Deus abscôndito
Sempre que abro uma certa gaveta em busca de um par de peúgas acontece, quase sempre, encontrar lá as peúgas que buscava. Uma vez que, se bem me lembro, jamais lá coloquei peúgas ou o que quer que fosse, pensei hoje, ao abrir a gaveta, que talvez deva ao Deus que provê tal magia um pequeno altar e um pau de incenso. Depois pensei melhor e lembrei-me que, sem prejuízo da oração que se deve ao Deus do nosso coração, talvez não fosse mau passar a lembrar-me mais das gavetas onde os outros buscam mistérios como meias pretas e eu próprio lá depositar essa magia, como um Deus abscôndito, um milagre quotidiano, enfim, esse mistério que ordena e movimenta o cosmos.
A famosa e tão controversa mão invisível pode afinal não ser a do mago negro que manipula e desorienta o nosso caminhar pelo mundo mas, pelo contrário, a dos magos brancos que, sem sequer neles repararmos, vão alimentando as nossas gavetas de peúgas dobradas com cheiro a fresco e outros mistérios da criação. É a esses que eu hoje devo o meu respeito e a mais funda gratidão.
   
E que bem que as peúgas ficam na gaveta. Já o mesmo não se pode dizer de outras “coisas” a quem deram com os pés…
Comment by jrd — October 20, 2008 @ 4:05 pm