Ligações      Arquivos      Contactos

November 16, 2007

dia do não fumador

[Arquivado em: Geral]

Contra o fundamentalismo, fumar, fumar!

November 15, 2007

vanitas

[Arquivado em: Geral, Sociedade, O bem e o mal]

Fieis depositários do legado de Hipócrates, por dever de ofício, os médicos portugueses encarnam agora Antígona, por dever de consciência. Instados pelo presidente da comissão liquidatária do Serviço Nacional de Saúde, o ministro Correia de Campos, na sequência de um parecer da Procuradoria Geral da República que ordenava a “reposição da legalidade” no seu Código Deontológico, a Ordem dos Médicos responde como Antígona a Creonte: não! Não se obedece à lei humana se ela contraria a lei divina. É este o princípio basilar da objecção de consciência.

Claro que a individualização da vontade e da liberdade de que a consciência é corolário é um corpo estranho na doutrina jacobina que nos governa. Estes novos democratas republicanos (no pior sentido da expressão), estes homens de avental na cintura e esquadro nas patas, pretendem alterar e uniformizar por leis e decretos a consciência da populaça ignara. É um velho desígnio republicano: educar e modernizar. No fundo, partem do mesmo prisma que deu origem a Hitler, Mussolini e Estaline – a visão de uma sociedade agostiniana, homogénea, compassada, onde a cúpula, na forma do Estado moderno, dita a uniformização de pensamento e de comportamentos. Na versão do PS de Sócrates, isto significa tecnologia para os olhos e clonagem politicamente correcta. Sempre através da positivação da lei, transformada em ideologia do partido do poder (neste sentido é significativa a frase do bacharel quando referiu anteontem que «o PS está há dois anos no Governo e agora preside à Comissão Europeia»). Copia-se acefalamente o que se fez no estrangeiro (mas, por vezes, até de uma forma natural) há séculos e não se tem em conta a diversidade de ritmos, hábitos, tradições e idiossincrasia dos povos. Ou seja, a liberdade.

As leis jacobinas (na verdade, o pacote de leis do jacobinismo neo-liberal que se vai criando até 2010, ano do centenário da República) visam modificar à força os costumes da sociedade. É o aborto, é a retirada dos crucifixos das escolas e hospitais, são os códigos de ética das profissões (jornalistas e médicos, para já), é a proibição fascista do tabaco, são os “temas fracturantes” tão ao gosto das asquerosas juventudes partidárias – a seguir vem o casamento e adopção de crianças entre e por gays ou mesmo por fufas e paneleiros. Tudo o que vise "modernizar" as instituições decadentes como a Igreja e a família. É o progresso humanista no seu melhor, a utopia positivista no século XXI, desta vez sem a desculpa da ignorância. É a vanitas. E nós sabemos onde isto vai dar.

October 19, 2007

carta enviada à Lagardère

[Arquivado em: Geral, Publicidade]

Exmos. Senhores responsáveis pelo Grupo Lagardère
Recebi uma carta (é exagero chamar carta a um papel não endereçado nem assinado, mas enfim) dirigida a um qualquer “caro assinante”, referindo que «motivos vários levaram o Grupo Lagardère, proprietário da revista PREMIERE a descontinuar esta publicação», razão pela qual me devolvem o pedido de assinatura e o cheque destinado ao seu pagamento.
Ora, não vejo por que me tratam como “assinante”, uma vez que, precisamente, recusam a assinatura da revista. Dizem V. Exas. que “descontinuam” a publicação, isto é, acabam com ela. Descontinuar é uma palavra tão boa para se referirem ao fecho de uma revista como inviver será para designar um morto. Mas adiante.
Este mail serve, no entanto, para reclamar a V. Exas. muito mais que a perícia com que manejam a língua portuguesa, como a desconsideração com que tratam os vossos clientes (para não falar dos trabalhadores da empresa, objecto do desprezo material com que o Grupo Lagardère brinda as pessoas).
Na verdade, eu e a PREMIERE tínhamos celebrado um contrato; contrato esse, aliás, proposto pela empresa e não por mim. Propuseram-me na penúltima edição a assinatura durante um ano da vossa revista, mediante o pagamento de um preço e, como oferta da subscrição, o envio de um dvd do filme “Fur”. Eu aceitei o negócio e, com o envio do cheque para pagamento, estava fechado o contrato. O resto é conhecido: não cheguei a receber qualquer número da revista pois, logo no número seguinte, este transformou-se no último. É a chamada descontinuação. Porém, ainda que não me tenha sido descontado o cheque (que se tornou inútil e não reaproveitável – e todos sabemos como estão caros os cheques; como os selos do correio, aliás), falta cumprir outra parte do acordo: a oferta do com o filme “Fur”.
Suponho que têm várias cópias do filme em stock para envio aos idiotas que, como eu, partiram do pressuposto que a empresa realizava os negócios que manifestava publicamente vontade de celebrar.
Assim, caso não tenham descontinuado os dvd’s, peço o favor de cumprirem com a vossa palavra (ou parte dela, pelo menos) e me enviem o dvd do filme “Fur”.
Na expectativa de notícias vossas, desejo-vos os maiores insucessos no mundo do comércio e que (sem prejuízo do êxito profissional dos vossos infelizes e valorosos trabalhadores) abram falência muito em breve.

