Subprime (mulheres para a cozinha, já!)
Hoje fui iniciado num mistério antiquíssimo. Sentei-me pela primeira vez no banco dos réus, num tribunal verdadeiro. Do outro lado, a acusar-me, estava a multinacional ERA, um fantoche vermelho da mediação imobiliária.
A juiz era loira, de uma soberania flamejante. Sei que olhou muitas vezes para mim, facto que não estranhei, uma vez que, contra o que é habitual, tinha o cabelo banhado em gel. Para mais, sei que já não me ama. A nossa paixão celeste foi supliciada numa praça de Paris por quatro cavalos furiosos que espalharam pelos quatro cantos do mundo o cheiro do nosso sangue. A única testemunha que apresentei foi o meu próprio Pai, arrogância que a minha amada juiz não interpretará à luz de delírios freudianos, estou certo, mas, muito pior, sob a lente persecutória do processo de individuação de Jung.
Entrei litigante, réu de cabelo lambido. Saí sonhando que o oficial de justiça era meu filho. Meu amado filho. Absolvi a minha amada de circunstância e perdoei o Estado pederasta. O lixo semântico ficou para as advogadas.
BS
   
Excelente e contundente!
Ficou por saber se na ERA era também uma charlatã.
Comment by jrd — October 4, 2008 @ 10:08 pm
Fiquei um tanto augada…Foi como darem-me um caramelo para a boca para logo de seguida, me ser tirado! Conte mais!…
Comment by Milu — October 24, 2008 @ 8:32 pm
Só agora reparei no título! Mulheres para a cozinha? Hum… :P
Comment by Milu — October 24, 2008 @ 8:40 pm