A Ordem do Discurso
A Ordem do Discurso é o tema da aula inaugural de Michel Foucault no Colégio de França. Um texto muito difícil e muitíssimo inteligente, aliás como a obra do filósofo francês. Mas se razoavelmente compreendido, lavar-nos-à a ler de outra maneira o que o ministro Vieira da Silva quis realmente dizer quando confessou a dificuldade em cumprir a promessa dos 150 mil novos empregados: ele quis, de facto, anunciar que há 150 mil portugueses por quem o desemprego espera ansiosamente no próximo ano. E quando ele diz 150 mil quer dizer, pelo menos, o dobro.
Oxalá eu esteja enganado, mas nesta altura vive-se um ambiente absolutamente histérico nas repartições deste país (centros de emprego, segurança social, inspecção do trabalho) com os desempregados aos milhares e aos trambolhões em busca da tábua de salvação. E, além de ninguém falar disso, continua a valer uma estatística completamente manipulada que mente com quantos dentes tem sobre a verdade da rua. A denunciá-lo está a medida prevista no orçamento para 2009, na qual o Estado se propõe como senhorio dos que deixarem de pagar a prestação da casa ao banco. Porque só o Apocalipse justificaria tal magnanimidade.
   
A mistificação das massas através da manipulação das situações.
Quanto a mim, podemos fazer, também, uma outra interpretação: O que Vieira da Silva terá querido dizer, foi que num mundo de mudanças bruscas e sucessivos sobressaltos, os portugueses, já desempregados, podem permanecer tranquilos que o seu estatuto não vai sofrer qualquer alteração inesperada.
Comment by jrd — October 21, 2008 @ 6:08 pm