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October 23, 2006

Homage to Catalonia

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Estou de visita a Barcelona, cidade que já habitei e onde agora sou apenas mais uma turista. Na ordem do dia estao as eleiçoes para a Generalitat, as regionais, despoletadas pela saida Maragall  e pelo fim do governo  tripartito (uma especie de bloco de esquerda - socialistas, esquerda republicana e partido verde comunista) marcado por divergências quanto ao Estatuto Autonomico.  

A animacao eleitoral está garantida, seja por um documentario ao melhor estilo de Michael Moore a que se chamou ConfidencialCat de autoria da CIU (Convergência e União, partido do histórico Jordi Pujol), pelos cartazes em que Albert Rivera (do movimento civico dos cidadaos) aparece completamente nu, com as maos a tapar o sexo, ao soglan  da juventude comunista distribuido via preservativo "Follate a la Derecha" (prontamente retirado no dia seguinte) .

Enquanto Portugal se va haciendo la ilusión de pertencer a essa manta de retalhos a que se convenciona chamar Espanha, o debate politico aqui está ao nível escatológico. Nos cartazes da esquerda republicana já se lê "Humanos como tu" e realmente nunca suspeitei que a classe política fosse qualquer espécie alienígena aparte, mas enfim, se achamos que os nossos sao tristes que pensar destes …

October 16, 2006

Fantasia numa noite de Outono

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Saí da caverna escura e fria onde fico a lamber minhas mágoas para com o mundo e dirigi-me ao Clube Lua, uma outra sala de concertos na capital do Sul. Em palco apresentava-se Owen Pallett: um violino, um teclado, alguns pedais que chegaram (e sobraram) para levar o recinto à apoteose, ao duplo encore e uma pequena multidão a comprar os Cds de Final Fantasy, a banda do Owen. Como cartão de visita está a sua passagem pelos Arcade Fire e talento suficiente para cativar uma sala que não lhe conhecia a obra. Muito sentido de humor ("Shut up you wieners" quando a assistência pede um encore), uma apresentação a partir  de acetatos coloridos que marcava o terreno do naive (ou da fantasia, parecia uma história contada a crianças), uma sucessão de sons que se iam sobrepondo a partir de samples das primeiras notas de cada canção. Owen toca violino, mas os sons recriados vão do baixo ao piano. Isto acrescido de uma boa voz que cria melodias entre o pop e o clássico (com pinceladas de folk). Gostei imenso.

Aqui fica um link para o You Tube (cortesia Fórum Sons). Outro link.

October 14, 2006

Vaga rápida

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Regresso do concerto dos Nouvelle Vague com a sensação reconfortante de ter 25 euros a menos na carteira por 45 minutos de concerto, numa sala apinhada e barulhenta.  Que o Paradise Garage é uma das mais desagradáveis salas de concerto da capital não é novidade, mais a mais agora que a altura média dos portugueses sobe, mas há uma lógica que me escapa naquela entrada a conta gotas (não vá alguém lembrar-se de levar a Uzi para um concerto de bossanova). Se a fila  começa a formar por volta das 20:30 nada mais lógico do que iniciar um concerto logo às 21:05, numa de precisão alemã que isto estamos a ser pagos ao segundo, quando metade da assistência ainda penava na dita fila. O resultado: ouvi 5/6 temas mal acondicionados, o barulho que as pessoas faziam a falar como se estivessem numa qualquer discoteca ultrapassava o baixo, a guitarra acústica e a voz  das simpáticas vocalistas. Houve bons momentos em "Too drunk to fuck", "I just can’t get enough", "The forest" mas o sentimento final é que mais valia ter ficado em casa e ver o Donnie Darko, recordando o "Killing Moon" (que não passou ou estava cá fora) na sua versão original em vez de ter dado dinheiro para estes mercenários.

October 9, 2006

A mulher polícia

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Provavelmente não sabem quem é esta jovem, nem que um dos singles retirados deste álbum está naquela fase de passagem até à náusea na Radar. Falo do "I defy" com Antony (de Antony & The Johnsons). Joan Wasser acha que beleza é o novo punk,mas sinceramente isto nada tem a ver com punk rock ou sequer como uma tomada de força que a imagem de mulher polícia possa levar a crer (ou mesmo o look à Joan Jett), antes a velha receita de piano e uma voz  muito bem colocada. Se pensarem que é um sucedâneo de Regina Spektor não estão longe, mas no que em Regina já passa as raias do exagero (isto de fazer suspiro palavras musicadas ou prolongamentos como se tratasse de gaguez é levar a afinação para terrenos enjoativos) aqui é mais contenção, com muito estilo. O que não te deixa de fazer pensar que este trabalho não será prima muita afastada de Diana Krall, mas também mais vale deixar de ser tão arrogante, e achar que sim, querida, és mesmo moderna. A confirmar dia 30 no Santiago Alquimista.

