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October 31, 2006

edital

[Arquivado em: Geral, Publicidade]

Há 491 anos Martinho Luero afixava na porta de Vitemberga o post da sua vida.

October 30, 2006

ultra modum, sine causa II

[Arquivado em: Geral, IC 19]

Outra vez a gripe das aves. Esse terrível flagelo ameaçador que, a existir, poderia infectar quatro milhões de portugueses. É o que diz um estudo do Observatório Nacional de Saúde que «procurou avaliar o efeito de uma epidemia em que o vírus afecte 40 pessoas em cada cem com as quais contacta». 40 em 100 dá 4 milhões em 10 milhões, certo? Quarenta por cento. Podiam ter-me perguntado. Um cientista do Observatório «estimou que numa primeira fase, mais branda, cerca de um milhão de portugueses pode vir a ser infectado pelo vírus, um valor que aumentaria para três milhões numa segunda onda pandémica». E até calcula o número de consultas que o Serviço Nacional de Saúde (actualmente alvo de uma fatwa do Governo) prestará (se ainda existir nessa altura): «será solicitado em 1,9 milhões de consultas na primeira ronda e que na segunda fase a procura vai subir para mais de três milhões». Também se estimou o grau de absentismo laboral que a pandemia poderia provocar, «tendo sido apresentado o exemplo de uma empresa com cerca de 400 trabalhadores, dos quais 81 por cento são mulheres». Aí, «é possível prever uma taxa de absentismo de 38 a 40 por cento». 40 por cento. Estão a ver? Isso num cenário hipotético em que o vírus afectasse 40 pessoas em cada cem. Quarenta por cento, portanto.

alterum non laedere

[Arquivado em: Geral]

Afinal, os autores do blogue viver a sua vida, apesar de inteligentes, não são dotados de bom-senso. A prova é que me convidaram para escrever no blogue deles.
Estou exausto destas discussões em que facilmente se resvala para a palermice incontinente, para o arremesso de slogans definitivos, e principalmente onde, muitas vezes - dada a natureza do tema -, ambos os lados do dissenso partem de diferentes pressupostos e, portanto, falam de coisas diversas sem nunca se encontrarem. Como Gossage e Vardebadian, os mestres de xadrez do conto de Woody Allen. E estas coisas magoam, inevitável e inutilmente. No entanto, penso que desta vez devo participar no ruído. Estou numa posição minoritária dentro da minha minoria de catálogo: identifico-me como pessoa de Esquerda (tento ser: nunca votei à direita do PCP), sou (ainda, vejam lá o anacronismo) pela estatização dos meios de produção essenciais, sou a favor da limitação dos bens hereditáveis (coisa ainda mais absurda, não é?) e guardo outras ideias inúteis. Mas (mas? porquê o mas aqui?) oponho-me a que o Estado se abstenha de penalizar o que entendo ser um crime - o pôr fim a uma vida alheia. [Este já é campo de contenda. Há quem diga que esta vida não é humana até um indeterminado tempo de gestação. Ou que o feto só deve ser protegido depois da garantia da sua viabilidade fora do útero da mãe. E outras coisas. Embora a tecnologia e as descobertas científicas permitam ver que estas objecções são cada vez mais frágeis, nem dependo desta caução. A minha razão é outra]
Assim, aceitei o convite. Vou, com a minha maneira rude e tosca, dizer coisas desimportantes nesta pesada discussão sobre o aborto, o referendo, a vida, o universo e tudo o mais, para o outro blogue. Em nome da minha convicção que, também aqui, devo estar do campo que reconheço ser o da minha Esquerda: o lado dos mais fracos, dos desprotegidos, dos sem voz, dos que ainda não nasceram. Desculpem, mas é assim que vejo as coisas. Comecei com a repostagem de um texto publicado aqui na Baixa Autoridade e depois haverá música: Sex Pistols. Não percam.

Neste blogue continuo a debitar as minhas restantes opiniões banais, insignificantes e inconsequentes. Percam. 3-2, por exemplo.

