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October 11, 2006

cantate ei canticum novum

[Arquivado em: Geral, Corneta]

A par da Nicole Kidman, a música é a melhor das criações humanas. É uma família afectuosa para os desamparados, fortalece a personalidade dos tímidos e dialoga uma permanente conversa com os solitários (semelhante à terapia, com muitas perguntas que sozinhos não conseguimos formular). É uma banda sonora que acompanha os estados de espírito por que passamos nos vários momentos da nossa vida. No cinema, a banda sonora pode iluminar os filmes, como no grandioso 2001 – Odisseia no Espaço; outra vezes, é uma perfeita ilustração das imagens, como no belíssimo Lost In Translation; e às vezes é bem melhor que a película, como no caso do execrável Vanilla Sky. Na nossa vida basta escolher ou deixar um qualquer iPod fazê-lo aleatoriamente. 

Pretende esta pobre lírica apresentar do último disco de Lloyd Cole. Toda a gente que ouviu o disco disse o mesmo: Antidepressant não é o disco do ano, nem sequer é o melhor disco de Lloyd Cole (com ou sem os Commotions), mas é um disco limpo, de canções belas e simples. Tal como o excelente Music In A Foreign Language, editado em 2003 (mas um pouco aquém deste), Antidepressant é um disco apropriado de e para um homem que está a passar pela meia idade, com a tranquilidade e sabedoria que só o género e a experiência podem oferecer, «sem o sentimento de nos querermos matar», como diz o autor. Dizia o Hermann Hesse (embora não a propósito deste disco) que «não se pode falar de música senão a um homem que reconheceu o sentido do mundo». Seja. A mim e ao senhor Cole pode falar-se de música. Música feita de melodia e harmonia. Com arte e alma (salmo 32). Pode falar-se de música a quem se encontra «no longer angry / No longer young / No longer driven to distraction / Not even by Scarlett Johansson». Já pela Nicole…