Espanha
Estive a ler o artigo do Enrique Pinto-Coelho sobre a relação Portugal/Espanha, publicado na revista Atlântico deste mês (http://revista-atlantico.blogspot.com/). Gostei muito, mas de um luso-espanhol, que conhece bem os dois países, só podia sair uma boa relativização das coisas. Concordo com quase tudo, principalmente na defesa da normalmente mal-amada Madrid quando comparada com Barcelona. Quem viveu nas duas cidades e conhece bem a capital espanhola sabe que é uma cidade fantástica, com uma energia incrível e mais cosmopolita do que Barcelona. Que é lindíssima, claro, e nisso costumamos concordar todos, mas que sofre um bocadinho do problema de Lisboa: não quer saber de Madrid; na verdade, odeia Madrid e tem raiva de quem não partilhe este sentimento (e está às vezes tão obcecada com isto, que se esquece de pensar noutras coisas e noutras paragens: deve ser por isso que têm um especial carinho por Portugal…). No texto da Atlântico só não concordo totalmente com isto: “O português escrito está ao alcance da maioria dos espanhóis, mas a compreensão da língua oral continua a ser (para a grande maioria) um ordálio. Por outras palavras: não percebem patavina. A fonética lusa é deveras complicada, mais ainda quando comparada com a do linear castelhano. Um exemplo: as vogais espanholas são sempre abertas (cinco vogais, cinco únicos sons).” Ou seja, porque eles têm tão poucos sons, não percebem patavina de português: é verdade. Mas isto aplica-se a outros idiomas: os espanhóis não entendem patavina de francês, inglês e por aí fora. Falar, muito menos! O que eu quero dizer com isto (e é isto que normalmente os portugueses não entendem) é que os espanhóis não falam nem entendem português porque não falam nem entendem nenhum idioma estrangeiro. Não é nada contra nós, ou desdém específico por Portugal.
   
Alias um amigo meu, espanhol, face a esse facto, com a agravante de a maior parte dos portugueses compreenderem o castelhano, diz que se recusa a acreditar na superioridade intelectual dos portugueses. Especula que deve haver outra razao. Quanto a mim, que tenho serias dificuldades em seguir os espanhois, nunca me tinha ocorrido o desdem, ja a superioridade intelectual…
Comment by filipa — November 16, 2006 @ 2:05 pm
Sim, claro. Mas isso não é nada de novo. E voces ja os ouviram a falar ingles! São uma pedra! Ha uns tempos viajei pela Iberia e eles explicam as medidas de segurança, primeiro em espanhol e depois em ingles. Epa, em ingles, é de morrer a rir! Só se percebe a 1ª e a ultima palavra do texto, ou seja o hello e o thanks, o resto ninguem entende nada, pois eles falam ingles como falam espanhol. É lindo! É para rir e pedir bis!
Comment by Jt — November 17, 2006 @ 12:12 pm
Não concordo. Com a excepção dos galegos, para os espanhóis a fonética do italiano é mais facil do que a portuguesa por ser mais semelhante o sistema de vogais. Da mesma maneira, para os espanhóis também é um bocado mais facil compreender a conversa brasileira do que a continental.
Com respeito ao inglês. bem, é verdade que as línguas não é um ponto forte dos espanhóis.
Comment by mendinho — December 11, 2006 @ 9:17 am