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January 23, 2007

saúde privada

[Arquivado em: Geral, Sociedade]

Como é tradição histórica nacional, este Governo também despreza o povo que o sustenta. Não são apenas as mentiras sobre os impostos, os ataques cobardes aos "privilégios" das classes profissionais (antigamente chamados ‘direitos’), as propagandas megalómanas sobre projectos velhos ou vazios, o tom paternal das declarações do primeiro-ministro como quem explica evidências a retardados mentais, etc. Agora é esta treta do referendo. O Governo propõs um referendo aos portugueses, porque estava no programa do governo. (Ah, ah!, ah!, parece que é preciso cumprir pelo menos uma alínea do programa.) Serviços mínimos.
Ora, um referendo serve para auscultar a opinião do povo porque se entende que a matéria em causa é de tal ordem importante ou controversa que não devem ser os órgãos do Estado a deliberar sobre ela, remetendo à população a sua decisão - numa pergunta reduzida à sua formulação mais simples. No entanto, porque receia a resposta do povo, o Estado volta atrás com a decisão da "consulta popular" (o caso do referendo à Constituição Europeia, cuja possibilidade obrigou a uma alteração da Constituição Portuguesa) ou repete-a passados menos de dez anos, porque não gostou da resposta (o "não" ao aborto de 1998). Desta vez, o Governo apresenta novo referendo mas, desconfiando - com razão - do esclarecimento intelectual da populaça, resolve fazer campanha. Campanha de um Governo num referendo proposto por ele próprio é um arremedo de democracia. Nada de novo, então, neste regime de misantropia socialista.
O Governo quer o "sim" (o poder quer sempre o "sim": na regionalização, no aborto, na Constituição Europeia). Obtido o "sim", e com o encerramento das maternidades (e respectivos serviços de obstetrícia e ginecologia) com que este Governo tem vindo a queimar o país,  pode dizer-se que o aborto deixa de ser "uma questão de saúde pública". Passa a ser uma questão de saúde privada.

January 21, 2007

Finalmente, outro homem de esquerda.

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É verdade. Não estamos sozinhos, camaradas.
[no food-i-do (via elasticidade - o título deste post é inspirado num post do Luís Gaspar), por remissão do Timshel]:

Do Aborto, e porque não vou falar mais disto.
«Nesta matéria de referendar uma nova lei do Aborto eu sou muito franco e tenho de ser honesto para comigo mesmo: se me chamam para dizer se concordo que uma mulher possa abortar de livre vontade, antes das 10 semanas de vida do filho que está na barriga dela, isto é, até dois meses e meio (!) de gestação, eu digo: não concordo. E ponto final.

Não quero saber de mais nada, das liberdades da mulher e dos abortos clandestinos e das parcas condições em que muitas mulheres vão abortar. Não quero saber. Abortar é da consciência de cada um. Eu não quero contribuir para que se legitime essa consciência. Se uma mulher não quer ter um filho apenas porque não, apenas porque ela manda, eu não posso legitimar o direito a que se aniquile uma vida sob pretexto de que a mãe tem o direito de, ou seja, não me estou a ver contribuir para que se autorize uma mulher a pensar durante quase dois meses e meio se quer continuar a deixar que uma vida se desenvolva.
E não me venham com as más condições com que muitos abortos são feitos por serem clandestinos. Más condições para quem? Para a mulher? A criança que vive dentro dela morre na mesma, seja num vão de escada, seja na mais confortável clínica.
O aborto é um processo que envolve dois seres humanos sendo que, à partida, só um está condenado a não viver: a criança. Aliás, e segundo o futuro quadro legal, a essa criança é-lhe retirado o direito de viver apenas por e para mero conforto de quem decide.
Não consigo dizer sim a tal legitimação para que se mate apenas porque não se quer ter mais um filho, seja porque fica caro, seja porque dá chatices, seja até porque esse filho é menino e a mãe queria uma menina. Para que se deite fora uma vida apenas porque não se quer o incomodo de ter de lidar com essa vida.
por Altino Torres Ferreira»

January 19, 2007

a não vida não humana dentro do útero da não mãe

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A 10 week old fetus as it appears in the womb. nationalgeographic.com

 Feto com 10 semanas no interior do útero. Imagem de David Barlow.

