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October 25, 2006

Fins do mundo

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Um artigo da edição de ontem do El Pais ( http://www.elpais.es/articuloCompleto/portada/
violencia/bandas/jovenes/resurge/suburbios/franceses
/elpepiint/20061024elpepiint_2/Tes/
) veio confirmar-me uma coisa em que tinha andado a pensar ultimamente. O texto tem por título: “El vandalismo en los suburbios franceses se mantiene a un año de los disturbios” e explica como a violência nas ruas de alguns bairros franceses continua, e com a mesma intensidade, embora há cerca de um ano não oiçamos falar do assunto. Não sei se é impressão minha, mas isto é frequente: de vez em quando, parece que o apocalipse está a acontecer numa determinada parte do mundo. E, de repente, de um dia para o outro, o fim do mundo é esquecido e sai das páginas dos jornais que até à edição anterior monopolizava. É o caso do Líbano, por exemplo. A guerra acabou?! Ou os correspondentes e jornalistas desistiram dela? O que é que se passa?! É para não maçar os leitores, espectadores e ouvintes? Como se tudo fosse um programa de entretenimento puro, em que tudo tem de estar em movimento, cheio de novidades? E os leitores, espectadores e ouvintes não são mais exigentes porquê?

October 19, 2006

Só mais uma coisinha…

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Ainda sobre o aborto, só mais uma perguntinha a quem defende o "não" à despenalização até às 10 semanas, a pedido da mulher: então continuamos a criminalizar o aborto e proibimos os senhores da polícia e do ministério público de perseguir quem o fizer, para não enxovalharmos ninguém, e pronto? As enfermeiras/parteiras vão continuar a enriquecer à custa das 20000 a 40000 mulheres que todos os anos fazem um aborto clandestino? é que já sabemos, pela experiência das últimas décadas, que não é por ser proibido que o aborto não se faz e não é por haver muito contraceptivos no mercado que ele diminui. Faz-se é na clandestinidade. Isto não é um problema? Então e a solução para este problema qual é?

Lamento, mas…

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Lamento, mas a resposta ao referendo anterior sobre o aborto não foi "não". Efectivamente, toda a gente se estava a lixar para a questão e só 30% foram votar. Os números são os números. E agora só resta que pelo menos 50% vão votar e, se assim o desejarem, que a maioria vote "não". Aí toda a gente se cala e pronto. Mas têm de ir votar… Agora o que não vale é fazer debates desleais (como, inveitavelmente, irá acontecer, já estou preparada…). Um exemplo: ilustrar o post abaixo com um feto em final de gestação. Aquela imagem não é, OBJECTIVAMENTE, de um feto de 10 semanas, nem de 12…

Outra vez o aborto

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Hoje o aborto volta à Assembleia, com os argumentos do costume. Por se repetir continuamente, sem resultados, temo que o debate se banalize e acabe por cansar os eleitores, de cujos votos depende o referendo que o PS inventou há anos e de que agora é refém. Mas talvez seja melhor assim. Se se conseguir levar as pessoas a votar. No estado em que estão as coisas, estou transformada numa fundamentalista (não sei bem se este é o melhor termo, mas enfim…): acho que só as mulheres deviam ir votar. Não porque pense que isto não é nada com eles, mas simplesmente porque, para grande desilusão e raiva minha, a maioria dos homens que conheço de facto não sente que isto seja com eles. É a dura realidade, por muito que me custe…

Hoje, no Público, Zita Seabra ocupa uma página inteira a tentar defender o indefensável: manter a lei que existe, mas pedindo um travão para a malta do Ministério Público que vergonhosamente persegue as mulheres que, desesperadas, recorrem ao aborto. Porque uma mulher nunca aborta de ânimo leve, é sempre uma dor, fica eternamente a pesar-llhe uma culpa. E isto já é castigo suficiente, não é preciso os senhores investigadores andarem atrás delas para as acusarem e enxovalharem na praça pública. A lei, no entanto, deve manter-se, porque o aborto não é nenhum método contraceptivo e, nos tempos em que estamos, onde toda a gente pode ter acesso ao planeamento familiar, a liberalização do aborto até às 10 semanas não se justifica. Tudo isto segundo Zita Seabra, que recorda uma visita à União Soviética em que as mulheres, por o aborto "ser livre" e não haver contraceptivos no mercado, eram obrigadas a constantes interrupções da gravidez e acabram por sair à rua pedindo o fim desta situação.  

