até já

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E logo nós, um povo que só sai do país se tiver viagem organizada pela agência de viagens, que faz todo o tipo de seguros para o caso de acontecer qualquer coisa que não esteja programada, que só se aventura a visitar os pontos do mundo onde os amigos já estiveram e que, de preferência, volta vezes sem conta ao mesmo local porque já conhece e já sabe o que a casa gasta… Parece impossível, mas há suspeitas de que também descobrimos a Austrália.
Como disse o outro, nós somos os descendentes dos que cá ficaram, não dos que partiram. E diz muito bem.
650.000 civis mortos, nenhuma arma de destruição massiva, cujas provas garantiste ter visto.
Estás satisfeito, ignóbil cobarde?
Graças ao desmedido zelo da Inquisitio Haereticae Pravitatis Sanctum Officium, foram inventadas as alheiras, por judeus engenhosos e de gosto apurado. Agora, por obra dos fabricantes oficiais destes enchidos, as mulheres portuguesas podem praticar abortos caseiros, livres, seguros e sem a humilhação do "aconselhamento". Basta que não interrompam voluntariamente a vida das pobres Listeria monocytogenes, através da competente cozedura das alheiras.
O socialismo moderno consiste em prosseguir o desiderato da igualdade social do modo mais pragmático possível. Tanto assim é que a doutrina apenas é demonstrável através de exemplos da realidade que se pretende transformar. A maternidade não possui toda a parafernália que deve ter uma maternidade de ponta no século vinte e um (abeirado há pouco mais de um mês a Portugal), apesar de sempre ter mourejado sem problemas desde que foi inaugurada? O que se faz? Instala-se a parafernália em falta e conduzem-se para lá os médicos especialistazíssimos que sabem como proceder no parto mais simples, símil a todos desde que as mulheres dão à luz? Não! Encerra-se a maternidade. As mães que parturem nos trajectos para a maternidade mais próxima, nos bancos dos táxis, nos carros dos bombeiros, nas ambulâncias do hospital ou mesmo nos helicópteros (na versão açoreana). É uma questão de justiça social.
A escolazinha pública tem espaço a mais, vista para o Tejo, boas instalações e está no topo do rânquingue das escolas de todo o país? Aferrolha-se! Os professores e alunos que jordaneem para outra escola, acanhadita, enclausurada debaixo da ponte e que não provoca agorafobia. É para melhoria das condições de vida e da educação.
As urgências não têm pessoal técnico indispensável nem meios tecnológicos que permitam intervenções cirúrgicas ao cérebro ou transplantes de medula? Fechem-se, pois! O interior do país está cheio de velhos improdutivos que só dão despesa. É para se alcançar o aumento da qualidade de vida das populações mais carenciadas.
Os funcionários públicos aposentavam-se mais cedo, auferiam reformas a 100%, tinham mais três dias férias, um horário semanal inferior ao trabalhadores do sector privado? Nivele-se a situação, corrija-se com esta injustiça que brada aos céus socialistas (com a justificada excepção das reformas dos titulares de cargos políticos, claro). E como? Melhorando as condições de quem é prejudicado nesta absurda comparação? Não, que ideia estúpida! Não se pode aprisionar mais os empresários com verdugas leis laborais incompetitivas. Pelo contrário: piorando a de quem tem estes “privilégios”. Deste modo, muitos são prejudicados, ninguém é beneficiado, mas “os da privada” ficam consolados com o empobrecimento dos outros. E os salários, que são mais baixos na função pública, onde o famoso “índice 100” é inferior ao salário mínimo nacional? Fica na mesma. Temos de ir devagar. Falamos de reformas, não de revolução. Já bastaram os seis cêntimos de aumento no subsídio de refeição. É a realidade que não se pode ignorar nem combater, é a globalização, a China, a União Europeia, é a paz social que se tem de manter com a anestesia publicitária, são os factos evidenciados todos os dias no horário nobre das notícias simplex do telejornal.
E tudo isto porquê? Porque temos de pagar certas empreitadas e custear as prestações dos serviços verdadeiramente indispensáveis. Os estádios do Euro (do tempo em que o sr. Sócrates era ministro-adjunto do então primeiro-ministro e não tinha pruridos financeiros nem restrições orçamentais a propor para os outros), a OTA, o TGV, a PT, os lucros obscenos dos bancos, as indemnizações aos gestores e administradores incompetentes (e que, por essa razão são demitidos), a incompreendida boa gestão de quem nos governa.
A Comissão Liquidatária do Estado, também conhecida por XVII Governo Constitucional, tem assim novos pretextos para prosseguir a sua missão: a imbecilidade do anterior Governo é hereditária.
Tenho que confessar, que vi a gala dos cinquenta anos da RTP. É assim, aliás, que me vou apercebendo de como estou a ficar velha.
Entre os momentos de seca e os momentos de riso, houve um de choque. Carlos Cruz, fez uma gravação da sua prisão domiciliária, presumo, e deu os parabéns à RTP. Como se não bastasse, a plateia aplaude em ovação e de pé.
Não é que o homem já tenha sido declarado culpado, mas pode vir a sê-lo e se isso acontecer, não me parece que o apresentador de televisão suplante em grandeza, o pedófilo.
A gala passava bem sem Carlos Cruz e, tanto ele como o público, deviam ter-se abstido.