January 18, 2007

como interromper voluntariamente a gonorreia

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O planeamento "familiar" e a contracepção (e, já agora, a prevenção de doenças transmissíveis sexualmente) faz-se até ao momento da foda. Não depois.

November 22, 2006

Mas eles têm neve e abetos de Natal e nós não

[Arquivado em: Geral, Sociedade]

Não deixa de me impressionar que se tenha conseguido convencer os patrões a pagar uma coisa chamada subsídio de Natal, que é tão somente dinheiro extra para irmos estoirar nas compras, encher os centros comerciais e dar mais uma vez a oportunidade aos nossos comerciantes de se virem queixar para a televisão que-isto-este-ano-está-muito-mal.
Por outro lado, soube há uns dias, que há alguns países, como a Alemanha, em que os patrões não foram na cantoria natalícia, embora tenham embarcado noutras que duram o ano inteiro: por exemplo, 1 ano de licença de parto e dar a opção a um dos pais de ficar em casa com os filhos até aos cinco anos, recebendo um subsídio e assegurando o posto de trabalho.
Boas compras, pode ser que nos cruzemos no Chiado. 

October 18, 2006

É que és tão chato!

[Arquivado em: Geral, Sociedade]

Tal como dizia o meu companheiro CC neste post, isto é só mais uma opinião que não interessa a ninguém, mas mesmo assim, cá vai ela.
Existirá alguma razão que justifique o direito de antena concedido ao personagem José Júdice no “Eixo do Mal”, ou, seja onde for?
O José é de uma chatice sem igual: engasga-se, atropela-se, anda para trás e para a frente, tem um discurso totalmente caótico, incompreensível, infindável, vai buscar assuntos dentro dos assuntos que nada têm a ver com os assuntos que ele próprio introduziu; tem total falta de clareza naquilo que diz, e em 99% das vezes que o ouvi, não consegui entender um mínimo do que queria dizer. A menos que nada quisesse dizer.
Um dia, no entanto, quebrou a regra e foi claro: o José está a favor da taxa “moderadora” nos internamentos dos hospitais públicos, porque parece que há muitas pessoas que aproveitam o facto de estarem internadas para ficarem mais tempo do que o que seria necessário, porque não querem voltar para casa, e portanto, faz todo o sentido que paguem a sua estadia. Aliás, e por falar em estadia, passo a transcrever, diz ele que “… por cinco euros por dia, vou começar a passar férias no hospital em vez de ir para o Ritz”. Tivesse o José sentido de humor, e a piadola poderia inserir-se na categoria do humor negro. Eu diria antes que se insere na categoria da total falta de categoria.
Por outro lado, nem eu sei porque é que lhe estou a dar tempo de antena aqui, no meu próprio blog. Se calhar, é porque, como disse a Clara Ferreira Alves, os blogs são, entre outros, novos instrumentos de revolta e de manifestação contra aquilo que nos chateia. E o José chateia-me profundamente.

August 23, 2006

conscientia fraudis

[Arquivado em: Geral, IC 19, Sociedade]

