mais escritos corsários
«Não existe uma boa razão prática que justifique a supressão de um ser humano, mesmo nos primeiros estádios da sua evolução. Sei que em nenhum outro fenómeno da existência se encontra uma tão furiosa, total e essencial vontade de vida como no feto. A sua vontade de actualizar a potencialidade que é, percorrendo com uma rapidez fulminante a história do género humano, tem qualquer coisa de irresistível e por isso de absoluto e jubilatório. Mesmo se é um imbecil que vai nascer.»
«Os partidários extremistas do aborto (quer dizer, quase todos os intelectuais "esclarecidos" e as feministas) falam deste como de uma tragédia feminina, na qual a mulher está sozinha com o seu terrível problema, como se, nesse momento, todo o mundo a tivesse abandonado. Compreendo. Mas poderia acrescentar que, quando a mulher estava na cama, não estava sozinha. Por outro lado, pergunto-me como é que os extremistas recusam a retórica especiosa da "maternidade" com uma repulsa tão ostentatória, quando aceitam de forma totalmente acrítica a retórica apocalíptica do aborto.»
«Para o macho, o aborto tem uma significação simbólica de libertação: ser incondicionalmente a favor do aborto parece-lhe constituir um brevet de inteligência esclarecida, de progressismo, de ausência de preconceitos e de capacidade de provocação. É, em suma, uma bela chalaça (dá prazer).»
Pier Paolo Pasolini, Escritos Corsários.
   
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Comment by africamente — February 1, 2007 @ 7:34 pm