ninguém apareceu.
Entretanto, recebeu um telefonema de um funcionário (ou “colaborador”, não sei bem) da PT a perguntar por que razão não estava em casa: sem aviso prévio, encontravam-se à sua porta para instalar a linha telefónica.  Ah! ah! Afinal era preciso lá estar… Mas como ninguém avisou o cidadão do novo dia em que lá se deslocavam (nem a PT nem a Clix) e o belo génio, apesar da sua superior inteligência (e sensibilidade e humildade e beleza) não tem premonições desde os onze anos, foi trabalhar para o emprego e não estava em casa. Erro. Deveria ter tirado uma licença sem vencimento e nunca se ausentar de casa, para não o apanharem desprevenido.
Reclamei Reclamou novamente para o mesmo nº de apoio ao cliente. Disseram que, afinal, a PT não tinha ido a sua casa na data combinada e triplamente anunciada pela Clix (coisa que o belo génio já tinha descoberto) e que iriam noutro dia e que , com toda a certeza, o avisariam da nova data ainda nessa semana. Que aguardasse. Foi o que fez, então. Em vão, contudo. Ninguém o contactou.
Reclamou então, mais uma vez para o mesmo nº 808102030. Pediram desculpa. Iam marcar com a PT novo dia e diziam-melhe qualquer coisa nos próximos dias. Que aguardasse novamente. Foi o que fez. Em vão, contudo. Ninguém o contactou.
Contactou este vosso amigo uns dias depois, para o tal nº de apoio ao cliente. Parece que já tinham pedido à PT para vir a sua casa proceder à prometida instalação da linha telefónica. O pedido fora remetido à PT em 17/Julho/2006 (progresso: era a primeira vez, desde a mentirosa informação em triplicado, que havia uma informação concreta).
Passou mais de um mês e não sabemos ainda se e quando alguém irá instalar a linha telefónica na habitação desta vítima do capitalismo. Ninguém lhe diz nada. Nem a PT nem a Clix. Nem o Sócrates, que, afinal, aumentou o IVA. Provavelmente este processo de activação do Serviço Clix ADSL tem sofrido muitas evoluções, mas a política da empresa é manter os clientes ignorantes sobre os meandros do seu não funcionamento.

Se a Clix fosse um serviço público, prestava-se bem à cassete do mau funcionamento da Administração Pública, à gritante ineficiência dos serviços do Estado (face às maravilhas dos privados), à mais que provada incompetência de todos os funcionários públicos (o que não acontece nos privados), às cunhas (que os privados não têm), aos compadrios (que os privados não têm) ou às listas de espera (que os privados não têm), às preguiças do funcionário (o que não acontece no privado) que, em vez de fingir que é um super-homem, dá atenção ao que lhe diz o colega que faz uma pausa, porque tem o dele certo ao fim do mês, à falta de respeito para com quem paga impostos (o que não acontece nos privados), em suma, à inépcia do sistema público, para onde só quem arranja emprego são os indolentes ou os mal educados.
Mas a Clix é uma empresa privada, pertencente ao maior (e moderno e eficiente e eficaz e sei lá que mais) grupo empresarial privado português, onde tudo é repleto da qualidade e «profissionalismo, transparência, credibilidade,  eficiência, confiança, liderança, humanidade», que os privados sempre oferecem, no melhor dos mundos que só o mercado totalmente livre das obtusas regras do Estado pode garantir, neste paraíso de virtudes que são todos os serviços privados.

August 11, 2006

vana est sine viribus ira

[Arquivado em: Geral, Sociedade]

Um grupo de cidadãos britânicos planeou uma série de atentados concertados em dez aviões americanos que pretendiam fazer explodir ontem em pleno vôo, entre o Reino Unido e os Estados Unidos. Na expressão da Scotland Yard, se os terroristas britânicos tivessem êxito, teria sido um «assassínio em massa a uma escala inigualável».

Há uns anos, na sequência do 11 de Setembro, e para vingar os atentados ao World Trace Center e ao Pentágono (embora aqui ainda se levantem razoáveis dúvidas), organizados por uma associação terrorista cujos líderes e financiamento provêem da Arábia Saudita, George Bush, arguto líder do Ocidente e ao Mundo Livre em geral, atacou o… Afeganistão.

(O Iraque foi invadido por outras razões: por causa da existência de armas de destruição massiva no seu território e para levar a paz e a democracia ao país e à região - objectivo conseguido, de resto: não só o Iraque não tem armas de destruição massiva, como já houve mais eleições e, tecnicamente, ao que parece, ainda não estão em guerra civil)

Tendo em conta o sucedido ontem e a lógica de reacção «daquele indivíduo que habita do outro lado do Atlântico», como lhe chama a MJL, que país deverá agora ser atacado?

Espero que seja a Espanha.

Com os olhos que a terra há-de comer

[Arquivado em: Geral, Sociedade]

 

Sou da firme opinião que a luta contra o terrorismo está longe de se fazer com a “estratégia” engendrada pelos líderes europeus e aquele indivíduo que habita do outro lado do Atlântico. A meu ver, a ideia de andar numa busca incessante por terroristas no meio de milhões de indivíduos que apenas andam na sua vidinha, é uma realidade pouco verdadeira. Pode ser que de vez em quando se tropece num ou noutro, mas a isto não se pode chamar propriamente uma estratégia.
Mas, para me fazer calar, já não é a primeira vez que os serviços secretos do Tony e do George (olha quem…), desmantelam um enorme atentado terrorista.
Não é meu costume, de maneira nenhuma, ter a mania das conspirações, mas…
Não será verdade que de vez em quando, convém demonstrar que a “estratégia” está a funcionar? Que volta e meia convém prender uma dúzia de radicais? E que, vêm mesmo a calhar mais um ou dois motivozitos para que Israel possa continuar em paz, a sua guerra? Ainda por cima, hoje é dia 11.

Seria? Não seria?
No pacote Democracia/Liberdade, vem o direito à informação, mas será que, tal como noutro sistema qualquer, estarão a deixar-nos ver uma determinada realidade ou a verdade?

 

August 9, 2006

ABC - calígula moderno

[Arquivado em: Mitologia]

Dizem que Calígula, o tirano imperador romano, tinha as suas leis escritas em letra tão miudinha e  publicadas num local tão alto que ninguém as poderia ler. No nosso caso, das poucas cadeiras de Direito que tive, retive o nome desses três desgraçados a quem tudo acontecia: o António, o Bento e o Carlos. Uma espécie de trindade da desgraça, referências omnipresentes em  exames de civil, fiscal ou comercial. Parece-me também que  era  a letra miudinha que se encontrava em rodapé dos códigos que os safava e que eram condição para impressionar o raciocínio muito matemático dos professores de direito. Lembro-me claramente da minha primeira aula, um professor enterrado na cadeira,  voltado  para a janela a divagar para o ar. Debitava um chargão que qualquer miúdo saído do liceu considerava chinês. Umas colegas aconselharam-me depois a levar gravador para as aulas (nas outras, piada, não era preciso). Talvez repetindo aquilo muitas vezes e devagar se reconstituísse o português. Hoje a letra miudinha persegue-nos de outras formas: naquelas alíneas em que dizem que vendemos a nossa vida produtiva para pagar empréstimos bancários ou nos bilhetes que se tornam obsoletos quando a Varig deixa de pagar à Tap.