Era uma vez um humilde génio que queria ter acesso à Internet em sua casa. Depois de comprar uma casa tão modesta e bela quanto ele, e após  o calvário das pequenas obras no interior da casa (e dele próprio, mas para o caso não interessa), chegou à graça de uma habitação condigna, sem com isso ofender ninguém. Em duas das duas divisões previu a imprescindível ligação para as tomadas de telefone.
Para efeitos de activação do Serviço Clix ADSL, que oscila entre a “oferta” de 16 ou 20 megas, consoante a  publicidade seja mais ou menos séria, eu o génio belo e humilde recebeu em 8 de Junho de 2006 um e-mail da Clix, informando-meo que «no dia 2006/07/04 de manhã será efectuada a instalação da sua linha telefónica», pelo que solicitavam o acesso à sua residência, «assegurando a sua presença». Já no dia anterior (no dia 7 de Junho), este filho de Deus havia recebido um telefonema, uma carta e um sms a dizer o mesmo, todos remetidos pela Clix.
Foi o que fez, então. Tirou à Nação meio dia de férias e esteve em casa toda a manhã. Em vão, contudo. Não só ninguém apareceu, como ninguém (da PT ou da Clix) se dignou informá-lo que a tripla comunicação anterior tinha o mesmo efeito de uma promessa eleitoral do Engº Sócrates. Ou seja, afinal não era bem assim.
Reclamou para o número de apoio ao cliente (808102030), onde lhe disseram que talvez a instalação tivesse sido feita sem necessidade de ele se encontrar em casa – ao contrário do que lhe tinham dito por carta, sms e por e-mail. Que esperasse 5 dias úteis por um contacto dos "colaboradores" da Clix (nos nosso tempo, da Novilíngua, já ninguém é trabalhador, somos todos colaboradores; também ninguém é despedido – há é recursos dispensados; e o povo, perdão, a sociedade civil, pouco conta), para terminar a intervenção. Foi o que fez, então. Em vão, contudo. Ninguém apareceu.
Entretanto, recebeu um telefonema de um funcionário (ou “colaborador”, não sei bem) da PT a perguntar por que razão não estava em casa: sem aviso prévio, encontravam-se à sua porta para instalar a linha telefónica.  Ah! ah! Afinal era preciso lá estar… Mas como ninguém avisou o cidadão do novo dia em que lá se deslocavam (nem a PT nem a Clix) e o belo génio, apesar da sua superior inteligência (e sensibilidade e humildade e beleza) não tem premonições desde os onze anos, foi trabalhar para o emprego e não estava em casa. Erro. Deveria ter tirado uma licença sem vencimento e nunca se ausentar de casa, para não o apanharem desprevenido.
Reclamei Reclamou novamente para o mesmo nº de apoio ao cliente. Disseram que, afinal, a PT não tinha ido a sua casa na data combinada e triplamente anunciada pela Clix (coisa que o belo génio já tinha descoberto) e que iriam noutro dia e que , com toda a certeza, o avisariam da nova data ainda nessa semana. Que aguardasse. Foi o que fez, então. Em vão, contudo. Ninguém o contactou.
Reclamou então, mais uma vez para o mesmo nº 808102030. Pediram desculpa. Iam marcar com a PT novo dia e diziam-melhe qualquer coisa nos próximos dias. Que aguardasse novamente. Foi o que fez. Em vão, contudo. Ninguém o contactou.
Contactou este vosso amigo uns dias depois, para o tal nº de apoio ao cliente. Parece que já tinham pedido à PT para vir a sua casa proceder à prometida instalação da linha telefónica. O pedido fora remetido à PT em 17/Julho/2006 (progresso: era a primeira vez, desde a mentirosa informação em triplicado, que havia uma informação concreta).
Passou mais de um mês e não sabemos ainda se e quando alguém irá instalar a linha telefónica na habitação desta vítima do capitalismo. Ninguém lhe diz nada. Nem a PT nem a Clix. Nem o Sócrates, que, afinal, aumentou o IVA. Provavelmente este processo de activação do Serviço Clix ADSL tem sofrido muitas evoluções, mas a política da empresa é manter os clientes ignorantes sobre os meandros do seu não funcionamento.

Se a Clix fosse um serviço público, prestava-se bem à cassete do mau funcionamento da Administração Pública, à gritante ineficiência dos serviços do Estado (face às maravilhas dos privados), à mais que provada incompetência de todos os funcionários públicos (o que não acontece nos privados), às cunhas (que os privados não têm), aos compadrios (que os privados não têm) ou às listas de espera (que os privados não têm), às preguiças do funcionário (o que não acontece no privado) que, em vez de fingir que é um super-homem, dá atenção ao que lhe diz o colega que faz uma pausa, porque tem o dele certo ao fim do mês, à falta de respeito para com quem paga impostos (o que não acontece nos privados), em suma, à inépcia do sistema público, para onde só quem arranja emprego são os indolentes ou os mal educados.
Mas a Clix é uma empresa privada, pertencente ao maior (e moderno e eficiente e eficaz e sei lá que mais) grupo empresarial privado português, onde tudo é repleto da qualidade e «profissionalismo, transparência, credibilidade,  eficiência, confiança, liderança, humanidade», que os privados sempre oferecem, no melhor dos mundos que só o mercado totalmente livre das obtusas regras do Estado pode garantir, neste paraíso de virtudes que são todos os serviços privados.

