actus non a nomine sed ab effectu judicatur
José Pinto de Sousa, primeiro-ministro da nacinha (como lhe chama o bom dragão), é um linguista. E um wittgensteiniano da linha dura. Embora nunca tenha lido o Tratado Lógico-Filosófico ficou-lhe o gosto (inato) pelos tratados. Há mesmo quem, por essa razão, lhe chame tratante.
Mas a linguagem, a totalidade das proposições, a função da linguagem como revelador da realidade, isso ficou-lhe a matutar no seu pequeno cérebro. Para começar, renegou o nome de família. Qual jogador de futebol dos escalões regionais ou como os concorrentes do Big Brother (big brother que também o alicia bastante, aliás), quis ser conhecido apenas pelo nome próprio. Deixou, então, de responder ao nome “José Sousa” ou “José Pinto de Sousa” e passou a ser apenas o “José Sócrates”. Ou “Sócrates”. É o declínio de um nome, mas José, no cimo da sua ambiçãozeca, sabia que o internacional brasileiro já deixara de calcanhoar há tempo suficiente para alguns se lembrarem dele. Quanto ao filósofo grego, ele mesmo se encarregaria de o remeter para o olvido, afogando a sua memória (no rio Lethes) com a exclusão da incompreensível disciplina de Filosofia do curriculum obrigatório do 12º ano da escolaridade lusa.
Entretanto, José leu um livro e pensou que era social-democrata. Como tal, militou na JSD, ainda no tempo em que as juventudes partidárias não eram associações de acolhimento de pessoas com deficiência e o PPD defendia a social-democracia. Mais tarde, ao aperceber-se que, na “política”, pouco importava o que se pensava ou defendia, alistou-se noutro centro de emprego: o partido socialista. Foi aqui que se deu conta do mundo wittgensteiniano das palavras. A realidade é feita de palavras e só através da linguagem se pode conhecer a realidade. Decorre daqui que um partido se denomine “socialista” torna-se socialista. Como ele, que já não se chamava Sousa e, portanto, era como se Sousa nunca tivesse nascido.
Prometi referendar o “Tratado Constitucional”? Pois, mas isto agora é o “Tratado de Lisboa”, notem que já não há referências ao hino e à bandeira. E foram mudadas cinco vírgulas e dois artigos deslocados para outro capítulo.
Está, então, inventada uma nova teoria da ciência política. Prometi que não aumentava o IVA? Aumenta-se o imposto, mas passará a chamar-se IT. Garanti que não haveria portagens nas scuts? Passam a chamar-se auto-estradas. A primeira medida era alterar o Código do Trabalho? E foi. Passa a ser “Código do Trabalho” o nome da “primeira medida”. E assim por diante.
O José só ainda não sabe onde se vai localizar o novo “Aeroporto da Ota”.
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