ABC - calígula moderno
Dizem que Calígula, o tirano imperador romano, tinha as suas leis escritas em letra tão miudinha e publicadas num local tão alto que ninguém as poderia ler. No nosso caso, das poucas cadeiras de Direito que tive, retive o nome desses três desgraçados a quem tudo acontecia: o António, o Bento e o Carlos. Uma espécie de trindade da desgraça, referências omnipresentes em exames de civil, fiscal ou comercial. Parece-me também que era a letra miudinha que se encontrava em rodapé dos códigos que os safava e que eram condição para impressionar o raciocínio muito matemático dos professores de direito. Lembro-me claramente da minha primeira aula, um professor enterrado na cadeira, voltado para a janela a divagar para o ar. Debitava um chargão que qualquer miúdo saído do liceu considerava chinês. Umas colegas aconselharam-me depois a levar gravador para as aulas (nas outras, piada, não era preciso). Talvez repetindo aquilo muitas vezes e devagar se reconstituísse o português. Hoje a letra miudinha persegue-nos de outras formas: naquelas alíneas em que dizem que vendemos a nossa vida produtiva para pagar empréstimos bancários ou nos bilhetes que se tornam obsoletos quando a Varig deixa de pagar à Tap.
   
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(Atenção: O conteúdo indicado é impróprio para menores de idade)
Berluslígula, a performance de um Cornuscone
Sinopse
Superprodução com grande elenco de michês a serviço do governo italiano, financiada pela Agência Viva Camorra Filmes, empresa estatal d’Italia produtora e distribuidora de pornopelículas. Berluslígula, imperador da Bell’Italia, membro rijo da disnatia Calingualá, promove bacanal em mansão na Sardenha. Em meio à orgia, o telefone toca, Berlus atende:
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Tenham um excelente final de semana.
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Comment by Assaz Atroz — June 6, 2009 @ 4:46 pm