Ligações      Arquivos      Contactos

October 10, 2007

jus in re propria

[Arquivado em: Geral, Corneta]

Sem recurso a actividades ilícitas, já oiço o novo trabalho dos Radiohead, In Rainbows, que sairá para as lojas apenas em Dezembro. O disco já está disponível para compra pelo site e a grande novidade é que incumbe ao comprador escolher a quantia que está disposto a desembolsar pela versão para download do disco, no formato MP3. A grande parte dos utilizadores está a pagar uma libra, mas é possível não pagar nada. (ver também aqui).

Eu, como gosto muito dos rapazes, escolhi a modalidade caríssima (40 libras), encomendando a modalidade que me fará sentir especial no coração de Thom Yorke, a discbox que, para além do referido download, inclui esta versão já em cd e ainda outro cd de bónus, dois vinis, um livro e fotos.

É uma opção moral, num tempo em que é possível ter quase toda a música que se deseja sem ter de pagar por isso, contornando os legítimos direitos dos autores e a ganância das editoras que providenciam os meios técnicos para a edição e distribuição. Se alguém merece que se gaste dinheiro para desfrutar da cultura que produz, são (a par dos Soaked Lamb) os Radiohead. Assim, o meu dinheirinho foi directamente para a banda, sem que os mercadores se fiquem a rir com os lucros obscenos que ainda têm. 

November 17, 2006

Possibilities

[Arquivado em: Corneta]


Herbie Hancock com vinte e poucos anos já era um prodígio. Tinha tocado com Miles Davis Quintet, composto o "Watermelon Man" (um grande sucesso na década de 60) e  criado o seu próprio quarteto com Wayne Shorter, Ron Carter e Tony Williams. A genialidade apareceu (muito) cedo na vida deste homem. Quarenta e tal anos mais tarde compreendo que será pedir muito continuar a tocar como no Maiden Voyage e isto, como em muitas coisas na vida, não é para ser como a gente quer. Quarenta anos depois Herbie abriu-se a Possibilities (título do álbum que saiu o ano passado), fusão da pop de Sting ou Christina Aguilera com o jazz que há muito se tornou electrónico ou funk.

O que Possibilities como estas fazem é que os temas de sempre como "Canteloupe Island" ou "Maiden Voyage" sejam, na expressão do meu amigo Tiago, "avacalhados". A nossa teoria é que alguém vendeu um orgão todo quitado ao senhor, orgão esse que faz uns coros e efeitos arrepiantes (avacalhados percebem?) durante as nossas reminiscências de jazz dos anos 60. Grave grave é quando as Possibilities resvalam para o "I’ve just called to say I love You" (sim, do Stevie Wonder) que foi tocada e cantada no concerto desta noite. É que daqui ao Freddie Hubbard que se ouve no You Tube  vai uma grande distância, mas são as possibilidades que temos que respeitar num músico. E apesar destas possibilidades que tão pouco me atraem gostei imenso do efeito fusão do tema do guitarrista do Benim (um Ali Farka Touré versão funk) "7 Teens" com o "Watermelon Man" e o concerto teve os seus bons momentos, exactamente como eu gostaria que fossem (basicamente quando deixava o orgão quitado e ia para o piano). Os momentos Sting - ou salada de frutas musical - dispensava.

November 8, 2006

Exercícios de aquecimento

[Arquivado em: Corneta]


Cat Power - Cross Bones Style

October 29, 2006

Presente do passado

[Arquivado em: Corneta]

http://www.everythingisfire.com/web/2006/01%20Tonight.mp3

Sibylle Baier gravou este álbum no início dos anos 70 na Alemanha ainda que os ouvintes na altura tenham sido apenas amigos e família. Ficou enterrado até ao dia em que  filho resolveu emprestar umas demos ao vocalista dos Dinosaur Jr.  que  hoje vem  partilhá-lo com todos. É um trabalho acústico, folk semelhante ao que ouvimos numa Cat Power ou Nico e que não está datado. Celebração triste e pousada do quotidiano, parece-me bastante bom (mas já sabe, neste tema como em tantos outros sou uma Baixa Autoridade).

October 26, 2006

Keep on rocking in the free world

[Arquivado em: Corneta]

http://jornal.publico.clix.pt/noticias.asp?a=2006&m=10&d=26&uid=&id=103979&sid=11489

Fade away.

October 16, 2006

Fantasia numa noite de Outono

[Arquivado em: Corneta]

Saí da caverna escura e fria onde fico a lamber minhas mágoas para com o mundo e dirigi-me ao Clube Lua, uma outra sala de concertos na capital do Sul. Em palco apresentava-se Owen Pallett: um violino, um teclado, alguns pedais que chegaram (e sobraram) para levar o recinto à apoteose, ao duplo encore e uma pequena multidão a comprar os Cds de Final Fantasy, a banda do Owen. Como cartão de visita está a sua passagem pelos Arcade Fire e talento suficiente para cativar uma sala que não lhe conhecia a obra. Muito sentido de humor ("Shut up you wieners" quando a assistência pede um encore), uma apresentação a partir  de acetatos coloridos que marcava o terreno do naive (ou da fantasia, parecia uma história contada a crianças), uma sucessão de sons que se iam sobrepondo a partir de samples das primeiras notas de cada canção. Owen toca violino, mas os sons recriados vão do baixo ao piano. Isto acrescido de uma boa voz que cria melodias entre o pop e o clássico (com pinceladas de folk). Gostei imenso.

