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March 8, 2007

E se houver um adeus

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Tenho que confessar, que vi a gala dos cinquenta anos da RTP. É assim, aliás, que me vou apercebendo de como estou a ficar velha.
Entre os momentos de seca e os momentos de riso, houve um de choque. Carlos Cruz, fez uma gravação da sua prisão domiciliária, presumo, e deu os parabéns à RTP. Como se não bastasse, a plateia aplaude em ovação e de pé.
Não é que o homem já tenha sido declarado culpado, mas pode vir a sê-lo e se isso acontecer, não me parece que o apresentador de televisão suplante em grandeza, o pedófilo.
A gala passava bem sem Carlos Cruz e, tanto ele como o público, deviam ter-se abstido.

January 22, 2007

Dêem-lhe liberdade de escolha

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Que o povo vota logo num ditador.

December 7, 2006

400

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Continuando o tema miséria, tão bem retratado no post anterior, não posso deixar de comentar o aumento do nosso ordenado mínimo.
Lobo Xavier, dizia no “Quadratura do Círculo”, que fica muito contente com o novo valor, mas atenção! é preciso que a economia cresça para que esse valor se enquadre na realidade económica do nosso país.
Eu, poria as coisas doutra maneira, dr.: é preciso [urgentemente] que esse valor cresça para que ele se enquadre na realidade económica do nosso país.
É que, desculpem, mas quem é que acha seriamente, que se vive com quatrocentos euros neste país? 

 

November 22, 2006

Mas eles têm neve e abetos de Natal e nós não

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Não deixa de me impressionar que se tenha conseguido convencer os patrões a pagar uma coisa chamada subsídio de Natal, que é tão somente dinheiro extra para irmos estoirar nas compras, encher os centros comerciais e dar mais uma vez a oportunidade aos nossos comerciantes de se virem queixar para a televisão que-isto-este-ano-está-muito-mal.
Por outro lado, soube há uns dias, que há alguns países, como a Alemanha, em que os patrões não foram na cantoria natalícia, embora tenham embarcado noutras que duram o ano inteiro: por exemplo, 1 ano de licença de parto e dar a opção a um dos pais de ficar em casa com os filhos até aos cinco anos, recebendo um subsídio e assegurando o posto de trabalho.
Boas compras, pode ser que nos cruzemos no Chiado. 

October 24, 2006

O terror da marioneta

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“Pensamos que o preço vale a pena”, Madeleine Albrright, quando interrogada sobre se a morte de meio milhão de crianças iraquianas era um preço que valesse a pena pagar pelas sanções.

“Eles sabem que nós possuímos o país deles… nós ditamos a forma como vivem e conversam. E é isso que é grandioso na América hoje em dia. É muito bom, especialmente quando eles têm imenso petróleo de que nós precisamos”, Brigadeiro-general William Looney, Força Aérea dos Estados Unidos, que dirigiu o bombardeamento do Iraque de 1991. 

Ambas retiradas de “O Mundo nas Mãos”, de John Pilger

 

