ultra modum, sine causa II
Outra vez a gripe das aves. Esse terrível flagelo ameaçador que, a existir, poderia infectar quatro milhões de portugueses. É o que diz um estudo do Observatório Nacional de Saúde que «procurou avaliar o efeito de uma epidemia em que o vírus afecte 40 pessoas em cada cem com as quais contacta». 40 em 100 dá 4 milhões em 10 milhões, certo? Quarenta por cento. Podiam ter-me perguntado. Um cientista do Observatório «estimou que numa primeira fase, mais branda, cerca de um milhão de portugueses pode vir a ser infectado pelo vírus, um valor que aumentaria para três milhões numa segunda onda pandémica». E até calcula o número de consultas que o Serviço Nacional de Saúde (actualmente alvo de uma fatwa do Governo) prestará (se ainda existir nessa altura): «será solicitado em 1,9 milhões de consultas na primeira ronda e que na segunda fase a procura vai subir para mais de três milhões». Também se estimou o grau de absentismo laboral que a pandemia poderia provocar, «tendo sido apresentado o exemplo de uma empresa com cerca de 400 trabalhadores, dos quais 81 por cento são mulheres». Aí, «é possível prever uma taxa de absentismo de 38 a 40 por cento». 40 por cento. Estão a ver? Isso num cenário hipotético em que o vírus afectasse 40 pessoas em cada cem. Quarenta por cento, portanto.
   