a hermenêutica socialista explicada às crianças
O socialismo moderno consiste em prosseguir o desiderato da igualdade social do modo mais pragmático possível. Tanto assim é que a doutrina apenas é demonstrável através de exemplos da realidade que se pretende transformar. A maternidade não possui toda a parafernália que deve ter uma maternidade de ponta no século vinte e um (abeirado há pouco mais de um mês a Portugal), apesar de sempre ter mourejado sem problemas desde que foi inaugurada? O que se faz? Instala-se a parafernália em falta e conduzem-se para lá os médicos especialistazíssimos que sabem como proceder no parto mais simples, símil a todos desde que as mulheres dão à luz? Não! Encerra-se a maternidade. As mães que parturem nos trajectos para a maternidade mais próxima, nos bancos dos táxis, nos carros dos bombeiros, nas ambulâncias do hospital ou mesmo nos helicópteros (na versão açoreana). É uma questão de justiça social.
A escolazinha pública tem espaço a mais, vista para o Tejo, boas instalações e está no topo do rânquingue das escolas de todo o país? Aferrolha-se! Os professores e alunos que jordaneem para outra escola, acanhadita, enclausurada debaixo da ponte e que não provoca agorafobia. É para melhoria das condições de vida e da educação.
As urgências não têm pessoal técnico indispensável nem meios tecnológicos que permitam intervenções cirúrgicas ao cérebro ou transplantes de medula? Fechem-se, pois! O interior do país está cheio de velhos improdutivos que só dão despesa. É para se alcançar o aumento da qualidade de vida das populações mais carenciadas.
Os funcionários públicos aposentavam-se mais cedo, auferiam reformas a 100%, tinham mais três dias férias, um horário semanal inferior ao trabalhadores do sector privado? Nivele-se a situação, corrija-se com esta injustiça que brada aos céus socialistas (com a justificada excepção das reformas dos titulares de cargos políticos, claro). E como? Melhorando as condições de quem é prejudicado nesta absurda comparação? Não, que ideia estúpida! Não se pode aprisionar mais os empresários com verdugas leis laborais incompetitivas. Pelo contrário: piorando a de quem tem estes “privilégios”. Deste modo, muitos são prejudicados, ninguém é beneficiado, mas “os da privada” ficam consolados com o empobrecimento dos outros. E os salários, que são mais baixos na função pública, onde o famoso “índice 100” é inferior ao salário mínimo nacional? Fica na mesma. Temos de ir devagar. Falamos de reformas, não de revolução. Já bastaram os seis cêntimos de aumento no subsídio de refeição. É a realidade que não se pode ignorar nem combater, é a globalização, a China, a União Europeia, é a paz social que se tem de manter com a anestesia publicitária, são os factos evidenciados todos os dias no horário nobre das notícias simplex do telejornal.
E tudo isto porquê? Porque temos de pagar certas empreitadas e custear as prestações dos serviços verdadeiramente indispensáveis. Os estádios do Euro (do tempo em que o sr. Sócrates era ministro-adjunto do então primeiro-ministro e não tinha pruridos financeiros nem restrições orçamentais a propor para os outros), a OTA, o TGV, a PT, os lucros obscenos dos bancos, as indemnizações aos gestores e administradores incompetentes (e que, por essa razão são demitidos), a incompreendida boa gestão de quem nos governa.
A Comissão Liquidatária do Estado, também conhecida por XVII Governo Constitucional, tem assim novos pretextos para prosseguir a sua missão: a imbecilidade do anterior Governo é hereditária.
   
Subscrevo integralmente, mas a versão em bruto enchia-me as medidas.
Comment by BS — March 11, 2007 @ 1:02 pm
O essencial está na descrição da imagem.
Comment by CC — March 11, 2007 @ 10:04 pm
O sorriso deste homem irrita-me tantoooo!
Comment by bastet — March 12, 2007 @ 4:45 pm
Gostei de ler o artigo, não me agradam todas as formas de “partidarismo”! Já chega de CHICOS/ESPERTOS: porque razões não governam pessoas INTELIGENTES!?
Fiz e envio a versão actual dos Vampiros (Zeca Afonso, o coitado deve estar revoltado no Céu).
VAMPIROS
Num parlamento
Sob um governo surdo
Batem palmas
Pela vida partidária
Vieram ao voto
Cheios de promessas
Sugar as contas
Do Zé-povinho
Se alguém se engana
Com a magoa
E lhes franqueia
A governação
Eles sugam tudo
Eles sugam tudo
Eles sugam tudo
E só deixam raiva
Em toda a parte
Chegam os fiscais
Entram nas vidas
Entram nas mentes
Trazem na língua
Feitos antigos
Mas nada os prende
Nas vidas presentes
São os políticos
Do parlamento
Senhores dos votos
Fabricantes das leis
Enchem as urnas
Mudam de cor
Mas vivem a sonhar
Com cadeira de rei
Eles sugam tudo
Eles sugam tudo
Eles sugam tudo
E só deixam raiva
Numa vida aflita
Vive o Zé-povinho
Ouvem-se gritos
Em levantamentos
Mas não adiantam nada
Vítimas de um sistema
Aonde só mudaram
De gentalha
Se alguém se engana
Com a magoa
E lhes franqueia
A governação
Eles sugam tudo
Eles sugam tudo
Eles sugam tudo
E só deixam raiva
Eles sugam tudo
Eles sugam tudo
Eles sugam tudo
E só deixam raiva
E só deixam raiva
Paulo Trigo (Break)
Comment by Paulo Trigo — March 14, 2007 @ 1:33 am