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January 28, 2007

Eu mereço!

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O Baixa Autoridade é o meu primeiro blogue. Ou melhor, é o primeiro blogue onde escrevi. Quando recebi o convite, vi-o como uma honra, nem eu sei bem porquê… Depois, e apesar disso, sei que nunca contribuí com grande coisa para a construção deste espaço. E para piorar as coisas, e definitivamente ser uma mal agradecida, ultimamente tenho andado a escrever as minhas opiniões e pensamentos (sobre o aborto e outras coisas) neste blogue: www.arotadaseda.blogspot.com Não sei se vou voltar a escrever aqui, mas se vos parecer bem, podem já bloquear-me o acesso. Eu mereço!

November 30, 2006

Manhãs de Inverno

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Uma manhã de quinta-feira, véspera de feriado, em pleno Inverno, tem sempre um leve aroma  surrealista. Deve ser por isso que o Diário de Notícias tem um hoje esta linda manchete: "Comemos mais sal do que os espanhóis"?????!!!!!!! Estou indecisa entre chorar de tristeza ou gritar de raiva. 

November 20, 2006

A idade do siso

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Passei boa parte do fim de semana (e assim continuo) com uma dor de dentes que não é bem uma dor, é mais um permanente mal-estar por causa de um dente que quer sair à força num sítio onde tem pouco espaço porque os restantes resistem ao seu aparecimento. Resumindo: está a nascer-me (ou a tentar nascer) um dente do siso (como se diz na minha terra), ou do juízo (como se diz noutras terras). Apesar dos meus 32 anos mais do que completos, custa-me pensar que chegou esta hora.

November 16, 2006

Junho de 2004

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No dia 26 de Junho de 2004, o correspondente do El País em Bruxelas escrevia o seguinte, a propósito da então já quase confirmada ida de Durão Barroso para a Comissão Europeia:
 
 
“En contra de Barroso, cuya candidatura
para presidir la Comisión
la lanzó él mismo en la cumbre
con escaso éxito inicial, contó el
hecho de que el primer ministro
portugués figuró como anfitrión
en la foto de las Azores con los tres
líderes que apoyaron la guerra de
Irak (George W. Bush, Tony Blair
y José María Aznar).”
 
O texto completo, com o pdf da página do jornal, está aqui: http://www.elpais.es/archivo/pdf/20040626elpepi_2.pdf
(é o texto que está na parte de baixo da página)
 
 
Na altura surpreendeu-me muitíssimo que ninguém, em Portugal, desse atenção a este parágrafo (o destacado a negrito é meu). Parece que só agora, dois anos depois, e a propósito do lançamento do livro do Santana Lopes, é que o país toma consciência do que realmente aconteceu: Barroso queria ir-se embora, fez tudo por tudo para abandonar Portugal, não foi “obrigado” pelos pares europeus a assumir o cargo que tem agora. Para usar a terminologia política (e que ele mesmo não se cansou de usar contra Guterres): é um cobarde que abandonou o barco. Só que nunca assumiu. Nas primeiras páginas do seu livro (as que eu li), Santana Lopes diz, repete e insiste nisto: Durão estava farto, pensava em ir embora há muito tempo, ele e muitas pessoas à sua volta trabalhavam nisso muito antes das eleições europeias de 13 de Junho. O livro de Santana Lopes tem poucos mais méritos do que este de mostrar que tipo de pessoa é Durão Barroso, mas pelo menos sempre nos faz esse favor, que eu, pessoalmente, muito agradeço.

November 15, 2006

Espanha

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Estive a ler o artigo do Enrique Pinto-Coelho sobre a relação Portugal/Espanha, publicado na revista Atlântico deste mês (http://revista-atlantico.blogspot.com/). Gostei muito, mas de um luso-espanhol, que conhece bem os dois países, só podia sair uma boa relativização das coisas. Concordo com quase tudo, principalmente na defesa da normalmente mal-amada Madrid quando comparada com Barcelona. Quem viveu nas duas cidades e conhece bem a capital espanhola sabe que é uma cidade fantástica, com uma energia incrível e mais cosmopolita do que Barcelona. Que é lindíssima, claro, e nisso costumamos concordar todos, mas que sofre um bocadinho do problema de Lisboa: não quer saber de Madrid; na verdade, odeia Madrid e tem raiva de quem não partilhe este sentimento (e está às vezes tão obcecada com isto, que se esquece de pensar noutras coisas e noutras paragens: deve ser por isso que têm um especial carinho por Portugal…). No texto da Atlântico só não concordo totalmente com isto: “O português escrito está ao alcance da maioria dos espanhóis, mas a compreensão da língua oral continua a ser (para a grande maioria) um ordálio. Por outras palavras: não percebem patavina. A fonética lusa é deveras complicada, mais ainda quando comparada com a do linear castelhano. Um exemplo: as vogais espanholas são sempre abertas (cinco vogais, cinco únicos sons).” Ou seja, porque eles têm tão poucos sons, não percebem patavina de português: é verdade. Mas isto aplica-se a outros idiomas: os espanhóis não entendem patavina de francês, inglês e por aí fora. Falar, muito menos! O que eu quero dizer com isto (e é isto que normalmente os portugueses não entendem) é que os espanhóis não falam nem entendem português porque não falam nem entendem nenhum idioma estrangeiro. Não é nada contra nós, ou desdém específico por Portugal.