No referendo para a despenalização da IVG de 1998, o não teve mais percentagem que o sim e a abstenção teve mais percentagem que estes dois juntos. Não vamos brincar com os números, e vamos fazer as leituras certas. A meses do novo referendo, corre-se o risco de a abstenção ter uma percentagem próxima dos 50. Menor, mas muito significativa. Portanto, deixemo-nos de conversa fiada, deixemos para lá o apontar de dedos e o tom acusador do são-uns-irresponsáveis.
A abstenção, expressa uma intenção. Com maior ou menor consciência, ela é uma mensagem muito clara e vai muito além do voto nulo ou em branco. Estes dizem apenas não quero nenhuma destas marionetas de carne sentadas no parlamento. A abstenção numa eleição, diz, para quem quiser ouvir, não quero este sistema tal como está. Não quero um sistema político em que é impune a mentira, a manipulação, o roubo, a incompetência, os interesses económicos, a invasão de países, os voos secretos da CIA com prisioneiros, o ordenamento de sanções económicas que fazem morrer civis aos milhares, o faz-o-que-eu-digo-não-faças-o-que-eu-faço, a infindável exploração e manipulação económica dos países pobres pelos países ricos, a imposição dos nossos valores aos outros pela guerra ou por outro meio qualquer, a hipócrita desculpa dos direitos humanos e da liberdade — que serve para tudo e mais alguma coisa—, e em que é institucionalmente aceite que o julgamento dos responsáveis por tudo isto e infelizmente muito mais, se faça nas urnas. Bush filho, é responsável até agora pela morte de perto de 650.000 iraquianos e… E nada.
A abstenção, expressa a total descredibilzação naquilo em que se tornou este sistema político e não apenas nas marionetas de carne que se sentam no parlamento. Ora, isto, parece-me importante. Tão importante, que é importante meter na cabeça das pessoas que a abstenção é um acto desprezível, irresponsável, nada democrático, esse conceito intocável e que, sem ser perfeito, todos concordam, é o melhor que se pode arranjar. Não é com certeza, mas fazer acreditar que é, faz parte do Truman Show em que vivemos.
Voltando à abstenção no referendo da Despenalização da I.V.G., existe, presentemente, um número considerável de pessoas que não pretende ir votar e fazem-no conscientemente, já resolveram isso a meses do acto. Será que estão a planear ir para a praia (seus irresponsáveis!), ou quererão dizer qualquer coisa? Do género não quero o referendo ou estou tão desiludido, que, olha, mesmo que chova, vou para a praia.

A abstenção é um acto que não pode continuar a ser ignorado, muito menos desprezado, pois ela expressa uma convicção e uma vontade de mudança maior do que os eleitores votantes engolidores de sapos (e se os há aos milhares), que apenas expressam a vontade de mudança das marionetas e expressam demasiadas vezes, um do-mal-o-menos. A abstenção quer um vamos-fazer-melhor, quer uma ruptura, e abrirá um dia caminho para uma revolução feita em moldes modernos, dando origem à construção de um sistema político diferente e com certeza melhor do que aqueles que conhecemos. A isto se chama evolução.

October 18, 2006

É que és tão chato!

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Tal como dizia o meu companheiro CC neste post, isto é só mais uma opinião que não interessa a ninguém, mas mesmo assim, cá vai ela.
Existirá alguma razão que justifique o direito de antena concedido ao personagem José Júdice no “Eixo do Mal”, ou, seja onde for?
O José é de uma chatice sem igual: engasga-se, atropela-se, anda para trás e para a frente, tem um discurso totalmente caótico, incompreensível, infindável, vai buscar assuntos dentro dos assuntos que nada têm a ver com os assuntos que ele próprio introduziu; tem total falta de clareza naquilo que diz, e em 99% das vezes que o ouvi, não consegui entender um mínimo do que queria dizer. A menos que nada quisesse dizer.
Um dia, no entanto, quebrou a regra e foi claro: o José está a favor da taxa “moderadora” nos internamentos dos hospitais públicos, porque parece que há muitas pessoas que aproveitam o facto de estarem internadas para ficarem mais tempo do que o que seria necessário, porque não querem voltar para casa, e portanto, faz todo o sentido que paguem a sua estadia. Aliás, e por falar em estadia, passo a transcrever, diz ele que “… por cinco euros por dia, vou começar a passar férias no hospital em vez de ir para o Ritz”. Tivesse o José sentido de humor, e a piadola poderia inserir-se na categoria do humor negro. Eu diria antes que se insere na categoria da total falta de categoria.
Por outro lado, nem eu sei porque é que lhe estou a dar tempo de antena aqui, no meu próprio blog. Se calhar, é porque, como disse a Clara Ferreira Alves, os blogs são, entre outros, novos instrumentos de revolta e de manifestação contra aquilo que nos chateia. E o José chateia-me profundamente.

September 11, 2006

Só mesmo alguém completamente demente.

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Tive um pesadelo. Que iam privatizar a Segurança Social, diziam. Acordei, belisquei-me, percebi que não, que era um sonho mau, terrível, inconcebível, que era uma invenção.
Afinal, caramba, que raio de mente podia inventar uma coisa dessas?