Parece óbvio que há algumas contradições, fruto inevitável de uma ânsia de querer agradar a gregos e troianos. Se agora há uma panóplia de métodos contraceptivos no mercado, então, o aborto nunca será usado como mais um, a não ser num número de casos pouco significativos, principalmente se é sempre doloroso e perturbador e se nenhuma mulher (ou muito poucas) o fazem de ânimo leve. Não sei se ando distraída, mas acho que a lei proposta não inclui nenhuma frase que diga que as mulheres vão ser obrigadas a fazer abortos… Isto não é (disso tenho a certeza) a União Soviética. E se a lei o criminaliza, e assim querem que continue a ser, porquê pedir, depois, que ela não se aplique? Pois, é que incomoda sermos lembrados e confrontados com a ideia de que as mulheres, além de se terem visto obrigadas a recorrer ao aborto, ainda têm de sentir na pele que fizeram uma coisa ilegal e na absoluta clandestinidade.

A realidade dos últimos vinte e tal anos diz-nos que a lei que temos não funciona e, por isso, é preciso mudá-la. E a realidade do mundo inteiro diz-nos que, apesar de proibido, o aborto existe e os números não diminuem. Assim como todos os problemas de saúde associados ao aborto clandestino. E, já agora, penso ser urgentíssimo acabar com uma ideia feita e totalmente falsa que anda por aí e que diz que Espanha tem uma lei igual à nossa e a questão está resolvida. Pois, a lei é igual, mas na prática o aborto é livre até às 10 semanas (ou 12, não me lembro bem). É que os espanhóis, ao abrigo da cláusula dos riscos psicológicos para a mãe, fazem os abortos sem grandes complicações, a pedido da mulher que garante que levar a gravidez avante a vai transtornar. E pronto! Para mim, isto é uma hipocrisia e prefiro, por isso mesmo, a proposta do PS português, que assume que quem assim o desejar, pode interromper uma gravidez até às 10 semanas. E já que estou "com a mão na massa", acho os argumentos de Zita Seabra também uma grande hipocrisia. Entendo e respeito muito mais os defensores assumidos do "direito à vida", normalmente por motivos religiosos. Só fico sempre intrigada com os que, neste grupo, defendem também a lei existente com unhas e dentes: então e os bebés frutos de uma violação não têm direito à vida porquê?! E os portadores de deficiência?!

Pode não parecer mas estou farta deste debate…

October 16, 2006

Podia ser uma anedota

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Este texto http://dn.sapo.pt/2006/10/16/opiniao/o_aborto_e_mares_ideologicas.html podia ser uma anedota, ou estar publicado no Inimigo Público, ou ser escrito pelo Ricardo Araújo Pereira. Mas é a sério: é do João César das Neves e está no Diário de Notícias. "Abortar à vontade parece ser moderno" "Se o aborto tivesse sido liberalizado, sofreríamos agora a confusão de temas que países próximos, com leis mais "avançadas", sofrem. E viveríamos os terríveis estragos humanos que por lá se vivem" são as minhas frases preferidas. Hilariante é também a ideia base do texto: a compração (semelhanças) entre as consequências do comunismo e a despenalização do aborto. Só é pena que alguns países desde sempre capitalistas também tenham tomado a decisão trágica de despenalizar o aborto e deixar as mulheres "abortar à vontade". Se não fosse este pequeníssimo pormenor, a teoria do professor era, no mínimo dos mínimos, perfeita. Isto, claro, se não levarmos em conta outro detalhe sem grande importância: este texto/teoria carece totalmente de qualquer sentido…

October 13, 2006

Grandes Portugueses

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Um programa com um título destes não pode propor o nome de Salazar para ser votado como um "grande português". Não entendo a polémica que anda para aí. Muito menos entendo a cedência da RTP à pressão. Agora só faltava o nome sair vencedor…

October 9, 2006

He’s back…

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… parece que o Santana Lopes agora é comentador político da TSF. Ouvi hoje vários anúncios, mas na hora não consegui ouvir (parece-me que fiz de propósito, mas não tenho bem a certeza). O que eu gostava mesmo de saber é porque motivo este senhor, que cavou a sua própria tumba, não é deixado em paz e descanso para todo o sempre. Era tão fácil…

