The Soaked Lamb - Blues à moda antiga
Um de nós, que não eu, juntamente com alguns amigos, gravou este cd.
Podem ficar a conhecê-los aqui, ouvir aqui e comprar aqui, que vale bem a pena. A agenda de concertos, vai estando por aqui.
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Um de nós, que não eu, juntamente com alguns amigos, gravou este cd.
Podem ficar a conhecê-los aqui, ouvir aqui e comprar aqui, que vale bem a pena. A agenda de concertos, vai estando por aqui.
Sem mais delongas (é primeira vez escrevo delongas; olha, agora foi a segunda), e reconhecendo que o assunto tem tanto interesse como as outras coisas que escrevo por aqui, respondo aqui ao amável convite do cbs (não voltes a repeti-lo, caro amigo), confrade prandial na companhia de hereges e meu camarada em Cristo no Trento na Língua, aqui deixo as minhas leituras recentes e presentes.
Neste momento, e ao contrário do habitual, em que não vou além de dois, estou a ler três livros em sinfonia: História do Cristianismo, de Paul Johnson (ed. Imago; ISBN: 853120755X); Ismael – Como o Mundo Veio a Ser O Que É, de Daniel Quinn (ed. Via Óptima, ISBN 972-9360-07-3); e Diagnóstico Psicanalítico – Compreender a Estrutura da Personalidade no Processo Crítico, de Nancy McWilliams (ed. Climepsi; ISBN: 972-8449-99-2).
O primeiro é uma brilhante história do cristianismo, como, aliás o título dá a entender. Segundo os meus amigos protestantes, trata-se apenas de uma história da cristandade (conceito corrompido de uma vivência adulterada do cristianismo), e não do cristianismo em si (coisa imaculada, apenas ao alcance dos mortais desde Lutero, mas prática corrente até ao ano 300). Este livro ajuda a compreender que as coisas são um bocadinho mais complexas e humanas.
O segundo, dizem, é um fascinante exercício criativo, que nos dá uma nova mundivisão, uma cosmogonia moral revelada, uma mitologia moderna. Comecei-o ontem, mas já estou agarrado. Quando tiver avançado mais na leitura, faço-te saber, cbs. O terceiro é um manual do diagnóstio dos diversos tipos de carácter
(perturbado ou não) e da sua organização, como as operações adaptativas e defensivas do ego, as experiências e as representações internas do self, etc. É um pouco técnico para a minha ignara formação no que-quer-que-seja, mas vai-se lendo. Também, com a má memória que tenho, é indiferente que me custe ou não a ler. No final, não retenho nada.
Ultimamente li alguns livros que merecem referência nesta espécie de corrente: Straw Dogs – Thoughts on Humans and Other Animals, de John Gray (ed. Granta Books). Há edição portuguesa, pela Lua de Papel, mas eu armei-me em parvo e li em inglês. Assim, parece mais profundo. Mas que é cáustico, é. Mesmo em português. Seguindo a moda, também li o histriónico Slavoj Žižek (sempre quis escrever os chapelinhos nos zês) e o seu A Marioneta e o Anão – O Cristianismo entre Perversão e Subversão (ed. Relógio de Água): Outro, O Deserto dos Tártaros, de Dino Buzzati (ed. Cavalo de Ferro), uma descoberta tardia deste escritor maior do século XX; A Leste do Paraíso, do grande John Steinbeck (ed. Livros do Brasil, em dois tomos – obrigado, Timshel); e um livro que é toda uma vida, daquelas obras que tiram a vontade de escrever aos medíocres com algum sentido crítico, como eu, O Leopardo, de Tomasi de Lampedusa (biblioteca Visão, a 1,50 € em qualquer alfarrabista ou ainda nalguns quiosques).
Recomendo, por fim, ainda um escritor. Raduan Nassar, graças a quem ultrapassei o meu preconceito para com a literatura brasileira e que me abriu o olhar para um universo literário que, injustamente, ignorava. A inteligente escrita de Nassar é uma bomba de poesia em forma de prosa. Uma revelação. Para quem não saiba, Raduan Nassar abandonou a escrita depois da criação de três obras ímpares na literatura lusófona. Apenas publicou dois romances, Lavoura Arcaica, em 1975, e Um Copo de Cólera, em 1978; e um livro de contos, Menina A Caminho, em 1997 (publicados em Portugal pela Relógio d’Água). Depois de ler Raduan Nassar, resignei-me à minha condição de leitor e caíram por terra quaisquer aspirações, por mais humildes que fossem, de vir a escrever algo que considerasse ser literatura.
Ficam aqui dois contos para incentivar a leitura dos romances e para subverter o conceito de "literatura de férias": Hoje de Madrugada; e O Ventre Seco.
Agora que já demonstrei a pessoa fascinante e interessante que sou (arranjem-me uma vida, por favor!), transmito esta corrente, sem esperança e num passe curto, em jeito de futebol apoiado, aos meus companheiros de blogue Afonso Cruz e Bruno Santos (que me perdoem).
Boas leituras.
Já aqui o disse: o humanismo é um narcisismo.
Mas é também uma forma, absurda e infantil, de fascismo: «Uma sociedade que comece a equiparar estes direitos chega a um beco sem saída. Se aos animais aplicarmos os direitos humanos estaremos a fazer um paralelo que retira aos humanos toda e qualquer ideia de civilização. Ou seja: toda e qualquer ideia de ética e de moral. O que confere direitos especiais à nossa espécie é exactamente ser a nossa espécie. Dotada de consciência colectiva, de memória e de cultura».
É um exercício demagógico, mas substitua-se "animais" por mulheres, índios ou negros e deparamos com o cerne da legitimação para a discriminação sexista, para o apartheid, para a escravatura.
Mas, enfim, de um humanismo anacrónico não se pode muito mais.