October 29, 2006

Presente do passado

[Arquivado em: Corneta]

http://www.everythingisfire.com/web/2006/01%20Tonight.mp3

Sibylle Baier gravou este álbum no início dos anos 70 na Alemanha ainda que os ouvintes na altura tenham sido apenas amigos e família. Ficou enterrado até ao dia em que  filho resolveu emprestar umas demos ao vocalista dos Dinosaur Jr.  que  hoje vem  partilhá-lo com todos. É um trabalho acústico, folk semelhante ao que ouvimos numa Cat Power ou Nico e que não está datado. Celebração triste e pousada do quotidiano, parece-me bastante bom (mas já sabe, neste tema como em tantos outros sou uma Baixa Autoridade).

October 28, 2006

E por falar em desonestidade…

[Arquivado em: Geral]

…e em jornal Sol, há um texto na mesma revista sobre o novo livro da jornalista Felícia Cabrita, por acaso repórter do semanário. A primeira parte do artigo, que está só assinado pela própria Felícia (embora a assinatura não seja bem evidente, porque aparece ao lado de uma fotografia da senhora, mas uma comparação com o grafismo das outras reportagens leva a concluir que sim, é ela mesma que faz tudo: escreve o artigo sobre o seu próprio livro e ainda há uma imagem dela a ilustrar tudo…) elogia o livro (grande surpresa!!!), numa escrita na terceira pessoa, algo no género: Felicia Cabrita, depois de um fantástico trabalho de investigação, desvenda um novo Salazar! E, de repente, sem pré-aviso nem sequer umas míseras aspas, começam a reproduzir-se bocados do livro. É a isto que eu chamo (sem grande criatividade, confesso, mas depois de ver uma coisa destas, só me ocorre mesmo isto) jornalismo de merda. Já agora, aproveito para dizer que o Sol está cheio dele. 

Não suporto…

[Arquivado em: Geral]

… as reportagens da revista do jornal Sol sob a temática "Famílias Numerosas" que, ao contrário do que imaginei inicialmente, é uma rubrica fixa da publicação. Ainda se tivesse sido uma reportagem sobre famílas numerosas de diversos níveis e origens socias… Mas agora todas as semans vermos um belo textinho a contar as inúmeras riquezas e alegrias de se ter 10 filhos, viver numa boa vivenda e colocar os meninos em escolas de música… O que eu gostava, já agora, era que me contassem também a história de uma família com uns quatro filhos, da verdadeira classe média (já nem peço baixa) a viver num subúrbio de Lisboa que não seja o centro de Cascais e cujos filhos frequentam a escola pública do bairro. Aí sim, gostava de saber que actividades extra-curriculares têm estes meninos e como é que os pais fazem para os levar ao cinema. Não suporto propagandas desonestas e ocultas.

October 27, 2006

Perspectiva

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Pausa

[Arquivado em: Geral]

 

Isto é muito bom, um cartoon sobre galinhas (selvagens!). Obrigado ao Tiago pela dica.

 

http://www.savagechickens.com/blog/index.html

 

October 26, 2006

viver a sua vida

[Arquivado em: Geral]

Já agora, outro blogue do não. Mas cuidado que este é um blogue inteligente (também os há): viver a sua vida. Contra a liberalização do aborto, citam Leonard Cohen (destroy another fetus now / we don’t like children anyhow / I’ve seen the future, baby: / it is murder), Pasolini e Sophia de Mello Breyner Andresen (As pessoas sensíveis não são capazes / De matar galinhas, / Porém são capazes / De comer galinhas). Mas também escrevem coisas do seu punho. As melhores, aliás.

Viver a sua vida, então. Porque, como não dizem os avisos do tabaco, abortar mata

Pela Vida

[Arquivado em: Geral]

A partir do blogue do não, cheguei ao blogue Pela Vida e encontrei este texto: http://antiaborto.blogspot.com/2006/10/outra-razo-para-dizer-no-ao-aborto.html, com o inacreditável título: "Outra Razão Para dizer não ao aborto - defender o não é defender o Sangue de Portugal". Como respeito os defensores do não, aconselho-os a não se meterem com esta gente e a dar-lhes voz… O texto foi escrito por um homem (aliás, neste blogue, entre os inúmeros autores só identifiquei uma mulher!) que diz, a determinada altura, entre variadíssimas barbaridades que não quero transcrever, o seguinte: "uma mulher portuguesa tem menos do que dois filhos", justificando a raíz do problema com esta frase. Ah! Então, afinal, o problema é feminino?! Por que é que este senhor não usa estatísticas que se refiram a toda a população? Ou os homens não têm responsabilidade nisso?

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