O quase assinante,
Carlos Cunha
(morada) 

PS: talvez “Lagardère” não seja um grande nome para uma empresa em Portugal. Perguntem a alguém.

October 10, 2007

jus in re propria

[Arquivado em: Geral, Corneta]

Sem recurso a actividades ilícitas, já oiço o novo trabalho dos Radiohead, In Rainbows, que sairá para as lojas apenas em Dezembro. O disco já está disponível para compra pelo site e a grande novidade é que incumbe ao comprador escolher a quantia que está disposto a desembolsar pela versão para download do disco, no formato MP3. A grande parte dos utilizadores está a pagar uma libra, mas é possível não pagar nada. (ver também aqui).

Eu, como gosto muito dos rapazes, escolhi a modalidade caríssima (40 libras), encomendando a modalidade que me fará sentir especial no coração de Thom Yorke, a discbox que, para além do referido download, inclui esta versão já em cd e ainda outro cd de bónus, dois vinis, um livro e fotos.

É uma opção moral, num tempo em que é possível ter quase toda a música que se deseja sem ter de pagar por isso, contornando os legítimos direitos dos autores e a ganância das editoras que providenciam os meios técnicos para a edição e distribuição. Se alguém merece que se gaste dinheiro para desfrutar da cultura que produz, são (a par dos Soaked Lamb) os Radiohead. Assim, o meu dinheirinho foi directamente para a banda, sem que os mercadores se fiquem a rir com os lucros obscenos que ainda têm. 

October 9, 2007

sic

[Arquivado em: Geral]

«Por amor de Deus, pá!» - José Pinto de Sousa, aka José Sócrates (gosto de tratar as pessoas com o nome de família), licenciado com certificado de habilitações emitido num domingo, numa resposta sobre a invasão policial, à paisana e sem mandato, a um sindicato de professores na Covilhã na véspera do mesmo se deslocar à cidade.

October 3, 2007

petit

[Arquivado em: Geral]

Dá a impressão que o Fernando Santos não conseguia fazer pior.

September 26, 2007

culpa in eligendo

[Arquivado em: Geral, Sociedade]
Aparentemente com a quotas em dia (que alguém paga por ela), a minha tia vai votar nas próximas eleições do PSD. Perguntei-lhe em quem. Respondeu "naquele lá de cima". "No Menezes?! O Menezes é uma espécie de Santana e Sócrates juntos, tia". "Então, mas este não faz nada."

September 13, 2007

ex æcquo

[Arquivado em: Geral]

Scolari e Sócrates são pares, ambos gerados pelo grande útero futebolístico que os conduziu ao incenso da populaça. Scolari foi campeão do mundo pelo Brasil em 2002 no Mundial da Coreia do Sul / Japão, conseguindo o feito de pôr jogadores talentosos a jogar um futebol triste, feio e pesado. Sócrates subiu uns degraus na sua carreira política quando pulou abraçado a Carlos Cruz, festejando o facto de Portugal ter sido escolhido para organizar um torneio de futebol, numa altura em que não estava na moda a preocupação com os rigores do déficit público e se podia obscenamente esbanjar milhares  de contos dos nossos impostos em estádios de futebol, agora votados ao destino previsível do apodrecimento. Antes disso, o engenheiro cujo diploma de licenciatura foi emitido a um domingo era apenas um desconhecido carreirista do funcionalismo público de topo que se limitava a ordenar a transposição de directivas comunitárias sobre o consumo, o ambiente e  o ordenamento do território.

