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January 9, 2008

actus non a nomine sed ab effectu judicatur

[Arquivado em: Geral, Mnemónica futura]

José Pinto de Sousa, primeiro-ministro da nacinha (como lhe chama o bom dragão), é um linguista. E um wittgensteiniano da linha dura. Embora nunca tenha lido o Tratado Lógico-Filosófico ficou-lhe o gosto (inato) pelos tratados. Há mesmo quem, por essa razão, lhe chame tratante.

Mas a linguagem, a totalidade das proposições, a função da linguagem como revelador da realidade, isso ficou-lhe a matutar no seu pequeno cérebro. Para começar, renegou o nome de família. Qual jogador de futebol dos escalões regionais ou como os concorrentes do Big Brother (big brother que também o alicia bastante, aliás), quis ser conhecido apenas pelo nome próprio. Deixou, então, de responder ao nome “José Sousa” ou “José Pinto de Sousa” e passou a ser apenas o “José Sócrates”. Ou “Sócrates”. É o declínio de um nome, mas José, no cimo da sua ambiçãozeca, sabia que o internacional brasileiro já deixara de calcanhoar há tempo suficiente para alguns se lembrarem dele. Quanto ao filósofo grego, ele mesmo se encarregaria de o remeter para o olvido, afogando a sua memória (no rio Lethes) com a exclusão da incompreensível disciplina de Filosofia do curriculum obrigatório do 12º ano da escolaridade lusa.

Entretanto, José leu um livro e pensou que era social-democrata. Como tal, militou na JSD, ainda no tempo em que as juventudes partidárias não eram associações de acolhimento de pessoas com deficiência e o PPD defendia a social-democracia. Mais tarde, ao aperceber-se que, na “política”, pouco importava o que se pensava ou defendia, alistou-se noutro centro de emprego: o partido socialista. Foi aqui que se deu conta do mundo wittgensteiniano das palavras. A realidade é feita de palavras e só através da linguagem se pode conhecer a realidade. Decorre daqui que um partido se denomine “socialista” torna-se socialista. Como ele, que já não se chamava Sousa e, portanto, era como se Sousa nunca tivesse nascido.

Prometi referendar o “Tratado Constitucional”? Pois, mas isto agora é o “Tratado de Lisboa”, notem que já não há referências ao hino e à bandeira. E foram mudadas cinco vírgulas e dois artigos deslocados para outro capítulo.

Está, então, inventada uma nova teoria da ciência política. Prometi que não aumentava o IVA? Aumenta-se o imposto, mas passará a chamar-se IT. Garanti que não haveria portagens nas scuts? Passam a chamar-se auto-estradas. A primeira medida era alterar o Código do Trabalho? E foi. Passa a ser “Código do Trabalho” o nome da “primeira medida”. E assim por diante.

O José só ainda não sabe onde se vai localizar o novo “Aeroporto da Ota”.

3 Comments »

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  1. Foda-se,Carlos, aparece mais vezes.

    Comment by BS — January 10, 2008 @ 3:00 am

  2. Continuando a aplicar a nova teoria o novo Aeroporto da Ota, vai instalar-se no Campo de Tiro, para já de Alcochete, mas daqui até à descolagem ainda pode ir parar a outro, porque campos de tiro não faltam.
    Aliás; cada tiro, cada melro.!

    Comment by jrd — January 10, 2008 @ 5:12 pm

  3. Não liguem às vírgulas, vírgula, porque com esta história da Ota e das “sabotagens” do Almeida Santos, fiquei contagiado, pelo dito.
    Além do mais sou nabo com o teclado e não só…

    Comment by jrd — January 10, 2008 @ 5:16 pm

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