Ligações      Arquivos      Contactos

August 28, 2006

Filosofia segundo Pepe Carvalho

[Arquivado em: Filosofia, Livros]

«-Porqué quemas [los libros]?

- No he nacido para crítico literario. Digamos que los quemo porque me gustó en su tiempo y porque a medida que me hago viejo me da medo sentir algún día la tentación de volver a leerlo.

Fuster selecciona un parráfaro de La Ultima Cinta [Becket] y lee con grandiloquencia cómica:

- Quizá mis mejores años han pasado. Cuando tenía alguma probabilidad de ser feliz. Pero ya no deseo más probabilidades. Y menos ahora que tengo ese fuego en mí. No, no deseo más probabilidades

 Los pájaros de Bangkok, Manuel Vásquez Moltabán

A Filosofia do Pepe Carvalho passa por citar clássicos mas queimar livros porque se quer desprender deles, percorrer as ruas de Barcelona, principalmente as Ramblas, lembrar-se de bons restaurantes à medida que as percorre, alongar-se em descrições do que será uma boa ensaimada ou qualquer outro tipo de enchido e ter páginas e páginas a descrever receitas dos petiscos que faz enquanto resolve casos exóticos ( com uma dose saudável de  mulheres fatais que inevitavelmente o acham mono, o mono que não é um macaco ou gordo - e isto apesar de metada da acção ser passada a comer -  que acabam na cama dele). Esse desdém pela cultura também já o atinjo. Todos os Cds minimantente significativos en su tiempo, estão riscados ou nas caixas erradas. Só me falta cozinhar com aprumo de gourmet, arranjar uma Charo ( a prostituta apaixonada) para as horas de solidão,  ser ex-agente da CIA, um sacana que no fundo é tender loving hooligan. Gosto destes policiais do Moltabán. Quando os começo tudo o resto fica para trás, vejo-me a levar o livro para ler na hora do almoço. São tão bons assim.

 

 

Ela há coisas fantásticas II

[Arquivado em: Borlas]

Já não sei pôr o player a funcionar, mas tenho o link com um pequeno extracto da faixa Italy. É só salvar e ouvir.

AKron/Family "Italy"

Ele há coisas fantásticas

[Arquivado em: Corneta]

… e nao estou a falar dos anúncios da Netcabo.

Gosto de ouvir musica. Música no carro, música para trabalhar (vá lá que já se acha politicamente correcto usar o i-pod no trabalho, cria uma certa bolha de isolamento que permite concentrar … e efectivamente trabalhar).

Toda esta actividade frenética de ouvinte requer a sua alimentação. Na deambulação pelos bastardos e filhos bastardos por vezes vou perdendo o entusiasmo para ouvir mais. Mais do mesmo, nem carne nem peixe, grande seca (ou a insuportável faixa da mediania). Mas atenção, porque há, sempre houve, coisas fantásticas que nos passam ao lado e que mais tarde pelos misteriosos caminhos do Senhor vêm ao nosso encontro. Artistas que só vimos a conhecer passado 30 anos da sua morte (como o Nick Drake), o Hard Core dos Pulp (que só ouvi este ano), a discografia completa dos Smiths (e isso será todo um outro post aparte, a minha conversão ao Saint Morrisey. Custou muito, mas foi).

Na secção "Ele há coisas fantásticas"  descobri uma banda nova lançada pelo Michael Gira e a Young God Records: «Akron/Family are four extremely nice, sincere and well-mannered young men from rural America who came to NYC (in 2002) to make music, hoping to find a thread of real magic still winding through this city’s music scene».

Pela prata da casa, neste caso do Devendra Banhart, os Akron/Family foram prontamente catalogados nessa categoria catita a que se chama "freak folk". Vou mais pelo mypspace  da banda - Psychedelic / Bluegrass / Comedy - pricipalmente porque é um lugar onde a a música tradicional americana está bem presente,  quer seja pela sobreposição de vozes, quer pelos instrumentos (guitarras acústicas, violinos, banjos, piano,  o que não os impede de inserir elementos estranhos a este mundo), quer pelos temas sentimentais a roçar gospel ou blues. A grande novidade desta banda é o destaque dado à experimentação (daí o psicadelismo e mesmo a comédia). À semelhança do que se faz nos Arcade Fire,  os elementos da banda são multi instrumentistas e vocalistas, e volta meia lá vem um pequenos caos como sucede em "Part of Corey", "Sorrow Boy", no final do "Running, Returning", "Before and Again" com uns toques electrónicos minimalistas à la Radiohead, bits and pieces que os tornam diferentes. Talvez o ponto de referência mais próximo que encontro são os Animal Collective, mas com linhas melódicas mais simples e bonitas se possível. O que ouvi até agora foi o álbum homónimo da banda (Akron/Family de 2005), que fez despertar essa expressão do Arquimedes, Eureka, ela há coisas fantásticas.