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October 19, 2007

carta enviada à Lagardère

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Exmos. Senhores responsáveis pelo Grupo Lagardère
Recebi uma carta (é exagero chamar carta a um papel não endereçado nem assinado, mas enfim) dirigida a um qualquer “caro assinante”, referindo que «motivos vários levaram o Grupo Lagardère, proprietário da revista PREMIERE a descontinuar esta publicação», razão pela qual me devolvem o pedido de assinatura e o cheque destinado ao seu pagamento.
Ora, não vejo por que me tratam como “assinante”, uma vez que, precisamente, recusam a assinatura da revista. Dizem V. Exas. que “descontinuam” a publicação, isto é, acabam com ela. Descontinuar é uma palavra tão boa para se referirem ao fecho de uma revista como inviver será para designar um morto. Mas adiante.
Este mail serve, no entanto, para reclamar a V. Exas. muito mais que a perícia com que manejam a língua portuguesa, como a desconsideração com que tratam os vossos clientes (para não falar dos trabalhadores da empresa, objecto do desprezo material com que o Grupo Lagardère brinda as pessoas).
Na verdade, eu e a PREMIERE tínhamos celebrado um contrato; contrato esse, aliás, proposto pela empresa e não por mim. Propuseram-me na penúltima edição a assinatura durante um ano da vossa revista, mediante o pagamento de um preço e, como oferta da subscrição, o envio de um dvd do filme “Fur”. Eu aceitei o negócio e, com o envio do cheque para pagamento, estava fechado o contrato. O resto é conhecido: não cheguei a receber qualquer número da revista pois, logo no número seguinte, este transformou-se no último. É a chamada descontinuação. Porém, ainda que não me tenha sido descontado o cheque (que se tornou inútil e não reaproveitável – e todos sabemos como estão caros os cheques; como os selos do correio, aliás), falta cumprir outra parte do acordo: a oferta do com o filme “Fur”.
Suponho que têm várias cópias do filme em stock para envio aos idiotas que, como eu, partiram do pressuposto que a empresa realizava os negócios que manifestava publicamente vontade de celebrar.
Assim, caso não tenham descontinuado os dvd’s, peço o favor de cumprirem com a vossa palavra (ou parte dela, pelo menos) e me enviem o dvd do filme “Fur”.
Na expectativa de notícias vossas, desejo-vos os maiores insucessos no mundo do comércio e que (sem prejuízo do êxito profissional dos vossos infelizes e valorosos trabalhadores) abram falência muito em breve.

O quase assinante,
Carlos Cunha
(morada) 

PS: talvez “Lagardère” não seja um grande nome para uma empresa em Portugal. Perguntem a alguém.

October 10, 2007

jus in re propria

[Arquivado em: Geral, Corneta]

Sem recurso a actividades ilícitas, já oiço o novo trabalho dos Radiohead, In Rainbows, que sairá para as lojas apenas em Dezembro. O disco já está disponível para compra pelo site e a grande novidade é que incumbe ao comprador escolher a quantia que está disposto a desembolsar pela versão para download do disco, no formato MP3. A grande parte dos utilizadores está a pagar uma libra, mas é possível não pagar nada. (ver também aqui).

Eu, como gosto muito dos rapazes, escolhi a modalidade caríssima (40 libras), encomendando a modalidade que me fará sentir especial no coração de Thom Yorke, a discbox que, para além do referido download, inclui esta versão já em cd e ainda outro cd de bónus, dois vinis, um livro e fotos.

É uma opção moral, num tempo em que é possível ter quase toda a música que se deseja sem ter de pagar por isso, contornando os legítimos direitos dos autores e a ganância das editoras que providenciam os meios técnicos para a edição e distribuição. Se alguém merece que se gaste dinheiro para desfrutar da cultura que produz, são (a par dos Soaked Lamb) os Radiohead. Assim, o meu dinheirinho foi directamente para a banda, sem que os mercadores se fiquem a rir com os lucros obscenos que ainda têm. 

October 9, 2007

sic

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«Por amor de Deus, pá!» - José Pinto de Sousa, aka José Sócrates (gosto de tratar as pessoas com o nome de família), licenciado com certificado de habilitações emitido num domingo, numa resposta sobre a invasão policial, à paisana e sem mandato, a um sindicato de professores na Covilhã na véspera do mesmo se deslocar à cidade.

October 3, 2007

petit

[Arquivado em: Geral]

Dá a impressão que o Fernando Santos não conseguia fazer pior.