August 11, 2006

vana est sine viribus ira

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Um grupo de cidadãos britânicos planeou uma série de atentados concertados em dez aviões americanos que pretendiam fazer explodir ontem em pleno vôo, entre o Reino Unido e os Estados Unidos. Na expressão da Scotland Yard, se os terroristas britânicos tivessem êxito, teria sido um «assassínio em massa a uma escala inigualável».

Há uns anos, na sequência do 11 de Setembro, e para vingar os atentados ao World Trace Center e ao Pentágono (embora aqui ainda se levantem razoáveis dúvidas), organizados por uma associação terrorista cujos líderes e financiamento provêem da Arábia Saudita, George Bush, arguto líder do Ocidente e ao Mundo Livre em geral, atacou o… Afeganistão.

(O Iraque foi invadido por outras razões: por causa da existência de armas de destruição massiva no seu território e para levar a paz e a democracia ao país e à região - objectivo conseguido, de resto: não só o Iraque não tem armas de destruição massiva, como já houve mais eleições e, tecnicamente, ao que parece, ainda não estão em guerra civil)

Tendo em conta o sucedido ontem e a lógica de reacção «daquele indivíduo que habita do outro lado do Atlântico», como lhe chama a MJL, que país deverá agora ser atacado?

Espero que seja a Espanha.

Com os olhos que a terra há-de comer

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Sou da firme opinião que a luta contra o terrorismo está longe de se fazer com a “estratégia” engendrada pelos líderes europeus e aquele indivíduo que habita do outro lado do Atlântico. A meu ver, a ideia de andar numa busca incessante por terroristas no meio de milhões de indivíduos que apenas andam na sua vidinha, é uma realidade pouco verdadeira. Pode ser que de vez em quando se tropece num ou noutro, mas a isto não se pode chamar propriamente uma estratégia.
Mas, para me fazer calar, já não é a primeira vez que os serviços secretos do Tony e do George (olha quem…), desmantelam um enorme atentado terrorista.
Não é meu costume, de maneira nenhuma, ter a mania das conspirações, mas…
Não será verdade que de vez em quando, convém demonstrar que a “estratégia” está a funcionar? Que volta e meia convém prender uma dúzia de radicais? E que, vêm mesmo a calhar mais um ou dois motivozitos para que Israel possa continuar em paz, a sua guerra? Ainda por cima, hoje é dia 11.

Seria? Não seria?
No pacote Democracia/Liberdade, vem o direito à informação, mas será que, tal como noutro sistema qualquer, estarão a deixar-nos ver uma determinada realidade ou a verdade?

 

July 21, 2006

O seguro não morre necessariamente velho.

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Volta e meia, fala-se disto, com ares de problema: os portugueses poupam cada vez menos.
A mim, salta-me logo uma razão: os portugueses ganham cada vez menos, mas na verdade não é a razão da falta de poupança que me intriga, mas antes a ideia generalizada e inculcada de que poupar é indiscutivelmente uma coisa positiva.
Não é indiscutivelmente.
Primeiro, a ideia de que viveremos muitos e muitos anos e que daqui a muitos e muitos anos poderemos finalmente usufruir do sacrifício que andámos a fazer durante toda a vida, é perigosa. Devíamos saber que um milionésimo de segundo é quanto basta para que o nosso pé-de-meia se transforme em herança, e que, portanto, lá se vai o usufruto, embora o sacrifício já ninguém no-lo tire.
Segundo, quem é que meteu na cabeça das pessoas que um PPR é mais seguro do que a Segurança Social do Estado? Quem é que garantiu alguma vez que o banco que andou a jogar ao monopólio com o nosso dinheirinho e que o multiplicou para si muitas e muitas vezes, não vai, por exemplo, à falência?
Terceiro, qual é a teoria socio-politico-economica que diz que se um povo inteiro for muito poupadinho, o seu país pula e avança como uma bola colorida nas mãos de uma criança? Não estamos com isso simplesmente a encher os banqueiros?
Não seria mais positivo se o indivíduo, em vez de se deixar escravizar, escravizasse o dinheiro que ganha, usufruindo dele, e que os governos incentivassem os cidadãos a investir, gerando assim algum movimento?

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