May 7, 2006

Notícias sem explicação…

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Acontece-me com frequência ler um artigo inteirinho num jornal e ficar sem resposta para as questões essenciais abordadas no texto. É que há uma mania no jornalismo português de escrever milhares de caracteres sobre um tema sem nunca o chegar a explicar, a dizer objectivamente o que é que está em causa. Isto porque quem escreve (e depois quem edita e quem manda publicar…) parte do princípio de que todos os seus leitores são gente bem informada, que lê o seu jornal todos os dias, que segue as histórias que andam pelas suas páginas há vários dias… E, por isso, poupa logo uma data de linhas em explicações e contextualizações. Obviamente que isto acontece mais nos jornais vulgarmente apelidados de "referência", o que é compreensível, porque são, geralmente, publicações elitistas, feitas por pessoas que se consideram "superiores" de alguma forma à média e que têm a certezinha absoluta de que estão a conversar com outros da mesma estirpe. A média, obviamente, não lê. Ou lê outras coisitas de menor calibre…. Aconteceu-me hoje com o Público: duas páginas dedicadas às manifestações de imigrantes nos Estados Unidos contra um pacote laboral de que discordam por, aparentemente, tornar a vida ainda mais complicada aos ilegais. Sim, aparentemente, porque a jornalista não se deu ao trabalho de explicar que leis eram essas e contra quê exactamente se manifestaram milhões de pessoas. Aliás, é preciso chegar à segunda página de texto para saber que houve manifestações de imigrantes nos Estados Unidos e que é por isso que a primeira página foi ocupada com a história de uma imigrante portuguesa ilegal nos Estados Unidos (que, por sua vez, não era excepcional, servia só para ilustrar o caso de muitos outros, mas isso também não fica claro e por se tratar só disso também não valia a pena gastar uma página inteira com uma história vulgar, mesmo que seja excepcional do ponto de vista humano e pessoal… Ufa!) Mas continuando, porque isto ainda não acabou. A seguir há mais uma história pessoal, de um imigrante da América Latina. E números e explicações, nada! Finalmente, uma entrevista com um estudioso/perito na matéria. O senhor opina sobre as leis em causa, compara-as com outras… E o leitor, coitado, ainda sem conhecer o conteúdo das leis. Pelo menos, sempre é ele que nos diz quanta gente andou na rua, o que é que isso significa no universo de imigrantes nos EUA e quantos entram ou tentam entrar no país anualmente. Tudo coisas que a jornalista devia ter dito, até muito antes. Manias destas pagam-se caro: continuam a escrever para dois ou três iluminados e depois queixam-se… Ou será que aquilo de que as elites neste país gostam mesmo, lá no íntimo, de forma quase inconsciente, é de manter o povo ignorante e perpetuar esse sentimento diferenciador de ser e pertencer a uma elite? É que tudo aquilo de que acabo de me queixar faz parte das regras mais elementares no jornalismo. Não acredito que os jornalistas, editores e directores do Público as desconheçam (embora, por acaso, às vezes tenha as minhas desconfianças…)

P.S. O que acontece com o Público acontece com outros. É, por exemplo, vulgar que se fale em José Sócrates sem nunca explicar no texto que ele é o primeiro-ministro. É mais uma violação das regras básicas do bom jornalismo. Nem toda a gente sabe quem é José Sócrates, principalmente os que muitas vezes procuram nos jornais informação que os ajude a integrar-se no país, como os estrangeiros.

April 21, 2006

O presidente não existe

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Ouvi uma crónica na TSF sobre a visita de Cavaco Silva às tropas portuguesas que estão na Bósnia (ou seria no Afeganistão?). O trabalho da jornalista foi surrealista: disse que o presidente decidiu fazer esta viagem, "provavelmente porque….", que "eventualmente dirá…", que "talvez", que "é provável". Para alegar a coisa, aproveitou frases que o homem disse no passado e que, mais ou menos, confirmavam as suas especulações. Não consigo entender por que motivo Cavaco Silva não explicou ao País os motivos que o levaram a visitar as tropas, o que pretende com isso, a importância que dá a estas missões. Até posso entender as razões que o levaram a fazer uma campanha silenciosa, mas agora não vejo a necessidade… Será um estilo (vazio)?

Visão

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A Visão desta semana tem, na capa, a notícia da morte de um actor dos Morangos com Açúcar. Esperava ler na reportagem, finalmente, uma análise/explicação do fenómeno que se gerou à volta desta história: como é que uma pessoa tão jovem, com apenas um ano de exposição pública através de uma novela que passa durante a tarde conseguiu arrastar milhares de pessoas para o funeral e levou todas as televisões a abordar o assunto (porque foram bombardeadas com telefonemas de adolescentes e pais)? Infelizmente, a Visão fez como o 24 horas, as revistas cor de rosa e a TVI: traçou um perfil do rapaz (era alegre e tinha muitos amigos, mas nem sequer grande actor), fez uma reportagem sobre o funeral e interessou-se por saber qual o rumo da personagem que ele representava na novela! O pior é que se não foi a Visão a tratar o assunto sem sensacionalismo e a partir de um ponto de vista minimamente sério e interessante, ninguém mais o vai fazer…

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