 

August 31, 2006

Por acaso, até nem quis.

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August 11, 2006

Com os olhos que a terra há-de comer

[Arquivado em: Geral, Sociedade]

 

Sou da firme opinião que a luta contra o terrorismo está longe de se fazer com a “estratégia” engendrada pelos líderes europeus e aquele indivíduo que habita do outro lado do Atlântico. A meu ver, a ideia de andar numa busca incessante por terroristas no meio de milhões de indivíduos que apenas andam na sua vidinha, é uma realidade pouco verdadeira. Pode ser que de vez em quando se tropece num ou noutro, mas a isto não se pode chamar propriamente uma estratégia.
Mas, para me fazer calar, já não é a primeira vez que os serviços secretos do Tony e do George (olha quem…), desmantelam um enorme atentado terrorista.
Não é meu costume, de maneira nenhuma, ter a mania das conspirações, mas…
Não será verdade que de vez em quando, convém demonstrar que a “estratégia” está a funcionar? Que volta e meia convém prender uma dúzia de radicais? E que, vêm mesmo a calhar mais um ou dois motivozitos para que Israel possa continuar em paz, a sua guerra? Ainda por cima, hoje é dia 11.

Seria? Não seria?
No pacote Democracia/Liberdade, vem o direito à informação, mas será que, tal como noutro sistema qualquer, estarão a deixar-nos ver uma determinada realidade ou a verdade?

 

July 25, 2006

Neste caso, o que está de fora não é o mesmo que o que está de dentro.

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Depois de assistir às resposta-contra-resposta entre a Carla Bomba Inteligente e o HMBF Insónia sobre a resposta-contra-resposta entre Líbano e Israel, não resisto a pegar numa pontinha, e lançar um novo tema.
Diz a Carla que “Tenho de repensar esta história da defesa da liberdade de expressão…” a propósito de uns comentários anti-semitas que soaram num qualquer programa televisivo.
A Carla, não é a única que sente reservas relativamente à liberdade de expressão quando, note-se bem, esta a atinge. É que isto da liberdade de expressão tem muito que se lhe diga: obedece a regras que ninguém sabe muito bem quais são, uma vez que elas variam consoante aquele que exerce a liberdade de expressão e aquele que se sente ofendido. E, aquele que um dia condena o excesso de liberdade no que toca à expressão, pode ser o mesmo que no dia seguinte a defende cegamente caso o tema o não afecte ou com ele esteja de acordo. Todos somos absolutamente a favor da liberdade de expressão desde que as pessoas que se expressam pensem como nós, ou pelo menos não se excedam, dentro de determinados padrões de excesso: os nossos.

Sob este ponto de vista, e usando da minha própria liberdade de expressão (ainda por cima concordo em absoluto com o que vou dizer a seguir), gostaria apenas de refutar uma outra afirmação da Carla, desta feita sobre a guerra. Diz ela, no mesmo post que “A actos de guerra responde-se com actos de guerra. Por isso o conceito de desproporcionalidade é mera poeira hipócrita que anda por aí a circular.(…) A guerra é uma coisa horrível, em si desproporcionada, em que morrem civis.” 
Certamente, a Carla fica horrorizada porque nos atentados terrosistas morrem civis. Eu também. E acrescento que, a mim, me horroriza da mesmíssima forma a morte de todos os civis vítimas de qualquer conflito.  É uma questão de princípio.
É que a única diferença entre uma guerra oficial e uma guerra oficiosa, é a de que cada um luta com as armas que tem… porque civis, são sempre civis e não há mortes civis mais justificáveis que outras.
Opiniões.

E assim, as guerras e os sofrimentos vão acontecendo, lá bem longe, e todos nós, bem de longe, expressamos opiniões. Mas não passam disso mesmo, porque somente quando os que estão de fora souberem colocar-se no lugar dos que estão de dentro, deixarão de haver hesitações quanto ao uso da Liberdade de Expressão.

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