Como Sócrates, Scolari forma as suas equipas, a quem chama “família”, criando falsos inimigos externos, mesmo que para isso tenha de criar obstáculos artificiais, escolhendo vítimas aleatoriamente, de modo a provar a sua determinação e poder. Sócrates anestesia os cidadãos com medidas inúteis e provocatórias contra professores, magistrados, doentes, grávidas e funcionários públicos. Scolari afastou Romário (muito popular nos adeptos brasileiros) no Mundial de 2002, atiçou Pinto da Costa ao não convocar Vítor Baía (infinitamente superior a Ricardo, há 3 e 4 anos) no Euro 2004, chegando a seleccionar o 3º guarda-redes do F.C.Porto, e prosseguiu a teima ao ignorar o Ricardo Quaresma. Ao que parece, esta receita une a “famiglia” e conquista as almas dos adeptos, em especial dos saudosistas de um ditador patético. No país discutiu-se os recém descobertos “privilégios” dos magistrados, dos professores e dos funcionários públicos e no PS foram afastadas vozes incómodas como Manuel Alegre (mais voz que outra coisa) e os serviçais da ala esquerda, com o convite envenenado a Mário Soares. Ficam assim dominadas as consciências.

Daqui decorrem os feitos dos gemelgos. Um aproveitou a estrutura e os jogadores que José Mourinho tinha construído e levado a vencer uma Taça Uefa e uma Liga dos Campeões e conduziu uma brilhante equipa nacional a uma final perdida. Na jornada do Mundial de 2006, e depois de ultrapassar o difícil grupo onde pontuavam as potências do futebol moderno como a Angola e o Irão, a selecção de todos vós venceu um só jogo (com a Holanda, a quem Portugal sempre ganha), empatou outro (com a Inglaterra) e perdeu os outros dois (com uma França a jogar a passo, numa poupança de esforços para a final, e com a Alemanha). Sócrates venceu as legislativas ao menino-guerreiro, que o ignóbil Durão Barroso tinha legado ao país. Pelo meio, nos grupos de apuramento, a selecção afastou concorrentes como a Eslováquia, a Letónia, o Liechtenstein, o Luxemburgo, e debate-se agora com a Finlândia, a Polónia, a Arménia, o Cazaquistão e o Azerbaijão. Sócrates afastou Manuel Alegre e João Soares, e tem como oposição política o convalescente centro de emprego “social-democrata”.

Ambos os gémeos são exímios manipuladores dos sentimentos da turba através de astúcias publicitárias indecorosas. São as bandeirinhas à janela, as criancinhas figurantes nas apresentações de medidas políticas irrelevantes, o espectáculo da entrega de computadores nas escolas, enfim, o trabalho de filigrana com o jornalismo dormente. Quando a realidade insiste em se mostrar, os gémeos optam por uma de duas soluções: ou são arrogantes e grosseiros, revelando uma irritação de quem não está habituado a ser contrariado, e disparando as culpas para os outros (o preço do petróleo, o desconhecimento da realidade financeira que herdaram, a actuação dos antecessores, o azar, o árbitro, os adversários que correm muito!) ou despejam um paternalismo ridículo em tom pedagógico, mentindo sem honra nem pudor ("quando for primeiro-ministro, a primeira medida do governo será revogar as novas disposições do Código do Trabalho, ofensivas dos direitos dos trabalhadores"; "NÃO AUMENTAREI OS IMPOSTOS, já bastou o aumento provisório do IVA para 19%, que onerou injustamente todas as famílias portuguesas"*; "imagem ou não imagem, não toquei num cabelo do jogador, estava só a proteger o Quaresma").

Ambos são muito corajosos com os mais fracos. Batem com a mão esquerda, protegidos que estão pelos corpos dos outros, são agressivos com os pequenos que não lhes podem resistir. Quando confrontados com gente grande, é o que se vê: negam a evidência, são subservientes (com Bill Gates, com os chineses, a quem o governo quis oferecer as benesses dos baixos salários e a débil oposição social) e cobardes. O Dalai Lama e os direitos humanos que se danem. Fumar é que não!

Não merecemos menos.

* anteontem benzeu-se novamente, o hipócrita.

August 1, 2007

manderlay

[Arquivado em: Geral]

Manderlay (2005), um grande filme de Lars von Trier, passa hoje no Lusomundo Gallery, às 21:00 horas. É de aproveitar, uma vez que o filme foi subtraído ao circuito comercial.

manderlay poster

Mais tarde trocamos umas ideias sobre o assunto.

July 23, 2007

cinema de verão

[Arquivado em: Geral, Mitologia]

Esta semana, na RTP 1, quatro filmes com a Nicole Kidman: Calma de Morte (Dead Calm, 1989), Os Outros (The Others, 2001), Disposta a Tudo (To Die For, 1995) e Da Rússia, com Amor (Birthday Girl, 2001).

dead calmthe others

 

 

 

to die forbirthday girl

 

 

 

 

Anterior - Próxima