 P.S.: A Joan Jett

 

October 2, 2006

Cluster psicológico

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Estava sintonizada  na Radar quando ouço que o Álbum de Família com maior contagem foi o The Queen is Dead dos The Smiths, prova que os ouvintes desta rádio são todos trintões ligeiramente melancólicos (mais ou menos como eu). Somos todos uns mais ou menos, como tantos que escrevem em blogues, que vão postando as letras, que recorrem a frases destas letras para expressar o seu abandono adolescente ( Oh Mother, I can feel the soil falling over my head). A mesma frase que me saiu, automaticamente, quando o  chão, efectivamente, desabou.  Eu votaria o mesmo.

September 20, 2006

Os números são uma seca

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Depois de um Sonic Nurse que não ouvi muito nem prestei grande atenção, Ratther Ripped tem passado em repitação pelo meu carro nestes dias sem qualquer tipo de esforço. Do you believe in Rapture? Certamente.

Números, números, números

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«O número de pessoas com vínculos à administração pública subiu quatro por cento nos últimos sete anos, passando de 708.159, em 1999, para 737.774.»

«Em termos percentuais, contudo, foram os órgãos de soberania (ministros, secretários de Estado e seus gabinetes, Presidência da República, Assembleia da República e tribunais) que mais engordaram, registando-se uma subida de 68 por cento.»

«O que se sabe é que do total de pessoas com vínculos à administração pública, uma percentagem cada vez mais importante tem ligações contratuais mais precárias, existindo 11.806 avençados e tarefeiros (6637, em 1999). Os números divulgados na BDAP revelam também 65.828 pessoas com contratos individuais de trabalho (eram 12.744 em 1999).»

«737.774  568.384 38.740 130.650»

Público

Visto no on-line (obrigado ò alma caridosa que me deixa ler a edição electrónica) sucedem-se números e percentagens. Além da dor de cabeça evidente de repente, um número gigantesco - 737.774  568.384 38.740 130.650 - como se falassem da sucessão das casas decimais do Pi (que também é um número irracional). Eram quatro parcelas. 

Facto é que o número de trabalhadores com vínculos à AP continua a aumentar (já não podemos falar em funcionários, porque as entradas são feitas via contrato individual de trabalho), o Governo quer diminuir 75 mil (como?) e ainda com promessas: "não estou a pensar proceder à diminuição da remuneração de ninguém  nem estou a pensar proceder à estagnação da remuneração de ninguém" (diz o secretário de Estado da Administração Pública, citando de novo  edição de hoje do Público).

September 12, 2006

Jazz e o colete

[Arquivado em: Baixa Fidelidade]

Facto constatado ainda neste Verão no Estoril Jazz, músico de corneta não larga o seu colete (preferencialmente étnico, branco e negro, com um padrão a lembrar os bonequinhos de Keith Harring).

September 11, 2006

Autumn Leaves

[Arquivado em: Corneta]

Aqui

Como me iria custar cerca de 125 Euros ver isto ao vivo … Keith Jarrett no CCB algures em Novembro. Em seu tempo, disse que nunca mais voltava a tocar em Portugal devido a uns ataques de tosse da plateia do Coliseu - isto no tempo em que se podia fumar em concertos -  tudo esquecido graças a uma ligeira inflação de preços que faz dos mais arredados pianistas de jazz reconsiderar o seu asco à pátria lusa. Enfim, 125 Euros deve dar para comprar boa parte da discografia do afamado artista, mesmo tendo em conta os preços da ECM. Nota adicional: parece que ouvir repetidamente as gravações do concerto de Colónia fez com que a escritora Margarida Rebelo Pinto acelerasse o seu aparo para a literatura. Aconselha-se o caro leitor a afastar-se da folha em branco, não lhe vá dar um ataque semelhante. Para a nossa Guida Pinto, se for preciso envio uma cópia do dito, que o teu aparo tem estado muito parado.

Tenho que acabar este como. Como assisto ao debate (educado) sobre mortes e guerras (entre  teorias de conspiração e aspectos sombrios), neste dia que anoiteceu às oito, que acordou cinzento, que anuncia o Outuno, dias de praia já vestidos, deixo um autumn leaves sempre perfeito. O mais que perfeito na versão de Julian "Cannonball" Adderley com Miles Davis em Somethin’ Else de 1958.

Que gozo isto do You Tube!

September 5, 2006

Gostei de um livro que este (Sr.) gajo escreveu

[Arquivado em: Livros]

Chamava-se "Outono na Sertã" (capa amarela, igual à do Martin Amis) e tinha piada. Tinha mesmo muita piada. Encontrei-o, o  autor do livro,  num blog - papagaio morto-  e gosto dele, do blog,  porque aflora (manteiga?) alguns momentos geniais. E além disso é do Sporting, que só fica bem. É de direita (daquela direita direita, não a direita PS), que, a nós, até nos fica bem.

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