November 7, 2006

Puñeteros

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Este post ( http://5dias.net/2006/11/02/existe ), ou a história que ele conta, diz muitíssimo mais sobre Portugal e, no caso específico, sobre a nossa relação com Espanha, do que todos os livros e artigos de opinião que se têm escrito sobre a nossa identidade e o “problema” de termos a geografia que temos. Sim, existe um problema, mas que é (quase) exclusivamente nosso e tem muito pouco a ver com a atitude espanhola em relação em Portugal. E somos assim em relação a tudo e a todos. Este post faz-me lembrar os noticiários que temos e os jornais que publicamos, onde a informação internacional é praticamente nula ou miserável, mal contextualizada, relegada para segundíssimo plano. E por isso vivemos obecados com os nossos pequenos (e grandes) infortúnios, sem sermos capazes de os relativizar e de nos relativizarmos, ignorantes de tudo e afastados de todos. Martirizados com as nossas intermináveis crises existencias (e não só…) e a transformá-las no maior problema deste planeta. E, claro, sempre aflitos e despeitados com aquilo que os outros pensam de nós. Como diriam os espanhóis, somos uns “puñeteros”.

October 28, 2006

E por falar em desonestidade…

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…e em jornal Sol, há um texto na mesma revista sobre o novo livro da jornalista Felícia Cabrita, por acaso repórter do semanário. A primeira parte do artigo, que está só assinado pela própria Felícia (embora a assinatura não seja bem evidente, porque aparece ao lado de uma fotografia da senhora, mas uma comparação com o grafismo das outras reportagens leva a concluir que sim, é ela mesma que faz tudo: escreve o artigo sobre o seu próprio livro e ainda há uma imagem dela a ilustrar tudo…) elogia o livro (grande surpresa!!!), numa escrita na terceira pessoa, algo no género: Felicia Cabrita, depois de um fantástico trabalho de investigação, desvenda um novo Salazar! E, de repente, sem pré-aviso nem sequer umas míseras aspas, começam a reproduzir-se bocados do livro. É a isto que eu chamo (sem grande criatividade, confesso, mas depois de ver uma coisa destas, só me ocorre mesmo isto) jornalismo de merda. Já agora, aproveito para dizer que o Sol está cheio dele. 

Não suporto…

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… as reportagens da revista do jornal Sol sob a temática "Famílias Numerosas" que, ao contrário do que imaginei inicialmente, é uma rubrica fixa da publicação. Ainda se tivesse sido uma reportagem sobre famílas numerosas de diversos níveis e origens socias… Mas agora todas as semans vermos um belo textinho a contar as inúmeras riquezas e alegrias de se ter 10 filhos, viver numa boa vivenda e colocar os meninos em escolas de música… O que eu gostava, já agora, era que me contassem também a história de uma família com uns quatro filhos, da verdadeira classe média (já nem peço baixa) a viver num subúrbio de Lisboa que não seja o centro de Cascais e cujos filhos frequentam a escola pública do bairro. Aí sim, gostava de saber que actividades extra-curriculares têm estes meninos e como é que os pais fazem para os levar ao cinema. Não suporto propagandas desonestas e ocultas.

October 26, 2006

Pela Vida

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A partir do blogue do não, cheguei ao blogue Pela Vida e encontrei este texto: http://antiaborto.blogspot.com/2006/10/outra-razo-para-dizer-no-ao-aborto.html, com o inacreditável título: "Outra Razão Para dizer não ao aborto - defender o não é defender o Sangue de Portugal". Como respeito os defensores do não, aconselho-os a não se meterem com esta gente e a dar-lhes voz… O texto foi escrito por um homem (aliás, neste blogue, entre os inúmeros autores só identifiquei uma mulher!) que diz, a determinada altura, entre variadíssimas barbaridades que não quero transcrever, o seguinte: "uma mulher portuguesa tem menos do que dois filhos", justificando a raíz do problema com esta frase. Ah! Então, afinal, o problema é feminino?! Por que é que este senhor não usa estatísticas que se refiram a toda a população? Ou os homens não têm responsabilidade nisso?

O blogue do não

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Estive agora a ler o blogue do não ( bloguedonao.blogspot.com ). Em 20 autores do blogue, há 2 mulheres e 18 homens. Parece-me que há aqui alguma coisa desequilibrada e também ligeiramente non sense. A mim, parece-me também sintomático de muitas coisas…

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