Aqui fica um link para o You Tube (cortesia Fórum Sons). Outro link.

October 14, 2006

Vaga rápida

[Arquivado em: Corneta]

Regresso do concerto dos Nouvelle Vague com a sensação reconfortante de ter 25 euros a menos na carteira por 45 minutos de concerto, numa sala apinhada e barulhenta.  Que o Paradise Garage é uma das mais desagradáveis salas de concerto da capital não é novidade, mais a mais agora que a altura média dos portugueses sobe, mas há uma lógica que me escapa naquela entrada a conta gotas (não vá alguém lembrar-se de levar a Uzi para um concerto de bossanova). Se a fila  começa a formar por volta das 20:30 nada mais lógico do que iniciar um concerto logo às 21:05, numa de precisão alemã que isto estamos a ser pagos ao segundo, quando metade da assistência ainda penava na dita fila. O resultado: ouvi 5/6 temas mal acondicionados, o barulho que as pessoas faziam a falar como se estivessem numa qualquer discoteca ultrapassava o baixo, a guitarra acústica e a voz  das simpáticas vocalistas. Houve bons momentos em "Too drunk to fuck", "I just can’t get enough", "The forest" mas o sentimento final é que mais valia ter ficado em casa e ver o Donnie Darko, recordando o "Killing Moon" (que não passou ou estava cá fora) na sua versão original em vez de ter dado dinheiro para estes mercenários.

October 11, 2006

cantate ei canticum novum

[Arquivado em: Geral, Corneta]

A par da Nicole Kidman, a música é a melhor das criações humanas. É uma família afectuosa para os desamparados, fortalece a personalidade dos tímidos e dialoga uma permanente conversa com os solitários (semelhante à terapia, com muitas perguntas que sozinhos não conseguimos formular). É uma banda sonora que acompanha os estados de espírito por que passamos nos vários momentos da nossa vida. No cinema, a banda sonora pode iluminar os filmes, como no grandioso 2001 – Odisseia no Espaço; outra vezes, é uma perfeita ilustração das imagens, como no belíssimo Lost In Translation; e às vezes é bem melhor que a película, como no caso do execrável Vanilla Sky. Na nossa vida basta escolher ou deixar um qualquer iPod fazê-lo aleatoriamente. 

Pretende esta pobre lírica apresentar do último disco de Lloyd Cole. Toda a gente que ouviu o disco disse o mesmo: Antidepressant não é o disco do ano, nem sequer é o melhor disco de Lloyd Cole (com ou sem os Commotions), mas é um disco limpo, de canções belas e simples. Tal como o excelente Music In A Foreign Language, editado em 2003 (mas um pouco aquém deste), Antidepressant é um disco apropriado de e para um homem que está a passar pela meia idade, com a tranquilidade e sabedoria que só o género e a experiência podem oferecer, «sem o sentimento de nos querermos matar», como diz o autor. Dizia o Hermann Hesse (embora não a propósito deste disco) que «não se pode falar de música senão a um homem que reconheceu o sentido do mundo». Seja. A mim e ao senhor Cole pode falar-se de música. Música feita de melodia e harmonia. Com arte e alma (salmo 32). Pode falar-se de música a quem se encontra «no longer angry / No longer young / No longer driven to distraction / Not even by Scarlett Johansson». Já pela Nicole…

October 9, 2006

A mulher polícia

[Arquivado em: Corneta]

Provavelmente não sabem quem é esta jovem, nem que um dos singles retirados deste álbum está naquela fase de passagem até à náusea na Radar. Falo do "I defy" com Antony (de Antony & The Johnsons). Joan Wasser acha que beleza é o novo punk,mas sinceramente isto nada tem a ver com punk rock ou sequer como uma tomada de força que a imagem de mulher polícia possa levar a crer (ou mesmo o look à Joan Jett), antes a velha receita de piano e uma voz  muito bem colocada. Se pensarem que é um sucedâneo de Regina Spektor não estão longe, mas no que em Regina já passa as raias do exagero (isto de fazer suspiro palavras musicadas ou prolongamentos como se tratasse de gaguez é levar a afinação para terrenos enjoativos) aqui é mais contenção, com muito estilo. O que não te deixa de fazer pensar que este trabalho não será prima muita afastada de Diana Krall, mas também mais vale deixar de ser tão arrogante, e achar que sim, querida, és mesmo moderna. A confirmar dia 30 no Santiago Alquimista.

 P.S.: A Joan Jett

 

September 20, 2006

Os números são uma seca

[Arquivado em: Corneta]

Depois de um Sonic Nurse que não ouvi muito nem prestei grande atenção, Ratther Ripped tem passado em repitação pelo meu carro nestes dias sem qualquer tipo de esforço. Do you believe in Rapture? Certamente.

Anterior